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domingo, 5 de Janeiro de 2014

Benfica até no céu. Morreu Eusébio.


Dei por mim a choramingar hoje ao acordar. Sem ter visto ou vivido aquilo que foi durante os seus tempos áureos, fica a consolação de ter tido a oportunidade de sentir o peso da lenda. A lenda que foi e sempre será Eusébio da Silva Ferreira. Sabemos que perdemos alguém verdadeiramente especial e singular quando não há uma figura em Portugal e no futebol mundial que não queira deixar uma palavra de despedida ao Rei. O homem partiu, mas é certo que a sua memória ficará para sempre. 

Obrigado e até sempre, Eusébio. Benfica até no céu!

terça-feira, 5 de Novembro de 2013

Olympiakos v Benfica: a redenção de Messias e uma questão de filosofia

FOTO:ULTRAS.GR

Quando um desmoralizado Messias salvou a filosofia de Hagan por um dia. Não perca, esta terça-feira às 19:45, o Olympiakos v Benfica da quarta jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões.

Talvez seja apenas a mente humana a criar paralelismos onde eles não existem; paralelismos daqueles que nos forçam a criar ligações entre tempos separados por décadas, mas é difícil olhar para o Benfica do início de temporada de 1973 e não ver um pouco do Benfica de 2013. Claro que eram outros tempos; desde logo, tempos em que o Benfica era não só campeão mas tri-campeão, e também tempos onde comparar uma personalidade do futebol a um soldado não ofendia a honra nacional (até porque Jimmy Hagan serviu mesmo no exército inglês durante a II Grande Guerra). Mas dizia eu que o Benfica de 2013 tinha um pouco do Benfica de 1973, mais que não seja porque ambos os conjuntos demoravam a revelar a capacidade demonstrada na temporada imediatamente anterior, ou porque os resultados não eram os esperados, ou porque o treinador era fortemente contestado, ou porque um jogador mais «mal-amado» era assobiado em pleno jogo.

Foi nestas circunstâncias (nada fáceis, diga-se) que o Benfica se preparou para receber o campeão grego Olympiakos na primeira ronda da Taça dos Campeões. O começo da época benfiquista não estava a correr da melhor maneira (derrota com o Boavista e vitória frente ao Leixões nos ensaios gerais para a europa), mas não obstante o periclitante início a expectativa entre os adeptos encarnados era a de uma noite de gala frente aos gregos. Pois se tantas vezes antes tinha acontecido maus ensaios resultarem em noites europeias galopantes, porque razão haveria de ser diferente desta vez? Um desconfiado Malta da Silva falava mesmo «em fazer todos os possíveis para obter uns cinco ou seis golos de vantagem», mas um desejo não passa disso mesmo e os gregos também vinham à Luz jogar à bola.

Apesar do jogo ter sido bastante aziago para Malta da Silva – para além da sua expectativa se ter gorado ainda se aleijou tendo de ser substituído -, a supremacia técnica dos jogadores benfiquistas nunca esteve em causa apesar de vários calafrios causados pelos gregos. A estratégia benfiquista de bombear bolas para  cima da baliza grega («pelo ar, pelo ar» gritava Jimmy Hagan) iam sendo contrabalançadas com rápidos contra-ataques helénicos, tendo um deles terminado  mesmo num remate certeiro mas claramente ilegal (fora de jogo). Toni e Simões bem tentavam, mas a barreira helénica de nove homens em torno da baliza de Kelesidis tornavam infrutíferas as variadas tentativas «encarnadas». Com Jordão desaparecido e Eusébio preso numaa  marcação impiedosa de três jogadores contrários (terá sido aqui que nasceu a expressão «vai atrás dele até à casa de banho?») o intervalo chegou com um nulo que agradava a gregos mas não a troianos (leia-se portugueses).

