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sábado, 27 de agosto de 2011

Um poema chamado Aimar

A magia sucede-se nos relvados como os versos se sucedem nos mais brilhantes poemas da história da literatura. E porque a magia não é lançada no relvado por acaso. Também segue uma lógica, tal como a métrica ordena os poemas. O poema de que vos falo, chama-se simplesmente “Aimar”.

Pablo Aimar é o jogador do momento no Benfica. Joga com a subtileza que Maradona um dia elogiou, e com a mesma vontade que o fez aceitar uma deslocação para bem longe da sua terra natal logo aos 14 anos, para ingressar no River Plate. A uma grande exibição, segue-se uma exibição fantástica, e a seguir uma outra de outra galáxia.

Eu estou completamente rendido à classe, à magia, ao tango de Pablo Aimar. Não é de hoje, mas vê-lo a brilhar desta forma no clube do meu coração, tem outra dimensão. Lembro-me dos resumos daquela fantástica equipa do River Plate, onde brilhavam sobretudo dois miúdos que deixaram louca a Europa do futebol. Um tal de Saviola e… Aimar. Lembro-me de arranjar na Internet vários artigos sobre Aimar. As jogadas dele, a impressionante lucidez e presença de espírito com apenas 19 ou 20 anos deixava-me boquiaberto em frente ao PC.

Por 24 milhões de Euros, o River deixou-o partir rumo a Valência. Lá como na Argentina, triunfou e converteu-se num ídolo. Depois veio o período mais negro da sua carreira… uma grave doença, lesões… e uma experiência no Saragoça particularmente traumática. E ainda assim, quando o seu nome apareceu na CMVM, no comunicado que confirmou a transferência para o Benfica, rejubilei interiormente. Aquele enorme jogador que há anos admirava, ia jogar no meu clube!

Não escondo que me preocupavam as questões físicas do Aimar. Mas tinha uma fé inabalável que cá ia reerguer-se e voltar a mostrar ao mundo do futebol porque razão Maradona, o deus do futebol, um dia disse que só havia um jogador que pagaria para ver jogar… Aimar!

Se na primeira época já tivemos uma amostra do talento deste jogador, não é menos verdade que tivemos também ainda os problemas físicos a perturbarem-no. Mas a melhoria parecia evidente. Não fez mais porque tivemos aquele espanhol ordinário a treinar a equipa. Vimos o Aimar a extremo esquerdo, a avançado… não dava para o argentino soltar todo o seu talento.

Depois, veio 2009/10. O melhor Benfica que vi na minha vida tinha a batuta de Aimar, embora eu até ache que nesse ano Carlos Martins ainda foi mais afirmativo nos momentos decisivos. Fisicamente melhor, com um enquadramento táctico favorável, vimos espectáculo sobretudo no início e no fim da época. E depois 2010/11, onde apesar da performance da equipa ter sido horrorosa, Aimar continuou a aumentar o seu nível. Vimos-lhe jogos que não víamos já desde o Valência. Com aquela rapidez e agilidade que destroem uma defesa, com a clareza de ideias para libertar a bola no momento certo.

E, por fim, estamos em 2011/12. E sinto-me esmagado pela qualidade que temos visto no Pablo Aimar. Usamos imensas vezes a expressão “não há palavras” para qualificar superlativamente muitas coisas que nos fazem vibrar no dia-a-dia. Mas ela tem real aplicação e expressão com Pablo Aimar. Quando uma simples simulação de corpo deixa dois adversários fora da jogada e isola um colega, o que podemos dizer? Nada, absolutamente nada. Apenas absorver o momento e rezar para que a nossa memória nunca fraqueje a ponto de perdermos um momento de puro futebol.

O que há para dizer quando vemos Aimar progredir com a bola, apertado por adversários bem mais corpulentos que ele, e acabar por os deixar para trás com uma mudança de direcção repentina? Nada. Não podemos dizer rigorosamente nada, tudo o que pudéssemos dizer para elogiar aquele momento pareceria sempre redutor para tão eloquente demonstração de competência.

Aimar é um jogador de uma classe como já não há. É um jogador que, apesar do seu brilhantismo individual, procura sempre exaltar o colectivo em vez de exibir a sua imensa gama de pormenores técnicos para sobressair. Mas é precisamente por isso que acaba por sobressair. A leveza de movimentos, caminhando no relvado como se na realidade estivesse a voar baixinho, só encontra na minha vivência do Benfica paralelo em outros dois jogadores que vi de águia ao peito: Valdo e Rui Costa. E no futebol mundial, não vi muitos mais. Aquela forma graciosa como recebe a bola e de imediato dá um sentido aquela posse de bola…!

É que ter a posse de bola é muito mais do que… ter a posse de bola. Ter a posse de bola é um exercício de inteligência e de estratégia. Fazer uma recepção orientada ou parar, fazer um passe de primeira para um colega, acelerar o jogo procurando atacar mais rapidamente ou tentar pausar um pouco mais para que todos os jogadores da equipa possam respirar um pouco antes de voltarem a acelerar o ritmo. Fazer um passe longo ou preferir triangulações curtas, rematar à baliza ou cruzar para a cabeça do ponta de lança. Mas não são estas acções técnicas a que se chama posse de bola. A verdadeira posse de bola é o exercício de decidir bem quando executar cada uma delas. Perceber qual a mais pertinente. Pensar mais à frente e pesar numa fracção de segundo os riscos de cada acção e o potencial dano que consigam causar ao adversário. E este conceito de posse de bola, se não lhe quiserem chamar posse de bola, podem simplesmente chamá-lo… “Pablo Aimar”.

O futebol ganha um outro sentido com jogadores como Aimar. Ganha uma dimensão artística, de verdadeiro espectáculo, a que ninguém fica indiferente. O bailado das triangulações, do movimento típico de receber a bola, passar e desmarcar, e todos aqueles lances com a assinatura do argentino são um hino a este magnífico desporto.

E depois o que transporta um jogador como o Aimar para um patamar ainda mais galáctico, é aquilo que é como pessoa. Sou do Benfica, e ser do Benfica é muito mais do que gostar apenas de um clube, apoiá-lo ao fim de semana e querer que ganhe. Ser do Benfica é ter determinados valores na vida dos quais me orgulho. A honestidade, a franqueza, a humildade, a competência e o trabalho, entre outros. E o Aimar, nascido bem longe de Lisboa, é o Benfica em pessoa. Normalmente tenho alguma dificuldade em dizer isto de um jogador estrangeiro, pois sou muito apegado à nossa história de grandes valores nacionais que defenderam as nossas cores. Mas sobre o Aimar não hesito. Toda aquela naturalidade com que faz uma recepção que muitos julgariam impossível, ele transporta-a para fora de campo. No sorriso sincero com que enfrenta uma pergunta mais complicada de um jornalista, na humildade com que evita um destaque superior ao da sua equipa. Com o recato com que preserva a sua vida privada, com o trabalho que nunca falta ao serviço do clube. Sim, porque ninguém é obrigado a jogar sempre bem… nem Maradona jogava sempre bem, nem Eusébio, nem Rui Costa, etc. Mas a jogadores como Aimar, que com mais ou menos inspiração, trabalham sempre da mesma forma profissional e séria, só há elogios a atribuir.

Pablo Aimar ao fim e ao cabo define-se simplesmente como classe! Dentro e fora dos relvados. A mesma magia com que encanta plateias durante os 90 minutos de cada jogo, é exactamente a mesma superior formação que fazem dele uma referência como ser humano. Porque se Aimar não seria o mesmo sem o seu enorme talento para o futebol, também não tenho dúvidas que o seu talento para o futebol não seria o mesmo sem as suas qualidades como ser humano.

