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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Benfica: uma nova política desportiva

 
Fechado o mercado em Janeiro volto a um assunto que aflorei no meu primeiro post no blog, desta vez com novos elementos para analisar. De repente, e sem qualquer aviso prévio, o Benfica parece ter decidido mudar a sua estratégia de actuação no mercado de jogadores. Depois de nos últimos anos, as baterias terem estado apontadas maioritariamente para a América do Sul e para o país vizinho, com a aposta a recair em jogadores já valorizados no seu campeonato de origem, os encarnados parecem agora ter escolhido um modus operandi diferente: apostar em jovens jogadores - sem olhar a nacionalidades - com potencial e a baixo custo, não deixando de os contratar tendo em conta as prioridades mais imediatas da equipa. 

Não tendo sido explicada, não se sabe a que se deve exactamente esta viragem na política desportiva do clube. Do meu ponto de vista, a mudança é necessária, já que o continuar com o despesismo que tem sido o mercado benfiquista nos últimos anos é de todo impensável. Seria bom sinal se esta decisão de cortar com o passado recente fosse o resultado de uma análise estrutural cuidada do que é o Benfica de hoje, assente em premissas muito claras daquilo que se quer para o futuro: maior equilíbrio nas contas pondo travão ao endividamento da SAD - alinhando ao lado da UEFA em eventuais novas regras de fair play financeiro - e intenção de manter o clube numa linha crescente de sucesso desportivo - necessário para garantir receitas e obrigatório tendo em conta o passado glorioso da instituição.

Dentro desta nova estratégia, com a qual o Benfica animou um mês de janeiro que se previa de calmaria relativa, já chegaram ao clube Fernández (23 anos), Jardel (23 anos) e Carole (19 anos), e estão para chegar Daniel Wass (21 anos), Nuno Coelho (23 anos), Nolito (24 anos), Rodrigo Mora (23 anos) e Nemanja Matic (22 anos). Apesar de me parecer uma política com contornos positivos (pelo menos numa perspectiva de controlo de gastos) não posso deixar de notar um dos pontos críticos da sua adopção: para o sucesso de tal estratégia um recrutamento cuidado de jogadores é essencial, sendo que aqui o gabinete de prospecção terá um papel fundamental na indicação de atletas. Como o passado recente do clube indica, comprar bem e barato nunca é fácil pelo que será importante contratar pouco e apenas quando se tem certeza absoluta acerca do valor do jogador. O rigor deve ser a palavra de ordem, e neste ponto  devo dizer  que não me parece que tenhamos começado com o pé direito.

Ainda nesta perspectiva, tenho para mim que o Benfica devia pautar a sua actuação no mercado estabelecendo uma hierarquia de dentro para fora dando preferência a (1) jogadores da formação e emprestados, (2) mercado nacional, (3) mercado internacional. Definido o perfil (que pode servir como factor eliminatório de um ou mais mercados) e o sector da peça a contratar, a busca pelo jogador indicado começaria sempre nos jogadores oriundos da formação, dando de seguida preferência ao mercado nacional e só depois a jogadores a actuar no estrangeiro. Defendo, então, uma política desportiva integrada que contemple estas 3 formas de adquirir jogadores. A consequência natural de uma estratégia de compromisso que contemple estas vertentes é, para mim, bem clara: maior sucesso, tanto a nível desportivo, como financeiro. A título de exemplo, e digo já que esta opinião é meramente especulativa porque não conheço o valor do jovem francês que espero que se torne num grande jogador, não entendo como se avança para a contratação de um lateral esquerdo com o perfil do Carole quando se tem nos quadros um jogador como o Mário Rui. Reparem: são ambos laterais esquerdos, são ambos da mesma geração (1991), são ambos internacionais sub19 pelas respectivas selecções e têm actuado ambos em equipas do segundo escalão dos respectivos páises (curiosamente ambos participaram em 13 jogos para o campeonato) . Terá o Carole um potencial assim tão superior ao Mário Rui? Espero que sim. O que salta à vista é que, mais uma vez, a primazia foi dada a um jovem estrangeiro quando se tinha um jovem de perfil semelhante proveniente das camadas jovens.

Analisando ainda outras situações pendentes no plantel benfiquista, dentro deste modelo e esquecendo os jogadores já anunciados, consideraria sensatas e equilibradas decisões do tipo: apostar em Sidnei ou Miguel Vítor para substituir directamente David Luiz, sem necessidade imediata de ir ao mercado e cabendo aos dois lutar por um lugar ao lado de Luisão. Fábio Faria e/ou Roderick completariam o lote; apostar forte no mercado internacional para substituir Fábio Coentrão, como parece que está a ser feito. Taiwo é a hipótese mais falada; investir no mercado nacional para encontrar uma alternativa a Maxi Pereira, tendo Sílvio como alvo; manter César Peixoto como alternativa principal ao lateral esquerdo, ficando Mário Rui no plantel a ser preparado para assumir esse papel no final da próxima época; garantir, dentro daquilo que for razoável, a continuidade de Salvio fazendo regressar Urreta como seu substituto directo; investir forte no mercado internacional para colmatar uma eventual saída de Cardozo, apostando num jogador de perfil semelhante; ocupar o lugar de Felipe Menezes no plantel com Miguel Rosa ou David Simão; fazer regressar Nélson Oliveira ou Rodrigo como 5ª ou 6ª opção no ataque, substituindo directamente o capitão Nuno Gomes.