Sem a alegria do golo (que tardava), a frustração alastrava pelas bancadas. «Cadê Jordão? Onde está Eusébio? Para quem os centros a primor de Nené? (Artur Jorge apenas assistia da bancada)». O Benfica insistia na filosofia de Hagan por entre mais calafrios gregos – outro golo anulado, uma bola ao ferro e José Henrique a voar de poste a poste – até que após a enésima bola chutada para cima da baliza de Kelesidis lá apareceu um anjo salvador a dizer que sim a Jimmy Hagan e a abrir importante brecha no coração do Olimpo. Golo do Benfica e de um mal-amado Messias, que já depois de assobiado pelo público logo nos primeiros instantes da partida (com Humberto a pedir calma às bancadas «num gesto que define um carácter») teve a sua redenção ao assinar o golo da vitória encarnada. É verdade, mesmo com o acentuar da pressão dos da casa o resultado não se alterou até final e um pouco convincente Benfica levava mesmo para o Pireu um quinto da vantagem desejada. Ninguém estranhou, pois, quando os gregos festejaram intensamente o apito final, relembrando (ou talvez esquecendo) que ainda faltavam noventa minutos.

No segundo jogo em Atenas tudo foi diferente menos o resultado. O inglês que dizia «que tirava da equipa quem não chutasse bolas para cima da baliza» já não ditava as ordens (tinha-se demitido das suas funções após um célebre episódio decorrido nos «bastidores» da festa de homenagem a Eusébio) e um Benfica comandado por um interino Fernando Cabrita deslumbrou as gentes do Pireu com um futebol de passes curtos, acelerações rápidas, desmarcações e bolinha no chão. Uma vitória «à portuguesa», como diria o treinador no final.

Depois de um quarto de hora inicial em que os gregos atacaram a bom atacar, valendo-se o Benfica da resistência de um quarteto defensivo composto por Malta da Silva, Messias, Humberto e Adolfo, a turma encarnada apoderou-se da bola para não mais a largar durante a primeira metade. Aos 29 minutos uma combinação perfeita entre Malta da Silva e Toni resultou num primeiro remate de Eusébio, tendo na continuação aparecido Nené, após um ressalto, a rematar colocado para o fundo da baliza. Silêncio sepulcral no Estádio do Pireu e vantagem «encarnada» que se revelaria decisiva. Com o correr do relógio, e já depois do intervalo, o Olympiakos acercava-se cada vez mais da baliza de José Henrique (sem grande perigo), mas era o Benfica que controlava verdadeiramente a partida. Nené só não fez o segundo golo porque primeiro o árbitro não quis ver que «a bola esteve lá dentro uns bons palmos» após ser cabeceada certeiramente na resposta a cruzamento de Toni; e depois porque falhou de forma incrível a dois metros da linha de golo uma brilhante jogada de Toni pela direita, já muito perto do final do jogo.

Não houve tempo para mais e para a história (e essa é que interessa) ficou uma grande vitória do Benfica no Pireu (única até hoje) e a continuação na Taça dos Campeões Europeus, numa eliminatória em que o estilo de jogo português, tido como «habilidoso, malandro e com genica», se sobrepôs na mente de todos ao estilo de jogo inglês (de Jimmy Hagan) baseado na filosofia dos «mais altos e mais fortes». No final, e apesar do triunfo, o tema de conversa era o novo treinador: Miljan Miljanic (do Estrela Vermelha) era o preferido, enquanto Max Merkel (campeão pelo Atlético de Madrid) e Frank O’Farrel (ex-Manchester United) constavam também no topo da lista de candidatos. Nenhum deles chegaria porém, e seria mesmo Fernando Cabrita a ser eliminado pelo Ujpest na ronda seguinte da Taça dos Campeões e a levar a equipa a um segundo lugar  no campeonato nacional.