Estamos na quarta época de Pablo Aimar no Benfica, e vendo que a cada época que passa, ele joga cada vez melhor e aparece fisicamente cada vez mais fresco, eu só posso pedir que ele fique connosco ainda mais alguns anos. Tem imenso para dar ao futebol.

Porque quero continuar a ficar em silêncio após as jogadas de Aimar. Quero continuar a surpreender-me cada vez que ele isola um colega apenas com uma simulação de corpo. Porque quero continuar a babar-me cada vez que recebe jogável uma bola bombeada pela defesa. Porque quero continuar a apreciar o carrossel ofensivo que ele dinamiza. Porque quero continuar a ser obrigado a rever vezes sem conta os lances que protagoniza em campo, na esperança de perceber como é que ele, numa fracção de segundos e à flor da relva, conseguiu perceber que existia uma linha de passe que nem do alto do 3º anel do Estádio da Luz se vislumbrava. E, claro, porque quero continuar a ficar com um sorriso de orelha a orelha quando vejo El Mago a expressar-se fora do relvado, com aquele discurso muito objectivo, inteligente e honesto. Jogadores assim fazem muita falta. Jogadores assim fizeram a nossa fantástica matriz Benfiquista!

Pablo Aimar, outro 10 imortal!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Benfica TV

Lido no serbenfiquista.com: "Somos uns privilegiados do caraças em podermos seguir a par e passo toda esta pré-época desde os exames médicos até às entrevistas de reforços.

Somos por vezes tão críticos mas desta vez saúdo a BenficaTv por proporcionar isso a todos os benfiquistas em todo o mundo. Aproxima e muito o clube dos seus adeptos."

Somos sim senhora. Considero muito positivo o trabalho feito pela BTV até agora da pré-época do Benfica. Estão de parabéns, nós que por vezes somos bastante críticos aqui. Continuem com este acompanhamento da pré-época encarnada, caríssimos!

sábado, 18 de junho de 2011

Máquina do Tempo: Benfica vence a Taça Latina

Há precisamente 61 anos, no dia 18 de Junho de 1950, o Benfica vencia a sua primeira grande competição internacional. Numa final que durou uns incríveis 266 minutos, a equipa encarnada haveria de vencer o Bordéus por duas bolas a uma e reclamar para si o bonito e prestigiante troféu da Taça Latina. Nas próximas linhas, iremos recordar como tudo aconteceu. 
A Taça Latina de 1950 foi jogada em dois dias seguidos, aproveitando o feriado de 10 de Junho. Era um sábado mas, na época, esse era um dia de trabalho, sem futebol. Nessa jornada, o Girondinos de Bordéus derrotou o Atlético de Madrid por 4-2 e o Benfica ganhou à Lazio de Roma por 3-0 com golos de Rosário, Rogério (grande penalidade) e Arsénio, todos na primeira parte. A equipa italiana apresentou-se algo debilitada pela doença [anginas] que atacou alguns dos seus jogadores nos dias anteriores e o Benfica não teve dificuldades em qualificar-se para a final da competição, apesar de não ter podido contar com um dos seus mais famosos jogadores, Francisco Ferreira, capitão de equipa, lesionado.
No dia seguinte, a grande final com os franceses do Bordéus foi emocionante. O Benfica começou da melhor forma, chegando aos 2-0 através de Arsénio e Corona. Mas a equipa de Bordéus, ainda na primeira parte (cinco golos!), deu a volta ao resultado, saindo para intervalo a ganhar por 3-2. A segunda parte foi de domínio do Benfica, procurando pelo menos o empate, que acabaria por chegar através de Pascoal, ponta esquerda que foi a única alteração da equipa relativamente à véspera. Seguiu-se um prolongamento de meia-hora, que não alterou o resultado. Havia que jogar-se a finalíssima, marcada para o domingo seguinte, dia 18 de Junho, igualmente no Jamor. Faz hoje, precisamente, 61 anos.
 in Livro oficial do 100º aniversário do Sport Lisboa e Benfica

 O Benfica começou bem a finalíssima mas a trave substituiu o guarda-redes francês e impediu que o primeiro golo lhe pertencesse. E foi o Bordéus que acabou por abrir o marcador, logo aos 11 minutos de jogo. A partir daí, o Benfica carregou sobre o adversário, mas uma superior exibição do guarda-redes Astresse e alguma inépcia dos atacantes portugueses impediam que o resultado se alterasse. Os minutos foram passando, as esperanças dos benfiquistas diminuindo e o final do jogo aproximava-se. E, já com muitos espectadores resignados, fora do estádio, a caminho dos transportes que os levariam a casa, faltando escassos 20 segundos para os 90 minutos, eis que surge, finalmente, o golo do empate. Foi seu autor Arsénio, homem de muitos golos ao serviço do Benfica, mas nenhum tão importante e decisivo como este.
Os ecos do golo chegaram aos acessos do estádio e os espectadores mais conformados, que já abandonavam, de pronto regressaram aos seus lugares. Haveria lugar a um prolongamento de 30 minutos que, porém, não trouxe golos. Depois, começaram períodos de 10 minutos que seriam suspensos logo que houvesse um golo. Jogou-se o primeiro, sem golos. Jogou-se o segundo, ainda sem golos. Os jogadores - sempre os mesmos, sem qualquer substituição admitida - já se arrastavam mais do que jogavam. Até que, finalmente, aos 146 minutos de jogo - duas horas e 26 minutos! - quando o sol já se começava a pôr, Julinho, o avançado centro, fez o golo da vitória. Numa jogada confusa, saltou com o guarda-redes Astresse, chegou primeiro à bola e esta anichou-se nas redes. Foi a grande festa, o primeiro grande triunfo do Benfica numa competição internacional, numa final que durou um total de 266 minutos, quatro horas e 26 minutos. A final mais longa do futebol português.
Na finalíssima, o Benfica entrou em campo com: Bastos; Jacinto e Fernandes; Moreira, Félix e José da Costa; Corona, Arsénio, Julinho, Rogério e Rosário. 
 in Livro oficial do 100º aniversário do Sport Lisboa e Benfica


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Fonte das imagens: Facebook oficial do Sport Lisboa e Benfica; Diário de Lisboa Online, disponibilizado pela Fundação Mário Soares,

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O futuro condicionado pelo passado

Tem sido difícil para mim esta última semana de benfiquismo. Apesar de ter-me preparado mentalmente para o pior, tenho sempre uma fé de que as coisas corram bem. Mas, a Lei de Murphy insiste em concretizar-se.

Neste blogue, fomos paulatinamente ao longo da época - aliás, desde a pré-época - apontando os erros e a má estratégia conduzida por Luís Filipe Vieira; ele próprio assumiu isso, naquele seu jeito atabalhoado - claramente alguém, observador(es) da internet benfiquista e seu(s) colaborador(es), recolheram aqui e ali, por essa Net fora, os motivos da insatisfação encarnada, juntou isso tudo, e fez-se a entrevista.

De facto, a sua entrevista mostra-me um líder que não lidera, e dá a entender sinais preocupantes, de que não existe uma estrutura sólida na gerência do futebol. Mais uma vez questionamos quais as competências de Rui Costa, que NUNCA foi referido na entrevista; mais uma vez questionamos como é possível um treinador fazer o que quer e lhe apetece com contratações; mais uma vez questionamos como é possível um presidente assumir que se andou a festejar o ano todo e que houve falta de exigência - o que mostra que ele próprio falhou, esta temporada. Uma paródia, como LFV falou do seu Alverca (conhecem como acabou?).

