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sábado, 18 de junho de 2011

Máquina do Tempo: Benfica vence a Taça Latina

Há precisamente 61 anos, no dia 18 de Junho de 1950, o Benfica vencia a sua primeira grande competição internacional. Numa final que durou uns incríveis 266 minutos, a equipa encarnada haveria de vencer o Bordéus por duas bolas a uma e reclamar para si o bonito e prestigiante troféu da Taça Latina. Nas próximas linhas, iremos recordar como tudo aconteceu. 
A Taça Latina de 1950 foi jogada em dois dias seguidos, aproveitando o feriado de 10 de Junho. Era um sábado mas, na época, esse era um dia de trabalho, sem futebol. Nessa jornada, o Girondinos de Bordéus derrotou o Atlético de Madrid por 4-2 e o Benfica ganhou à Lazio de Roma por 3-0 com golos de Rosário, Rogério (grande penalidade) e Arsénio, todos na primeira parte. A equipa italiana apresentou-se algo debilitada pela doença [anginas] que atacou alguns dos seus jogadores nos dias anteriores e o Benfica não teve dificuldades em qualificar-se para a final da competição, apesar de não ter podido contar com um dos seus mais famosos jogadores, Francisco Ferreira, capitão de equipa, lesionado.
No dia seguinte, a grande final com os franceses do Bordéus foi emocionante. O Benfica começou da melhor forma, chegando aos 2-0 através de Arsénio e Corona. Mas a equipa de Bordéus, ainda na primeira parte (cinco golos!), deu a volta ao resultado, saindo para intervalo a ganhar por 3-2. A segunda parte foi de domínio do Benfica, procurando pelo menos o empate, que acabaria por chegar através de Pascoal, ponta esquerda que foi a única alteração da equipa relativamente à véspera. Seguiu-se um prolongamento de meia-hora, que não alterou o resultado. Havia que jogar-se a finalíssima, marcada para o domingo seguinte, dia 18 de Junho, igualmente no Jamor. Faz hoje, precisamente, 61 anos.
 in Livro oficial do 100º aniversário do Sport Lisboa e Benfica

 O Benfica começou bem a finalíssima mas a trave substituiu o guarda-redes francês e impediu que o primeiro golo lhe pertencesse. E foi o Bordéus que acabou por abrir o marcador, logo aos 11 minutos de jogo. A partir daí, o Benfica carregou sobre o adversário, mas uma superior exibição do guarda-redes Astresse e alguma inépcia dos atacantes portugueses impediam que o resultado se alterasse. Os minutos foram passando, as esperanças dos benfiquistas diminuindo e o final do jogo aproximava-se. E, já com muitos espectadores resignados, fora do estádio, a caminho dos transportes que os levariam a casa, faltando escassos 20 segundos para os 90 minutos, eis que surge, finalmente, o golo do empate. Foi seu autor Arsénio, homem de muitos golos ao serviço do Benfica, mas nenhum tão importante e decisivo como este.
Os ecos do golo chegaram aos acessos do estádio e os espectadores mais conformados, que já abandonavam, de pronto regressaram aos seus lugares. Haveria lugar a um prolongamento de 30 minutos que, porém, não trouxe golos. Depois, começaram períodos de 10 minutos que seriam suspensos logo que houvesse um golo. Jogou-se o primeiro, sem golos. Jogou-se o segundo, ainda sem golos. Os jogadores - sempre os mesmos, sem qualquer substituição admitida - já se arrastavam mais do que jogavam. Até que, finalmente, aos 146 minutos de jogo - duas horas e 26 minutos! - quando o sol já se começava a pôr, Julinho, o avançado centro, fez o golo da vitória. Numa jogada confusa, saltou com o guarda-redes Astresse, chegou primeiro à bola e esta anichou-se nas redes. Foi a grande festa, o primeiro grande triunfo do Benfica numa competição internacional, numa final que durou um total de 266 minutos, quatro horas e 26 minutos. A final mais longa do futebol português.
Na finalíssima, o Benfica entrou em campo com: Bastos; Jacinto e Fernandes; Moreira, Félix e José da Costa; Corona, Arsénio, Julinho, Rogério e Rosário. 
 in Livro oficial do 100º aniversário do Sport Lisboa e Benfica


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Fonte das imagens: Facebook oficial do Sport Lisboa e Benfica; Diário de Lisboa Online, disponibilizado pela Fundação Mário Soares,

2 comentários:

Muito bom artigo.

Era o Benfica...

A taça mais desvalorizado do nosso palmarés.
Gostei de ler

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