Texto baseado e adaptado das edições do Diário de Lisboa dos dias 19/09/1973, 20/09/1973 e 04/10/1973.

sexta-feira, 1 de Novembro de 2013

Académica v Benfica: estrelas cadentes e um regresso


Eusébio, Simões e José Augusto «acabados», no regresso de Toni à casa que o projectou no mundo da bola. Não perca, esta sexta-feira a partir das 20:30, o Académica v Benfica da nona jornada do campeonato nacional.

Enquanto em Manchester se digeria ainda o anúncio da retirada de Sir Matt Busby como treinador do campeão europeu de futebol Manchester United e o seu substituo continuava por escolher, em Lisboa o Benfica (finalista vencido da principal prova europeia de clubes) preparava-se para mais uma jornada do campeonato nacional da primeira divisão, competição que liderava apesar do menor brilho aparente de Eusébio, Simões e José Augusto, quais estrelas cadentes no firmamento encarnado.

Estávamos – adivinharam – em 1969 e o líder Benfica deslocava-se até ao centro do país para defrontar uma briosa Académica que aguardava o confronto com o campeão com a confiança de quem saíra das Antas há apenas uma semana com uma contundente vitória. Da comitiva encarnada que seguiu para Coimbra fazia parte um jovem para quem o jogo tinha um sentimento especial; António Oliveira - o Toni -, contratado à Académica no início da temporada, regressava a Coimbra pela primeira vez para jogar contra a sua antiga equipa depois de já a ter defrontado – e derrotado por 3-2 – no Estádio da Luz na primeira volta.

Era grande a expectativa em redor do jogo. A Associação Académica de Coimbra, que contava com jogadores como Quinito, Alhinho e Rui Rodrigues, vinha de uma bonita vitória frente ao FCPorto bem alicerçada no seu futebol habilidoso e apoiado, enquanto no Benfica nem a liderança da prova conseguia disfarçar uma muito badalada «crise encarnada» associada à fraca produção atacante de Eusébio (mas não só). O ataque encarnado produzira até ali muito menos que em épocas anteriores, mas no jogo de Coimbra as estrelas da companhia deram resposta a quem os considerava acabados com uma exibição «à antiga». É certo que a vitória se ficou por uns escassos «dois-a-zero», mas a categoria dos jogadores benfiquistas ficou bem vincada em campo.

Muito arrumado na defesa (Humberto e Cruz) e no meio-campo (Jacinto), o Benfica cedo se lançou no ataque sob a batuta de Simões e José Augusto, sempre rápidos e sagazes no levar da equipa até à área contrária. Com períodos de domínio repartido, o jogo chegou ao intervalo com uma igualdade sem golos, amarga injustiça para a turma encarnada pois só Eusébio perdera durante a primeira metade três magníficas situações para marcar, a primeira delas superiormente defendida por Viegas e as restantes duas por desafinações na pontaria do «pantera negra».

Foi apenas no segundo tempo que os campeões alcançaram um triunfo que se devia ter desenhado mais cedo, carregando no acelerador e lançando-se à conquista das redes coimbrãs. Ainda antes do primeiro golo, o pânico instalou-se constantemente entre a defesa estudantil com o dinamismo e a facilidade de remate das peças encarnadas a levarem a vários lances ameaçadores. Seria Eusébio o primeiro a desfeitear Viegas (aos 68 minutos); e também o segundo (agora aos 83), significando este último golo um golpe fatal nas dúvidas que ainda subsistiam quanto ao desfecho do jogo. Foi um triunfo encarnado muito mais fácil do que se poderia pensar, numa tarde em que Eusébio e seus pares se reencontraram com as boas exibições.

Toni teve o seu regresso coroado com uma vitória, mas sem a pujança de jogos anteriores tendo passado discreto pelo jogo e sendo até substituído por Nené no segundo tempo. A Académica, com um bom Manuel António na frente de ataque – grande disparo à trave perante um impotente José Henrique –, ficou-se pelas intenções (teria ainda a oportunidade de se desforrar numa final da taça para a história) depois de toda a expectativa criada com o seu triunfo na jornada anterior. Logo à noite perante uma outra Académica, curiosamente também ela vinda de uma inesperada vitória a norte, espera-se semelhante desfecho. 