Mostro-me muito preocupado com sucessivas notícias - eu sei que os jornais gostam de inventar - que dão conta de revoluções no plantel, à boa moda damasiana, que se irá concretizar a pedido de Jesus - como disse António Salvador, com o Jesus, «tem de se fazer um plantel todos os anos para ele». Um estilo de liderança que cansa os jogadores. E tendo em conta os jogadores que Jesus contratou nestes 2 anos, tenho medo.

Aguardamos porém pelo que a pré-época vai dar. Mas conhecendo o modus operandi...

P.S. Um excelente artigo está aqui. João Manha certeiro na análise: um treinador deve apenas treinar a equipa, e Jesus é competente para tal desiderato.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Cosme Damião está triste

Cosme Damião está triste pelo que aconteceu ontem na Luz. Está triste por ver no clube pessoas que destroçaram os valores mais tradicionais do benfiquismo. Está triste porque jogadores que permitem uma derrota como a de ontem nada merecem ganhar. Está triste por ver um treinador que já mostrou competência sujeitar o Benfica a algumas das mais duras humilhações da história. Está triste por ver o Estádio da Luz meio despido em jogos de grande importância. E a tristeza tranforma-se em depressão quando se apercebe que o Benfica que idealizou é uma sombra cada vez mais ténue.

Cosme Damião está triste por ver o clube ser liderado por uma pessoa que altera datas de eleições para ganhar sem oposição. Está triste, completamente desolado, por ver que o presidente manipula a massa anónima de adeptos, que cria uma máquina de propaganda como a televisão do clube, apenas para esconder a mediocridade e promover o elogio fácil. Está triste por ver que no Benfica se ridiculariza e maltrata todas as pessoas que querem discutir os problemas do clube em democracia.

Cosme Damião está triste por ver no Benfica uma direcção que se esconde na altura das derrotas e se passeia alegremente, debaixo dos holofotes, na altura das vitórias. Está triste por ver uma direcção negociar e ser parceira de negócios daqueles que querem destruir e fazer mal ao clube. Está triste por ver que na actual equipa directiva ninguém tem a humildade e a capacidade para lutar de forma inteligente para que o Benfica volte a ser o melhor clube português. Está triste por ver a direcção culpar árbitros e a sorte pelos maus resultados, esquecendo-se de olhar para a própria competência.

Cosme Damião está triste por ver um treinador apelidado de "mestre da táctica" ser vencido várias vezes e de forma categórica por um "aprendiz" da profissão. Está desolado por ver o clube ter um treinador que troca a humildade pela soberba na hora das vitórias. Está triste por ver a equipa ser liderada por um técnico que perde a cabeça e tenta agredir jogadores adversários. Está triste por ver que o treinador do Benfica dá pouca importância à motivação e à mentalidade vencedora de sócios e atletas e abdica de vencer jogos do campeonato quando este já está perdido. Está triste por ver um treinador do clube ter-se sujeitado a ver o maior rival ser campeão no nosso estádio, na nossa catedral.

Cosme Damião está triste por ver o Benfica pejado de estrangeiros que pouco sentem o clube. Está triste por ver que a mensagem com os valores e tradições do benfiquismo não é passada a quem chega de novo. Está desolado por ver apenas alguns jogadores lavados em lágrimas após as derrotas mais difíceis. Está triste por ver jogadores importantes a querer sair todos os verões. Está triste por não ver a equipa lutar com a raça e o brio que sempre incutiu no clube.

Cosme Damião está triste por ver que a alma benfiquista se apagou. Está desolado por ver que no Benfica há mais clientes que sócios que sentem o clube. Está triste por ver que a exigência e a mentalidade dos benfiquistas já não é a mesma. Está triste por ver derrotas serem minimizadas e consideradas normais. Está triste por ver que a mística se passou para outro lado. Está triste por saber que o Benfica já não é Benfica. Está triste por reconhecer que a mudança demorará décadas. No fundo, está triste por saber que o Benfica já não é, nem o mais forte, nem o melhor clube português.

Sportinguização do Benfica?

As palavras custam muito a sair depois de mais um vexame... o melhor a fazer é destacar o que os outros conseguem escrever depois de uma noite destas. De um benfiquista de muitas provas dadas, segue o seguinte texto, que também podem ler aqui: http://em-defesa-do-benfica.blogspot.com/2011/04/sportinguizacao-do-benfica.html

A Sportinguização do Benfica


OPINIÃO
A sportinguização caracteriza-se por três fases de declínio daquele que já foi o “Segundo Maior Clube Português”, o Sporting CP. Por que chegou ao estado actual o clube fundado por José de Alvalade, em 8 de Maio de 1906?

1.ª Fase - Ganhar Cada Vez Menos. Por incapacidade dos dirigentes, a viver à sombra do passado, mais preocupados em servir-se do Clube que em servi-lo, os objectivos eram mais gerir o “amiguismo” dentro do clube que potenciar os êxitos. Preocupações com os títulos a minguar? Quase nenhumas!; Bahhhhhhhhhhhh

2.ª Fase - Arrogância. Por absurdo, em vez de implementarem os procedimentos, necessários e suficientes, para regressarem às vitórias e conquistas, consideravam que“perder e continuar a acompanhar os jogos e dia-a-dia do Sporting CP era uma forma de mostrar a sua superioridade! Nada ganhar e ser sportinguista era mostrar a grandeza do clube”; E os adeptos? Foram esvaindo-se. Grandes? Pode ser! Mas, cada vez menos! Bahhhhhhhhhhhh

3.ª Fase – Subserviência. Incapaz de sustentar o declínio desportivo, o esvair associativo, as consequentes dificuldades económicas e a perda de importância sociopolítica, os dirigentes do Sporting CP só encontraram uma solução para estancar a degradação, ainda que passassem a viver em agonia. Um pacto de subserviência com o FC Porto para assegurar a sobrevivência.

Compare-se o que se tem passado com o Sporting CP com a actualidade do nosso querido Benfica!

A Benfica TV não é um veículo de transmissão dos valores, tradições e grandeza do “Glorioso”. Começou bem, mesmo com o futebol a perder, em 2008/09, mas rapidamente descambou para o elogio fácil e a bajulice. Serve para esconder a mediocridade. Tornou-se no ópio dos benfiquistas.

Alberto Miguéns

segunda-feira, 14 de março de 2011

A prova dos nove

O Benfica empatou com o Portimonense (de Carlos Azenha!) em casa a um golo, e ficou mais distante do título. Para mim que via o título como impossível desde a segunda jornada, não é isto motivo de choque. Este jogo deu essencialmente para tirar conclusões sobre muitos dos jogadores que temos no plantel e que não são primeiras escolhas de Jesus. Sobre todos eles (excepto Carole), já tinha várias noções sobre o seu real valor. Por muito que alguns só fossem jogando aqui e ali 10 minutos, deu sempre para ver qualquer coisa. Quanto mais não fosse que não tinham mostrado tudo o que podiam mostrar.

Foi portanto um jogo bom para fazer a prova dos nove aos restantes jogadores do plantel, menos utilizados. Aqui fica a minha apreciação individual a todos eles:

Moreira – É um guarda-redes hoje em dia fraco. Não comprometeu e praticamente não teve trabalho… mas deste já vi muitos jogos, sei o que vale. E é pouco.

Carole – Estava muito curioso por vê-lo em acção, sobretudo porque as referências dele em França eram boas. E em França, país cuja formação tem uma reputação a defender, não é qualquer um que chega aos sub-21. É evidente que precisa ainda de muito trabalho defensivo, posicionalmente andou um pouco perdido, mas estou muito confiante. Este faz-se! Confiante com a bola nos pés e a sair para o ataque, rápido, bom toque de bola… parece ser jogador de equipa grande, e tem qualidade. Gostei mesmo.