Apesar dos meus desejos (que pouco importam), não parece ter sido este o caminho que o Benfica decidiu trilhar. O segredo para o sucesso estará sempre no rigor e na exigência com que se fizer o recrutamento de jogadores. Se a escolha for rigorosa, o sucesso será provável, caso contrário continuaremos na onda dos infindáveis jogadores com ligação contratual ao clube, emprestados por esse mundo fora. O futuro dirá se o caminho escolhido é, ou não, o mais correcto. Estamos todos a torcer para que a resposta seja positiva.

5 comentários:

Excelente análise.
Realmente, esta não parece a melhor opção para o sucesso, mas se calhar é mesma a única alternativa que temos de momento.
Força Benfica!

Vamos lá ver na próxima temporada...O Cardozo e o Coentrão devem partir, a quase totalidade do dinheiro vai para pagar dívidas, e no espaço de um ano, tornamo-nos no Sporting 2.
Confesso algum medo pelo que vem ai

Excelente texto, dos melhores que já li por esses blog's fora!!!

Só para reflectir num ponto, a contratação do Carole e do Mário Rui, ambos sub-19 das respectivas selecções. Não pondo em causa nem a qualidade de um nem outro, e também pouco interessante é para este ponto. Imagine-se que os dois são ambos bons jogadores, principais referências nas suas selecções sub-19, são uma das figuras nas suas equipas de segundo escalão e, principal referência nessa posição nas suas equipas. Então porque não se aposta no nosso?? A resposta parece que reside no adepto..quanto tempo nós damos a um moço da formação..começamos logo a cobrar!!

Não acredita, então repare no seguinte, Urreta e Miguel Victor...conta-se pelos dedos os blog's que pediram o regresso do segundo, enquanto que o primeiro vai de fracasso em fracasso e reclama-se pelo seu regresso!!

Neste exemplo não pôs em causa o valor dos atletas, qualquer um deles tem potencial para singrar no Benfica a meu ver...o que se tem de mudar somos nós adeptos, estar atentos e exigir aos directos/treinadores para colocarem lá 2 a 5 jogadores jovens oriundos da formação...e mais importante, dar tempo aos jogadores, pois só assim vão singrar no clube

Se bem que a solução ideal, era a criação de novo da equipa B(um erro ter acabado com ela), e a qual, deveria ter um onze base formado pelas reservas da equipa A e os potenciais jovens dos juniores, ou seja, o plantel da equipa B composto por aqueles que jogam pouco ou nada do plantel principal(olhando ao actual estamos a falar de 12/13 jogadores...além de que pelo menos mantinham um ritmo competitivo regular..e até era benéfico para eles quando entrassem na equipa titular...outro aspecto a reter, a equipa B devia ter o mesmo modelo táctico e inclusive ser treinada por um dos adjuntos da principal...para haver um observação de eventuais promessas para explodirem na equipa A) e os restantes 7/10 jogadores iam se buscar a equipa de juniores. Vantagem disto, quando os juniores fossem a estrear na equipa A, já sabíamos do seu potencial, já o conhecíamos (sim nós adeptos, por causa da BenficaTV), por tanto um mau jogo, era um mau jogo, e, nada mais...não era do tipo "andamos a gastar milhões na formação pra isto"; e, o treinador principal tinha mais segurança quanto aos jogadores "menores" do plantel principal, aqui incluem-se jogadores do tipo Jara, Felipe Menezes e por aí, são jogadores que necessitam de estar no Benfica, numa equipa B, pois não podem viver a espaços das oportunidades que Jesus dá na Taça da Liga(pois agora na meia final, nem são convocados :( )..Por isso é urgente a criação de uma equipa B, porque assim estes jogadores, bem como os jovens, tem de competir regularmente, tem um objectivo no tempo(colectivo, p. ex. ficar no pódio da divisão que a equipa B disputa), e, o mais importante, desde que a equipa B seja orientada por um adjunto da equipa principal, seguindo a táctica e modelo de jogo da equipa A, melhor para esses jogadores, pois quando forem chamados a actuar na equipa principal, menos desculpas terão para justificarem o seu falhanço(pois uma noite de má qualidade todos têm, falta de capacidade para jogar num clube grande, muitos jogadores têm..e assim). Pois com equipa B, muito dos nossos problemas em termos de contratação e jogadores flops seriam solucionados em menos de seis meses!!!

Obrigado a todos pelos comentários.

red underscore:

Confesso que também estou apreensivo com a próxima temporada. Temo pelas saídas de Coentrão, Cardozo e até de Aimar e Javi. Seria o último passo na destruição efectiva de uma equipa campeã. Esperemos que haja bom senso e também boas decisões relativamente a entradas e saídas.

Otto:

Entendo o que diz, mas certamente concordará se lhe disser que as decisões da SAD têm de estar imunes a pressões do exterior. O Miguel Vítor já provou aos adeptos que é uma opção competente para o lugar de defesa central (recordo que tem mais de 40 jogos pelo Benfica), pelo que não entendo essa desconfiança. Sou, aliás, um defensor intransigente do seu regresso. Assim como o de Urreta que penso ser um miúdo com muito valor.

Sobre a formação recordo ainda que há bem pouco tempo o Presidente Luís Filipe Vieira disse, para todos os benfiquistas ouvirem, que quería ter 4 ou 5 jogadores da formação no plantel da próxima época. Veremos se a declaração foi algo do momento ou se será mesmo para concretizar.

Quanto às equipas B concordo com quase tudo o que diz e também sou defensor do seu regresso. Fiz até um post sobre o assunto aqui no blog, que penso que vai de encontro às suas ideias. Talvez o ache interessante. Obrigado pelo longo e construtivo comentário. Espero que mantenha essa vontade de comentar mais vezes.

:)

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