TEXTO BASEADO E ADAPTADO DA EDIÇÃO DO DIÁRIO DE LISBOA DO DIA 31/03/1969.

domingo, 27 de Outubro de 2013

Benfica v Nacional: de tosco nem centelha


A tarde em que a expressão «alto e tosco» perdeu o seu significado. Não perca, este domingo pelas 17:15 horas, o Benfica v Nacional da 8ª jornada do campeonato nacional da primeira divisão.

«Prémio Nobel da execução […] genial lance que proporcionou o golo […] Fintas, simulações, dribles e entrega perfeita ao companheiro». Esfrega os olhos e volta à realidade. Não sabe bem de onde veio, ou de que tempo veio, mas um conjunto de frases soltas estão em ricochete constante na sua memória. É isso: tarde amena de futebol na Luz, uma entre tantas outras, vitória escassa mas segura com um lance genial a originar o único golo da tarde. Mas lance genial de quem? Do Benfica, pois claro, mas protagonizado por quem? Não consegue lembrar-se. Concentra-se, faz mais um esforço, mas nada.

Por esta altura está o leitor também a puxar pela memória, mas sem mais pistas é difícil acercar-se da resposta. Que raio de maneira de começar um texto. Pois então vamos lá: 1989 foi o ano, Nacional da Madeira o adversário. 1989… Lance de génio… (já sei, já sei) … Valdo de certeza; ou então Paneira, só pode! Parece óbvio, não parece? Mas não é. Naquela tarde de futebol na Luz, o verdadeiro protagonista foi um nórdico, alto e loiro nascido 26 anos antes em Helsingborg, Suécia. Mats Magnusson, pois claro.

Num Abril que recebera a Primavera de braços abertos, o Sport Lisboa e Benfica defrontava então o Nacional da Madeira em mais uma jornada do nacional da 1ª divisão, tentando manter o status quo do campeonato, isto é, a vantagem de seis pontos que detinha sobre o segundo classificado. E assim aconteceu. Duas vitórias pela margem mínima (do Benfica na Luz e do FCPorto em Chaves) deixavam tudo na mesma na frente da tabela, mantendo os encarnados um inquestionável favoritismo (depois confirmado) nas contas do título.

Os nacionalistas, orientados por Paulo Autuori, foram a jogo apostados em dificultar a vida ao provável campeão e a verdade é que a muralha erguida em frente da baliza madeirense (guardião Gilmar incluído) apenas foi completamente ultrapassada vez. A estratégia era simples: Tito e Ladeira mantinham Magnusson e Vata sob vigilância apertada; as pedras do sector intermediário emperravam Ademir, Valdo e Paneira; o jogo ofensivo encarnado ressentia-se. Por um lado até resultou, mas por outro o Benfica foi sempre a equipa que melhor qualidade de jogo apresentou em campo e Magnusson estava em tarde de gala como provou ao minuto 26. Numa jogada plena de tecnicismo, o sueco sacou de toda a sua genialidade e assistiu Vata para o golo, provando perante uma plateia entusiástica que de tosco não tinha nem um bocadinho. Grande jogada do sueco e 1-0 para o Benfica!

Com o momento do jogo ultrapassado e o título de melhor em campo atribuído a Magnusson (que ainda teve tempo de juntar ao lance do golo uma mão cheia de jogadas da mais requintada nota artística), restou deixar passar o tempo e confirmar menções honrosas para as exibições de Samuel (impecável ao lado de Ricardo) e Valdo (a classe do costume). Do lado do Nacional, merecido destaque para a notável exibição do seguríssimo Gilmar (o principal responsável pelo magro 1-0) e para um tal Dino Furacão que, sem que ninguém o soubesse, deixava um pré-aviso aos Benfiquistas para aquilo que faria anos depois no velhinho Mário Duarte num malfadado jogo que (contas feitas) roubou ao Benfica mais um título de campeão. Mas essa tarde em Aveiro o melhor mesmo é não recordar.