Roderick Miranda – Nunca entendi a promoção que o Benfica fez deste seu “talento” do Caixa Futebol Campus. Jorge Jesus costuma dizer que no futebol há muita coisa que não é explicável por palavras, mas que é fundamental para vingar. Pois bem, essas coisas são claramente o que impedem (e impedirão) Roderick de chegar a um nível compatível com a exigência do Benfica. Não se impõe em campo, é muito mole e lento, pavoneia-se até excessivamente. Não comento o lance em que faz penalty, porque isso é inexperiência pura. Critico o resto. Que já se foi vendo em outros jogos, até mesmo nos juniores. Como é possível Jesus ter-lhe dado hipótese e ter deixado ir embora Miguel Vitor, esse sim com condições para ser um “centralão”. Há coisas que não entendo, francamente. Sou um adepto da formação, mas nunca tive grandes expectativas para o Roderick… hoje foi apenas o confirmar de tudo quanto já tinha recolhido mentalmente sobre ele.

Jardel – Duro de rins e lento, parece ser o protótipo de defesa central para equipas de pequena e média dimensão. Fortíssimo em bloco baixo, com um físico e um tempo de entrada à bola verdadeiramente bom, é do piorio com a equipa a jogar em bloco alto. Nem as compensações aos colegas sabe fazer, lê mal o jogo, tem enormes dificuldades em acompanhar avançados que lhe surjam pela frente lançados. Mais um erro de casting…

Luís Filipe – Deste, tal como de Moreira, não há muito a dizer. Acaba contrato este ano e deve ir à sua vida.

Airton – Gostei, jogo complicado para ele tanta a falta de talento que o acompanhou sobretudo no sector defensivo, mas no que dependeu dele foi um bom jogo. Confortável com a bola nos pés (apesar de ter falhado vários passes longos), mostra ainda para mais ter a dimensão como jogador que uma equipa grande pede. Foi o esteio de um Flamengo campeão brasileiro, e isso não é para todos. Qualidade !

César Peixoto – É um jogador cujo papel sempre tenho defendido no seio do plantel. Não é jogador para jogar nas faixas laterais, muito menos contra equipas pequenas onde se pede aos jogadores das faixas que sejam rápidos e que façam muitas “piscinas” ao longo dos 90 minutos. Mas no miolo, sobretudo em jogos onde se peça capacidade de circulação de bola e muita cultura táctica, é um jogador importante. Neste jogo actuou nas faixas, e conseguiu uma sólida exibição inclusivamente no apoio ao ataque. Claro que se para o ano puder ficar um Miguel Rosa em vez do Peixoto, é uma solução que não enjeito. Mas se não for esse caso, então é claramente para manter… não vale a pena ir dar tiros no escuro para o mercado de transferências, o Peixoto serve para os jogos em que será necessário.

Felipe Menezes – É um insulto aos adeptos e a alguns bons centrocampistas formados no Benfica, como David Simão, Miguel Rosa ou Ruben Pinto. Fraco tecnicamente, sem a perspicácia e inteligência característicos de um número 10, e finalmente sem qualquer velocidade. É o jogador mais ridículo de todo o plantel, e um dos piores que já vi com o manto sagrado. Como se aguenta dois anos no Benfica é que é mistério. O Jesus não tem olhos na cara para os brasucas?

Franco Jara – Voltou a confirmar tudo o que tem mostrado. É tão craque que dói, e mesmo não tendo feito um grande jogo é hoje em dia o avançado do plantel em melhor forma. Juntamente com Aimar (de que não falo neste post, por ser obviamente um talento de classe mundial, indiscutível) foram as duas melhores peças do Benfica na 1ª parte.

Alan Kardec – Gostava muito que desse certo. Gostava mesmo muito. Alto, muito rápido e muito ágil, bom jogo de cabeça. Não é grande coisa com os pés, e vai desenrascando no uso do corpo para guardar a posse de bola. Mas… a forma como encara o jogo é incrível. Não consegue ler as jogadas para se posicionar da melhor forma, anda o jogo todo à procura da bola mesmo que o Benfica passe o jogo nas imediações da baliza adversária. Vai ao primeiro poste quando um jogador se prepara para fazer um cruzamento largo ao 2º poste, vai ao 2º poste quando a jogada nunca na vida indicia que possa haver cruzamento para lá do 1º poste… inacreditável. Já o vinha notando há vários jogos, mas hoje foi demais… foram os 90 minutos mais ridículos que vi a um avançado na Luz. Podem falar-me de confiança, mas a confiança nota-se noutras coisas.. um passe que não sai bem, a finta que não resulta, o remate que sai enrolado. Não é na leitura de jogo e no posicionamento. A dispensa parece-me certa.

Ainda alinharam Nuno Gomes, Gaitan e Salvio, mas sobre esses não há muito a dizer. O Nuno Gomes já não é para estas andanças, mas dá que pensar ser usado primeiro o Kardec que ele. Gaitan e Salvio são valores seguros.

Ora posto isto, e olhando para o plantel, o que vejo de aceitável é:

GR: Roberto e Júlio César
Defesa esquerdo: Coentrão e Carole
Defesa Direito: Maxi Pereira
Defesas centrais: Luisão e Sidnei
Médios defensivos: Javi Garcia e Airton
Médios centro: Ruben Amorim e César Peixoto
Ala esquerdo: Gaitan
Ala direito: Salvio
Número 10: Aimar e Martins
Avançados: Saviola e Jara
Ponta de Lança: Cardozo

É portanto evidente que em termos de qualidade, o plantel é muito curto. Não dá, como sempre defendi que não dava, para todas as competições. É apostar nas taças, porque o resto já lá vai. Saindo previsivelmente Coentrão no Verão, será preciso encontrar um lateral pronto para ser titular. Carole tem valor, mas precisa de crescer.

Precisamos de centrais… temos Miguel Vitor, que para mim seria já titular ao lado de Luisão. E temos de aproveitar outro. Para 4º central, dando algum benefício da dúvida, manteria o Jardel.

Na direita, espero que se confirme a renovação de Maxi e a vinda de Wass. Do que já vi de Wass, pode ser uma boa alternativa, também para ir crescendo mas já sem envergonhar no curto prazo. Nas alas precisamos claramente de jogadores. Salvio é para manter nem que custe 15M€ (escusam de gastar esse dinheiro às mijinhas em Menezes, Shaffer, Fernandez, Kardec, Éder Luís, Jardel, etc), recuperando Urreta e contratando Nolito fica fechado. Na frente, precisamos de alternativa a Cardozo… poderá ser já Nelson Oliveira? E ainda há David Simão e/ou Miguel Rosa, que podiam complementar Ruben Amorim como médios mais polivalentes para jogarem como interiores por exemplo.

É preciso acima de tudo acabar com as contratações de valor inseguro. Para valores inseguros, temos os jogadores da nossa formação. De resto, só se devem contratar jogadores realmente bons. Estou farto de, ano após ano, ter de ver pela frente jogadores como Kardec, Felipe Menezes, Fábio Faria, Jardel, Balboa, Shaffer, Patric, JL Fernandez, Luís Filipe, Weldon (apesar dos golos do ano passado), Zoro, e poderia continuar a noite toda a enumerar os fracassos desta gestão desportiva, que superam em número claramente o número de jogadores que são contratados e que realmente rendem. Jesus não está isento de responsabilidades, a escolher jogadores dá-me arrepios. Já a potenciá-los a história é outra.