TEXTO BASEADO E ADAPTADO DA EDIÇÃO DO DIÁRIO DE LISBOA DO DIA 17/04/1989.

sábado, 5 de Outubro de 2013

Estoril v Benfica: a primeira deslocação ao campo da Amoreira


Quando o Benfica se estreou na Amoreira com uma vitória. Não perca, este domingo às 20:15, o Estoril v Benfica em mais uma jornada do campeonato nacional.

Outubro de 1944. Enquanto a guerra ecoava lá longe e os aliados conseguiam importantes avanços sobre as forças alemãs, em Portugal um domingo de outono era sinónimo de folhas amarelecidas e castanhas assadas, mas também de futebol. Em mais uma jornada do Campeonato de Lisboa, o Benfica do húngaro János Biri deslocava-se ao campo da Amoreira para defrontar um Estoril-Praia que pela primeira vez militava na divisão maior do campeonato regional da capital.

Esperava-se um obstáculo difícil de ultrapassar para a equipa de encarnado vestida, mas feitas as contas o Benfica venceu com relativa facilidade numa tarde em que o vento foi o principal adversário de duas equipas que queriam jogar bem e não conseguiam. E se alguém mereceu uma estatueta dourada por ter tentado fazê-lo afincadamente desde início, esse alguém foi o pequeno e irrequieto Pires, o grande inspirador do triunfo benfiquista. O pontapé de saída pertenceu, assim, ao Benfica e nem meio minuto após o jogo se ter iniciado já a bola entrava redonda na baliza de Valongo. Ataque encarnado pela esquerda e imediatamente golo para surpresa de todos, obra de Pires, claro está. Inspirados pela vantagem, os jogadores encarnados continuaram a carregar no ataque e ao minuto cinco apareceu mais um golo, o segundo da conta benfiquista. Foi mais uma vez Pires que, solicitado por Julinho, logrou meter a bola no fundo daquele rectângulo ao fundo do campo, contando desta vez com a ajuda de Éolo. Os deuses eram encarnados. 

Dois golos em cinco minutos, mas não se julgue que ficamos por aqui. Recomeçada a partida, o Estoril teve o seu melhor período em todo jogo e conseguiu mesmo reduzir. Raúl Silva passou por César Ferreira e Moreira, meteu a bola na frente, e Lourenço, «acorrendo lesto», fez o golo perante um impotente Martins. 1-2 no placard e jogo relançado. Ou talvez não. O Benfica voltou imediatamente ao ataque com Julinho a comandar as tropas e a solicitar, de cabeça, Teixeira para este fazer um grande golo. O relógio marcava na altura apenas onze minutos e estava feito o resultado final sem que, no entanto, ninguém o soubesse. Referida esta informação, torna-se quase inútil o resto da prosa mas continuemos. O tempo que faltava até ao fim da primeira parte, o Benfica jogou-o todo no meio-campo estorilista, com Francisco Ferreira, Julinho e Rogério sempre em evidência vendo os seus remates serem parados à vez pelo poste, pelo guardião Valongo e pela sua falta de pontaria.

No segundo tempo, aguardava-se a reacção do Estoril-Praia mas ela não chegou a aparecer. O jogo foi mais dividido, é certo, mas mesmo com o vento a varrer o campo na direcção da baliza de Martins, a procura de oportunidades de golo por parte dos estorilistas foi muito superior à oferta, e como o Benfica não carregou tanto no ataque, tudo ficou como estava. E se me permitem, ficou bem. Ganhou o Benfica logo no começo porque era melhor e assim tinha de ser. Terminado o campeonato, os comandados de János Biri veriam o rival Sporting festejar a conquista do Campeonato de Lisboa com dois pontos à maior, mas os papéis inverter-se-iam no final da época e aí seria o Benfica a festejar a conquista do Campeonato Nacional da 1ª Divisão, por sinal o sexto título da sua já então bonita história.