Fica desde já o alerta, a próxima época tanto pode dar para facilmente termos um plantel forte e cheio de boas soluções, como pode dar para o pesadelo deste ano. Em que gastámos 50M€ em jogadores (já contando com os 4,2M€ gastos em Janeiro), não tivemos alas decentes até Gaitan e Salvio se adaptarem totalmente (já para Novembro, Dezembro), e em que tirando os onze mais usados e 3 ou 4 outros jogadores, o resto que está no plantel é pouco mais do que lixo sem lugar no Benfica, enquanto há jogadores como Rodrigo, Urreta e Miguel Vitor incompreensivelmente emprestados a clubes sem dimensão.

Espero que este ano sirva de lição. Se é óbvio que nos lixaram no campeonato à grande, não menos óbvio é que temos um plantel com menos soluções que no ano passado, e isto passados 50M€… incompreensível. A prova dos nove a isto que digo foi hoje, e toda a gente pôde ver. Que a lista de dispensas tenha engrossado hoje, e que a sensatez nos traga um Benfica mais forte e com mais opções no próximo ano. Agora vamos atacar as Taças e no campeonato impedir que o Porto saia dele invencível. É o que há a fazer.

segunda-feira, 7 de março de 2011

As prioridades de Jesus



Quando vi a equipa inicial escolhida para a roubalheira - desculpem, jogo - de ontem, fiquei feliz. Feliz na medida em que finalmente Jorge Jesus entendeu definir a grande prioridade do Benfica em relação às provas que disputa: a Liga Europa e as restantes Taças.
Como se viu ontem, o próprio jogo deu razão a Jorge Jesus: o Benfica este ano foi arredado da luta pelo título por ordem directa do presidente da agremiação que assumiu-se há cerca de 3 anos como criminosa; uma equipa que mais uma vez foi maltratada por gente bronca e bruta que se dizem adeptos de clubes de futebol e que na minha opinião está a ser mal defendida pela direcção - por inércia - o Benfica pura e simplesmente devia ter abandonado o campo ao intervalo; é vergonhoso que mais uma vez, nada se vai passar; e que o crime mais uma vez é recompensado. Mesmo assim, mesmo sem Gaitán e Salvio a titulares, fizemos um jogo bem válido, enquanto tivemos onze jogadores em campo contra 14.
Adiante.
Nota 20 para Jorge Jesus nesta temporada: depois de ter visto partir metade do meio campo titular na pré-época, pôs as mãos à obra e construiu uma equipa que no papel pode ser demasiado balanceada para a frente - por isso também, os maus resultados no inicio da época e fora de casa até Dezembro - e na minha opinião, até construiu uma equipa mais equilibrada relativamente à do ano passado; agora claro que é necessário, tendo uma equipa em tantas frentes, escolher as provas em que devem ser direccionadas todas as "energias" dos jogadores. E a escolha era óbvia - Liga Europa, depois daquele amargo de boca no ano transacto; Taça de Portugal - faltam apenas 90 minutos para a final; Taça da Liga - mesmo com uma equipa muito cansada, chegou para eliminar um depauperante Sporting.
Creio que o Benfica tem duas Taças que são obrigatoriamente para ganhar; quanto à Liga Europa, é mais difícil, mas com arte e engenho - como tivemos em Estugarda - e com alguma sorte - sempre necessária - podemos chegar longe. Eu acredito que ter sorte dá trabalho, e que com Jesus trabalhamos muito bem... vamos acreditar.
Gostava muito de ser bi-campeão, Jesus também, mas ele percebeu - se calhar até devia ter seguido esta política um pouco mais cedo - que não ia dar. É o futebol que temos.

Carta à direcção

A/C Direcção do SLB

Bom dia,
Escrevo à direcção do SLB na qualidade de associado do clube, e gostaria de sugerir medidas mais drásticas do clube em relação ao ambiente de verdadeiro terror e de total parcialidade arbitral que grassa no nosso campeonato.

Todos estamos conscientes, e pelas palavras do vice-presidente Rui Gomes da Silva depreendo que a direcção também o está, da importância da Olivedesportos enquanto financiadora do actual status quo do futebol nacional, de financiadora do sistema. Penso que o que os sócios exigem é que de uma vez por todas sejam fechadas as negociações com este grupo de objectivos obscuros e cujo tratamento jornalístico aos jogos do nosso campeonato (não só aos do Benfica) é de uma nojice insustentável. Penso que a direcção podia e devia tomar uma atitude, e julgo que devia apresentar numa próxima assembleia-geral do clube os dados sobre esta questão: mesmo que se fique a perder em milhões, ganhamos em poder de fogo para no futuro podermos derrubar toda esta máfia que está instalada.

Em segundo lugar, penso que estaria na altura de corrigir o erro que foi o apoio oficial a esta direcção da Liga. Retirar o apoio e deixar bem claro que Vitor Pereira não é uma pessoa de bem nesta estrutura. Tem sido demasiado evidente a dualidade de critérios ao longo destas 22 jornadas!

Em relação ao clima de terror nos estádios, não consigo compreender como é que deixamos que os nossos jogadores sejam atingidos por isqueiros e bolas de golfe sem abandonarmos o campo. Num jogo decente, o próprio árbitro devia suspender a partida. Não acontecendo isso cá, devíamos montar um grande escabeche e sairmos enquanto não há danos graves nos nossos jogadores. O campeonato até já estava perdido, seria lançar o caos e tentar à força que o sistema perceba que não vale tudo. De que temos medo, afinal?

Como forma de endurecer ainda mais a posição em relação à Liga, eu penso que antes do fim desta época o SLB devia retirar-se da Taça da Liga 2011/12. Os patrocinadores não vão gostar e a Liga terá de responder por isso.

Agradecia imenso que tivessem em consideração estas sugestões, que estou à vontade para repetir numa próxima assembleia-geral do clube (até podia ser marcada uma para discutir as relações do Benfica com o exterior, os sócios estão muito preocupados!). Façam chegar isto até à direcção do clube por favor.

Obrigado pela atenção, e saudações gloriosas,
João Cunha

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O futebol é lindo

Gostar de futebol, e mais importante ainda, viver um clube, é fantástico. Tal como outros 54990 irmãos benfiquistas estive hoje no Estádio da Luz para um daqueles jogos onde o imprevisto, o drama, a ironia e a euforia se entrecruzam de uma forma só vista no futebol.

A equipa está visivelmente cansada, com tantas e duras batalhas que tem vencido nas últimas semanas. Olho para Coentrão, Gaitan, Salvio ou mesmo Cardozo, e vejo caras de algum sofrimento, de cansaço, de exaustão até. Mas também olho para eles, e vejo aquele olhar que distingue os fracos dos fortes. O olhar confiante e ameaçador, o olhar da superação, do espírito de sacrifício. Vejo isto em toda a equipa, e por isso é tão especial fazer parte de algo como o que vimos hoje à noite no nosso magnífico estádio.

Um jogo inteiro passado no meio campo do Marítimo, em que mesmo a um ritmo baixo podíamos ter aproveitado para golear. Sucederam-se bolas nos postes, defesas impossíveis do guarda-redes do Marítimo, e até um claríssimo penalty por assinalar a nosso favor. E depois, no único canto da partida a seu favor, o Marítimo faz 1-0 e adianta-se no marcador. Para uma equipa normal, tão cansada, ultrapassada pela adversidade e pela injustiça, teria sido o fim ali. As pernas não responderiam, a cabeça perder-se-ia no relvado, a esperança passaria a um mero utópico vocábulo. Mas este Benfica não é assim, e não é assim porque todos nós, jogadores, adeptos e treinadores, somos feitos da mesma fibra - a dos vencedores! Somos herdeiros legítimos da história do clube!

Como um vulcão, os adeptos na bancada e os jogadores redobraram esforços. Os jogadores foram buscar forças onde elas já não existiam, transformaram as câimbras, a desilusão e a urgência em forças, e seguiram para a frente, sem medos. Uma avalanche de ataque, com Saviola, Cardozo, Jara e Kardec em campo, com Martins, Salvio, Maxi e Coentrão logo atrás, com Luisão a juntar-se aos pontas de lança e com Jardel a assegurar apenas a transição com o guarda-redes Roberto. Fomos por ali fora, e nada nos podia parar!

O 1-1 surge logo a seguir ao golo do Marítimo, e com 10 minutos para jogar a Luz agigantou-se para esmagar os adversários, que iam procurando o anti-jogo, as lesões e outras atitudes para fazerem correr o tempo. O árbitro ainda anula inacreditavelmente o 2-1 já em tempo de compensação, e aqui 99,999% das equipas teriam desistido. Mas o Benfica não desistiu, e a sua alma mais grandiosa apareceu para nos dar os três pontos. Só Coentrão poderia ter protagonizado aquele momento, ganhando a segunda bola no coração do Marítimo, e com o pé que estava mais à "mão", o direito, fazer a bola furar as redes e por em delírio os milhões de benfiquistas que temiam um injustíssimo resultado.

A meros 5 segundos do fim. Toda a força e esperança benfiquista num pontapé, toda a raça, coragem e bravura da equipa naquela chuteira, e por fim toda a nação benfiquista vibrando com o golo mais festejado dos últimos anos, mais até que o épico golo de Javi Garcia frente à Naval no ano passado.

Vale a pena gostar de futebol, e vale ainda mais a pena ser benfiquista. Só quem sente sabe o que é, só quem tem esse privilégio sabe o que é abraçar gente que nunca havíamos visto e provavelmente nunca mais veremos "só" porque o nosso clube marcou. O nosso clube que representa tão bem os nossos ideais, a nossa forma de encarar a vida. Só quem sente sabe o que é quase entrar em colapso cardíaco após aquele segundo golo, ficar com as pernas a tremer mais do que no primeiro encontro com a rapariga dos nossos sonhos. De ganhar um sorriso para toda a semana "só" porque aquela bola entrou na baliza. De soltar lágrimas num momento assim. De querer bem a uma infinidade de gente "só" porque, afinal de contas, são também do Benfica.

Porra, amo-te Benfica! Não conseguiria viver sem o Benfica, é claramente o que preenche o meu espaço religioso, e o que talvez mais contribui para a estabilização do meu lado emocional. Na vitória ou na derrota, no futebol ou no lançamento do berlinde.

Viva o Benfica!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Onde está a honra?

Porque é que ninguém do Sporting denuncia o atentado que foi feito à sua honra e dignidade a propósito do confronto com o Benfica?
Não interessa chatear os amigos do FC Porto, é?

Deixem de ser uns ratos de esgoto, recuperem a honra e denunciem!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Inventaram o 6º momento do futebol

Todos sabemos que o futebol tinha até aqui 5 momentos fundamentais durante o jogo, o último dos quais, o quinto, inventado pelo maior ser humano de todos os tempos - Jorge Jesus. O quinto momento são então as bolas paradas defensivas.

Paulo Sérgio não gosta de se ficar, e o seu génio táctico chocou o mundo do futebol com o nascimento do 6º momento do futebol, também relacionado com questões defensivas, mas esticando aos limites o conceito. Nasceu então um novo momento no futebol - a defesa cómica.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Amanhã é dia de se fazer história

Amanhã, dia 24 de Fevereiro de 2011 poderá ser um marco histórico na vida do Benfica.
Temos um historial bonito de vitórias em todos os países do mundo, infelizmente, há uma que se assume como a nossa mala-pata.
Alemanha.
Amanhã jogar-se-à a 20ª partida em solo germânico, quase 50 anos depois do jogo contra o Nuremberga em 1962.
Nunca conseguimos ganhar, e apesar de isso não nos impedir de passar muitas das eliminatórias em questão, amanhã será uma excelente oportunidade de terminar com esta maldição alemã.
Ganhemos a eliminatória e continuemos a alimentar este sonho que é a Liga Europa.
O Estugarda é o adversário.
Mais do que nunca, tudo nos é favorável para chegarmos longe.
Raça
Querer
Ambição
São estes os ingredientes para amanhã.


F o r ç a   C a m p e ã o !

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Esmagador!

Raça. Querer. Ambição.
Contra 12.
Enorme vitória, da melhor equipa a jogar futebol em Portugal.
E vão 16 triunfos consecutivos.
Próxima paragem: Estugarda.
Viva o Benfica!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Equipamento alternativo Benfica 2011 2012

Mockup do equipamento alternativo do Sport Lisboa e Benfica para a época 2011-2012

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Kleber e o Benfica

Não me convence a tese de que o Benfica está a intrometer-se na corrida para contratar o jogador Kleber, que o Atlético Mineiro emprestou ao Marítimo, e que tem feito correr muita tinta no sempre turvo futebol nacional. Em primeiro lugar, porque olhando ao plantel do Benfica não faz sentido contratar mais avançados, ainda para mais jogadores que tendo ou não muito potencial, ainda não provaram nada. O Benfica tem Cardozo, Saviola, Jara, Kardec, Nelson Oliveira e Rodrigo, já contando que no final da época tanto Nuno Gomes como Weldon devem sair. Portanto, tendo 6 avançados de qualidade sob contrato, seria aberrante avançar para mais outro!

Tenho acompanhado no entanto com perplexidade os mais diversos desenvolvimentos desta história toda. Começa com um Verão especialmente conturbado, com o Porto a pressionar o Marítimo e o jogador para que o Marítimo não accionasse a sua opção de compra e forçando o Atlético Mineiro a vendê-lo no imediato aos azuis e brancos. O caso fez correr muita tinta, até porque determinadas formas de pressão são puníveis pelos regulamentos, quer nacionais quer internacionais. Claro que dificilmente será à luz dos regulamentos nacionais que o bastião da corrupção no futebol será punido.

Entretanto os desenvolvimentos tornaram-se muito mais engraçados no final de 2010, e continuam a prometer agora em 2011. O Porto falhou claramente na alternativa que arranjou a Kleber - o também brasileiro Walter, que entre problemas disciplinares e uma aparente inadaptação se vai mantendo à margem das opções do Picareta Falante que treina os azuis. E parece hoje claro que o Porto terá já convencido o jogador a mudar-se para a cidade invicta, usando isso para fazer ver ao Marítimo que talvez seja melhor desistir deste assunto.

Mas alguma inabilidade, ou direi antes falta de vergonha, acabaram por fazer saltar a tampa a Carlos Pereira, presidente do Marítimo e que avança para uma cruzada pouco vista no futebol nacional com o apoio inequívoco mas escondido de Alberto João Jardim, o presidente do Governo Regional da Madeira, que é por sua vez um dos accionistas da SAD maritimista.

O Sporting ajudou, penso que de forma totalmente involuntária, a por a nu mais um pormenor sórdido deste caso. Vendendo Liedson já a queimar o fecho da janela de transferências, endereçou ao Atlético Mineiro uma proposta para comprar Kleber, dela avisando o Marítimo, que apesar de não deter o passe é uma óbvia parte interessada - afinal de contas, o jogador está ao serviço dos insulares! Ora aqui entra uma das grandes polémicas desta história!