TEXTO BASEADO E ADAPTADO DA EDIÇÃO DO DIÁRIO DE LISBOA DO DIA 23/10/1944

sexta-feira, 4 de Outubro de 2013

Inqualificável


sábado, 21 de Setembro de 2013

V. Guimarães v Benfica: Hattrick de Eusébio no assalto ao «castelo»

O «caso» Simões e um golo sensacional de Eusébio. Não perca, este domingo a partir das 18 horas, o V. Guimarães v Benfica da 5ª jornada do Campeonato Nacional.

Jorge Jesus tem razão quando refere que as visitas do Benfica a Guimarães são tradicionalmente complicadas. Quando no início de 1968 o campeão se deslocou à cidade berço para mais uma jornada do campeonato português já as crónicas da altura - como as de hoje - apontavam o jogo com o Vitória minhoto «como um cutelo carregado de ameaças sobre as aspirações benfiquistas». Porque a boa equipa Vimaranense, que na época seguinte obteria a sua melhor classificação de sempre no campeonato nacional (3º lugar), para além de já ter vencido no seu reduto as boas equipas do FCPorto e da Académica, perdera na primeira volta na Luz por apenas um golo, criando grandes dificuldades a uma equipa do Benfica que no final do ano disputaria a sua quinta final da Taça dos Campeões Europeus. Somando a tudo isto a indisfarçável agitação no futebol encarnado provocada pelo «caso» Simões – já lá vamos -, estavam reunidos os ingredientes para que o Vitória de Guimarães v Benfica fosse o grande acontecimento daquele primeiro fim de semana de Fevereiro.

Tendo isto em conta, certamente ninguém esperaria uma goleada benfiquista mas esqueciam-se tais mentes pensantes que as circunstâncias eram favoráveis às pretensões encarnadas e, claro está, uma goleada foi precisamente aquilo que veio a suceder. À evidente categoria dos jogadores benfiquistas juntava-se a ausência de três figuras proeminentes na equipa minhota – o esteio da defesa Joaquim Jorge, o guardião Roldão e o avançado Mendes -, facto que significou um rude golpe nas suas pretensões. Sem mais suspense afirme-se desde já que a vitória benfiquista se alicerçou em quatro golos sem resposta, feito que só viria a ser igualado no virar do século e por duas vezes, repetindo-se em 2001 (João Tomás!) e 2013 a «chuva» de golos daquela fria tarde de Inverno.

No que se refere ao jogo, Eusébio foi «rei» no assalto ao «castelo» de Guimarães. Três golos marcou ele ao pobre Giesteira, guarda-redes que substituiu o absoluto Roldão. Apesar de tudo, a partida iniciou-se com o grupo minhoto ao ataque, retumbante e veloz, com José Henrique a brilhar logo nos primeiros cinco minutos respondendo a um remate de Augusto com uma defesa extraordinária. Estes cinco minutos, porém, foram todo o tempo que a entusiástica investida minhota durou. Na primeira vez que Torres e seus pares pisaram a área contrária, o Benfica fez um golo. Giesteira errou e Eusébio, «em doce liberdade» (grande drible à censura!), parou no peito e não perdoou. Apesar de não reflectir a produção das duas equipas até ali, a alegria do golo teve o condão de libertar a máquina benfiquista para uma partida que se revelou fácil e tranquila. Explorando a insegurança da defesa vimaranense, os jogadores encarnados solicitavam constantemente os seus dianteiros mais rápidos e Jaime Graça esteve muito perto de marcar, mas de ambas as vezes falhou isolado perante Giesteira. Entre estes dois lances, surgiu com naturalidade o segundo golo encarnado. Torres rematou sem preparação uma bola cabeceada por José Augusto e esta só parou no fundo das redes. Estava feito o segundo, mas o melhor estava ainda para vir. Dos pés de Eusébio, naturalmente. Partindo praticamente de meio-campo, o moçambicano arrancou no início da segunda parte para uma jogada sensacional, deixando vários adversários para trás e terminando com um fulminante disparo com o pé esquerdo. Três a zero para o Benfica num momento fantástico do «Rei». Daqui em diante, os encarnados soltaram em campo todo o seu talento e os lances iminentes de golo sucederam-se com impressionante frequência e facilidade. Eusébio completou o seu hattrick já no final da partida numa boa jogada colectiva em que a bola circulou de pé para pé desde o meio-campo até ao disparo final do pantera negra nas imediações da área. O Benfica mantinha assim os mesmos 23 pontos que o Sporting no topo do «Nacional» da 1ª Divisão (seria campeão) e Eusébio cimentava a sua liderança na lista dos melhores marcadores com 16 golos em 14 jogos, mais dois que Ernesto e mais três que Artur Jorge, ambos da Académica.