O presidente do Atlético Mineiro veio a terreiro dizer que a proposta do Sporting era ridícula quando comparada com a do Porto, e que por isso a tinha recusado. Ora o Marítimo divulgou os documentos com as propostas dos dois clubes, e feitas as contas à taxa de câmbio em vigor na altura de cada uma das propostas, o cenário é o seguinte:
  • Proposta do Porto feita em 24 de Junho de 2010, no valor de 2.300.000€, ou seja 5,05 milhões de reais brasileiros
  • Proposta do Sporting feita em 30 de Janeiro de 2011, no valor de 2.530.000€, ou seja cerca de 5,8 milhões de reais brasileiros.
Tanto num caso como no outro, a forma e prazos de pagamento são semelhantes, e referem-se também à mesma percentagem do passe (50%). Ora se em Euros já é fácil de constatar que a proposta do Sporting nunca poderia pelo menos ser considerada ridícula (porque mais alta no país de onde é originária), fazendo a conta aos câmbios (1EUR = 2,19 reais a 24 de Junho de 2010, e 1EUR=2,29 reais a 30 de Janeiro de 2011) a diferença é ainda maior... quase 800 mil reais de diferença, com vantagem para o Sporting! Proposta ridícula quando comparada com a do Porto? Como disse e bem Carlos Pereira, só se houver vantagens não declaradas a passar por baixo da mesa para que o presidente do Atlético Mineiro possa dizer uma coisa destas.

Outra delícia da história é o facto do Marítimo ter opção de compra definida no contrato de empréstimo, e a mesma não ser atendida pelo Atlético Mineiro, numa claríssima e grave infracção legal.

Onde entra então o Benfica neste imbróglio, se parece certo que o Benfica não está interessado no jogador?
A mim parece-me óbvio. O Benfica procura desta forma incomodar o seu maior rival aproveitando um caso que de facto os pode encostar à parede, pois as infracções são de várias ordens e de vários clubes. O Porto actuou à margem dos regulamentos no Verão, embora a comissão disciplinar desta isentíssima Liga de Clubes tenha feito orelhas moucas a tais situações. O presidente do Atlético Mineiro está sempre nervoso quando fala do jogador, e já chegou ao ponto de se espalhar publicamente e com estrondo como já comprovei atrás.

A reunião entre Paulo Gonçalves e o advogado do Marítimo, com ou sem a presença da directora executiva da Liga, não serviu só para preparar o regime de contratação colectiva no futebol, como é evidente. Este tipo de trabalho regular para a Liga de Clubes vai sendo desenvolvido no dia-a-dia com o auxílio de outros meios, e embora possa ter havido a necessidade de uma reunião presencial, existe outra coisa não explicada... o que fazia o presidente do Marítimo nesse mesmo hotel, não estando a equipa em Lisboa e não sendo ele parte da construção regulamentar que estava a ser levada a cabo?

Como se sabe, há um ano o Porto prometeu ao Governo Regional da Madeira que ia promover um amigável cujas receitas revertiam a favor das vítimas do temporal que assolou a ilha. Um ano depois, nem projecto de tal jogo, o que tem deixado Alberto João Jardim bastante "contente" com a atitude. Por outro lado, Luís Filipe Vieira é amigo pessoal e parceiro de negócios do presidente do Atlético Mineiro, que tem sido um dos vilões da história. Já chegaram lá?

Muito se tem falado de há meses para cá da cedência do Benfica ao Marítimo de um ou mais jogadores por empréstimo. Um eventual desbloqueio desta situação, que tivesse como bónus deixar a ferver a SAD do Porto, poderia bem aproximar o Marítimo ao ponto a que o Benfica deseja. Não só para colocar jogadores, como para começar a criar uma plataforma de clubes "fiéis" ao Benfica e que se interessem por alterar o status-quo vigente na Liga. Até porque, segundo os mentideros, já nem sequer Domingos Soares de Oliveira vai à bola com Fernando Gomes, ele que foi o principal impulsionador do apoio benfiquista a esta direcção da Liga.

A famosa fonte que comunicou a um comentador da RTPN a tal reunião entre os elementos benfiquista e maritimista no Altis, saberá certamente os propósitos da informação que cedeu. Terão o Benfica e o Marítimo sido apanhados em flagrante, ou terá sido uma espécie de very-light lançado em alto mar para que uma parte interessada se enerve com a tempestade?

Para onde irá Kleber no Verão?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Classe


Foi mais uma exibição categórica que o Benfica presenteou os 54927 espectadores que se deslocaram à Luz, num final de tarde típico de Inverno.
O Benfica entrou muito forte na partida, e desde o início mostrou que queria resolver cedo o jogo. Luisão, o aniversariante do dia, num cabeceamento ao 4 minutos foi o primeiro a dar o mote; depois de uma oportunidade contra a corrente do jogo por parte do Guimarães - que surpreendeu, alinhando num 4-3-3 nada habitual - por Edgar no minuto seguinte, o Benfica dominou completamente, chegando a ter 79% de posse de bola mas houve displicência e
aselhice na finalização. Finalmente, aos 22 minutos, seria a bola parada a fazer a diferença no marcador: Sidnei no buraco da agulha faz o inevitável 1-0, a partir de um pontapé de canto. Depois, um livre que fez lembrar o 3º golo de João Pinto nos 3-6 de Alvalade pela forma como foi marcado; Cardozo passa para Salvio que remata ao poste de Nilson. Seguiram-se mais oportunidades que Nilson ia salvando, com destaque para um remate a trave de Gaitán.
Em suma, era lisonjeadora a derrota pela margem mínima do Guimarães que se verificou ao intervalo.
Mas logo no início da segunda parte, fez-se justiça no marcador, numa excelente passe de Sidnei para Aimar a rasgar a defesa vimaranense, que com enorme classe na recepção da bola e no remate, fez o 2-0.
Depois o Benfica naturalmente passou a ter uma postura mais «gestora» da partida, quanto mais não seja para abrandar o elevado ritmo da primeira parte.
Foi quando entrou João Ferreira em campo, com um golo anulado perfeitamente legal - não há mão de Saviola - e um penalty inexistente a favor do Benfica, num mergulho do argentino. Cardozo teve a «bondade» de o falhar, numa exibição cinzenta do paraguaio, mesmo assim importante nas tabelinhas que fez no primeiro tempo. Houve tempo ainda para a única grande oportunidade do Guimarães, e claro, Roberto a fazer uma grande defesa. Foi a um remate de Edgar.
Mas o jogo não terminaria com a demonstração de que Carlos Martins é um enorme jogador, num brilhante chapéu que fechou com chave de ouro uma grande exibição do Benfica. Faço votos para que este futebol continue, pois traz adeptos aos estádios de Portugal e esperança - reduzida, é certo, na conquista do campeonato; mas acima de tudo, nas outras três competições em que o Benfica está presente.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sublime

Não podia deixar de reservar umas palavrinhas sobre a vitória de ontem.
O jogo assumia-se como de elevado grau de dificuldade, Jorge Jesus e AVB sabiam disso.
Se Jorge Jesus após as 3 derrotas nas primeiras 4 jornadas sabe que pouco tem a perder neste campeonato, já o treinador adversário sabe que tem tudo a perder.
A suposta época de sonho em que poderiam ganhar tudo, começa a dar sinais de poder vir a ser uma desilusão de todo o tamanho.
Benfica e Porto sabiam no início desta temporada que lutariam por 5 frentes.

Supertaça, Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga Europa.
A Supertaça já tem dono, infelizmente perdemo-la para o clube corrupto, mas ainda estamos nas outras 4 frentes.
E se numa delas a missão é espinhosa, nas outras, tudo é possível, sobretudo na Taça de Portugal e Taça da Liga que somos os grandes favoritos a vence-las.

Mas, aquilo que verdadeiramente me deixa feliz foi a resposta dada por Jorge Jesus.
E foi sublime no jogo de ontem.
O Porto acabou de dizer adeus à Taça da Liga, colocou pé e meio fora da Taça de Portugal, tem como adversário o Sevilha na Liga Europa e de repente, vê-se como única hipótese de salvar a temporada o campeonato.

E se Jorge Jesus tantas vezes reclamou que queria ver como seria o Porto debaixo de pressão, aqui está ela, posta nos ombros de AVB pelas próprias mãos do nosso treinador.

O que Jorge Jesus tinha a fazer está feito.
A partir de agora, resta sermos competentes nas competições onde ainda estamos inseridos, sobretudo Taça de Portugal que nos garante a Supertaça da próxima época, e esperar que o Porto lide mal com esta dose inesperada de pressão.

Nunca desistas Benfica, esta época ainda será uma das mais brilhantes da nossa história.
Eu acredito, Nós acreditamos!
Força Campeão!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Benfica: uma nova política desportiva

 
Fechado o mercado em Janeiro volto a um assunto que aflorei no meu primeiro post no blog, desta vez com novos elementos para analisar. De repente, e sem qualquer aviso prévio, o Benfica parece ter decidido mudar a sua estratégia de actuação no mercado de jogadores. Depois de nos últimos anos, as baterias terem estado apontadas maioritariamente para a América do Sul e para o país vizinho, com a aposta a recair em jogadores já valorizados no seu campeonato de origem, os encarnados parecem agora ter escolhido um modus operandi diferente: apostar em jovens jogadores - sem olhar a nacionalidades - com potencial e a baixo custo, não deixando de os contratar tendo em conta as prioridades mais imediatas da equipa. 

Não tendo sido explicada, não se sabe a que se deve exactamente esta viragem na política desportiva do clube. Do meu ponto de vista, a mudança é necessária, já que o continuar com o despesismo que tem sido o mercado benfiquista nos últimos anos é de todo impensável. Seria bom sinal se esta decisão de cortar com o passado recente fosse o resultado de uma análise estrutural cuidada do que é o Benfica de hoje, assente em premissas muito claras daquilo que se quer para o futuro: maior equilíbrio nas contas pondo travão ao endividamento da SAD - alinhando ao lado da UEFA em eventuais novas regras de fair play financeiro - e intenção de manter o clube numa linha crescente de sucesso desportivo - necessário para garantir receitas e obrigatório tendo em conta o passado glorioso da instituição.

Dentro desta nova estratégia, com a qual o Benfica animou um mês de janeiro que se previa de calmaria relativa, já chegaram ao clube Fernández (23 anos), Jardel (23 anos) e Carole (19 anos), e estão para chegar Daniel Wass (21 anos), Nuno Coelho (23 anos), Nolito (24 anos), Rodrigo Mora (23 anos) e Nemanja Matic (22 anos). Apesar de me parecer uma política com contornos positivos (pelo menos numa perspectiva de controlo de gastos) não posso deixar de notar um dos pontos críticos da sua adopção: para o sucesso de tal estratégia um recrutamento cuidado de jogadores é essencial, sendo que aqui o gabinete de prospecção terá um papel fundamental na indicação de atletas. Como o passado recente do clube indica, comprar bem e barato nunca é fácil pelo que será importante contratar pouco e apenas quando se tem certeza absoluta acerca do valor do jogador. O rigor deve ser a palavra de ordem, e neste ponto  devo dizer  que não me parece que tenhamos começado com o pé direito.

Ainda nesta perspectiva, tenho para mim que o Benfica devia pautar a sua actuação no mercado estabelecendo uma hierarquia de dentro para fora dando preferência a (1) jogadores da formação e emprestados, (2) mercado nacional, (3) mercado internacional. Definido o perfil (que pode servir como factor eliminatório de um ou mais mercados) e o sector da peça a contratar, a busca pelo jogador indicado começaria sempre nos jogadores oriundos da formação, dando de seguida preferência ao mercado nacional e só depois a jogadores a actuar no estrangeiro. Defendo, então, uma política desportiva integrada que contemple estas 3 formas de adquirir jogadores. A consequência natural de uma estratégia de compromisso que contemple estas vertentes é, para mim, bem clara: maior sucesso, tanto a nível desportivo, como financeiro. A título de exemplo, e digo já que esta opinião é meramente especulativa porque não conheço o valor do jovem francês que espero que se torne num grande jogador, não entendo como se avança para a contratação de um lateral esquerdo com o perfil do Carole quando se tem nos quadros um jogador como o Mário Rui. Reparem: são ambos laterais esquerdos, são ambos da mesma geração (1991), são ambos internacionais sub19 pelas respectivas selecções e têm actuado ambos em equipas do segundo escalão dos respectivos páises (curiosamente ambos participaram em 13 jogos para o campeonato) . Terá o Carole um potencial assim tão superior ao Mário Rui? Espero que sim. O que salta à vista é que, mais uma vez, a primazia foi dada a um jovem estrangeiro quando se tinha um jovem de perfil semelhante proveniente das camadas jovens.

Analisando ainda outras situações pendentes no plantel benfiquista, dentro deste modelo e esquecendo os jogadores já anunciados, consideraria sensatas e equilibradas decisões do tipo: apostar em Sidnei ou Miguel Vítor para substituir directamente David Luiz, sem necessidade imediata de ir ao mercado e cabendo aos dois lutar por um lugar ao lado de Luisão. Fábio Faria e/ou Roderick completariam o lote; apostar forte no mercado internacional para substituir Fábio Coentrão, como parece que está a ser feito. Taiwo é a hipótese mais falada; investir no mercado nacional para encontrar uma alternativa a Maxi Pereira, tendo Sílvio como alvo; manter César Peixoto como alternativa principal ao lateral esquerdo, ficando Mário Rui no plantel a ser preparado para assumir esse papel no final da próxima época; garantir, dentro daquilo que for razoável, a continuidade de Salvio fazendo regressar Urreta como seu substituto directo; investir forte no mercado internacional para colmatar uma eventual saída de Cardozo, apostando num jogador de perfil semelhante; ocupar o lugar de Felipe Menezes no plantel com Miguel Rosa ou David Simão; fazer regressar Nélson Oliveira ou Rodrigo como 5ª ou 6ª opção no ataque, substituindo directamente o capitão Nuno Gomes.

Apesar dos meus desejos (que pouco importam), não parece ter sido este o caminho que o Benfica decidiu trilhar. O segredo para o sucesso estará sempre no rigor e na exigência com que se fizer o recrutamento de jogadores. Se a escolha for rigorosa, o sucesso será provável, caso contrário continuaremos na onda dos infindáveis jogadores com ligação contratual ao clube, emprestados por esse mundo fora. O futuro dirá se o caminho escolhido é, ou não, o mais correcto. Estamos todos a torcer para que a resposta seja positiva.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Audácia Jesus!


Sejamos competentes nesta eliminatória que se avizinha contra o Porto para a Taça de Portugal.
Esperemos que o Sevilha se aplique da mesma forma.
E agora digam-me, com que bagagem o senhor Vilas Boas enfrentará a pressão de já só ter o campeonato para ganhar?

Na minha perspectiva, estes dois jogos contra o Porto, serão os mais importantes da época, dado o rumo que podem dar a toda uma temporada!
A pressão que o nosso treinador tantas vezes quis colocar no treinador adversário, está agora nas mãos dele a possibilidade de a activar.
A ele peço coragem e audácia, além de desejar boa sorte para quarta!
Pode estar aqui o caminho para muito mais que uma temporada fracassada!

Força Benfica, nada está perdido!