E o «caso» Simões? Ah sim, é verdade. A actualidade benfiquista de então era dominada pelo diferendo entre Simões e o Benfica, tendo este endereçado à direcção do clube um pedido de rescisão contratual por falta de pagamento de uma «prestação» prevista em contrato. Era assim: no contrato que ligava Simões ao Benfica, assinado a 2 de Agosto de 1965, estava previsto que as suas «luvas» anuais seriam de duzentos e cinquenta contos e seriam pagas em quatro prestações nos meses de Setembro, Dezembro, Março e Junho. Ora o Benfica não tinha pago os sessenta e dois mil e quinhentos escudos do mês de Dezembro (estávamos em Fevereiro) e Simões fez valer os seus direitos causando agitação no clube. O Benfica encarava o assunto «sem grandes apreensões» e entretanto tudo acabou por se resolver. Simões jogaria em Guimarães naquela agitada semana e jogaria muitas mais vezes pelo Benfica até 1975, ano em que terminaria catorze anos de ligação ao clube para se dedicar ao soccer nos States.

TEXTO BASEADO E ADAPTADO DA EDIÇÃO DO DIÁRIO DE LISBOA DO DIA 05/02/1968.

segunda-feira, 16 de Setembro de 2013

Benfica v Anderlecht: a estreia do treinador Toni nas provas da UEFA


Um famoso jantar em Bruxelas e a estreia europeia do treinador principal Toni. Não perca, esta terça-feira pelas 19:45, a partida entre o Benfica e o Anderlecht a contar para a fase de grupos da Liga dos Campeões.

A brisa soprava forte naquela gélida noite na capital belga. Era princípio de Fevereiro e junto à Grand Place um homem vestido com um sobretudo negro acenava a um táxi que passava. Entrou rapidamente protegendo-se da chuva que se abatia sem piedade sobre a calçada, deu o nome do restaurante ao taxista e dirigiu os seus pensamentos para aquilo a que dedicou toda a sua vida: o Sport Lisboa e Benfica. No restaurante, o seu interlocutor já o esperava para um «um jantar de bons amigos» em que o futebol seria o principal tema de conversa.

Quando Toni e Goethals apertaram a mão antes do início do primeiro embate entre Benfica e Anderlecht nos quartos-de-final da Taça dos Campeões Europeus sorriram ao recordar aquele jantar em Bruxelas. Na altura do encontro entre os dois, o ex-técnico do V. Guimarães e dos Diables Rouges estava longe de pensar que seria treinador do Anderlecht poucos dias depois, substituindo Georges Leekens no comando da histórica equipa belga: «Se Toni soubesse que eu viria a ser técnico do Anderlecht teria sem dúvida ficado calado ao jantar», disse um lacónico "Raymond-la-Science" na antevisão da partida. Teria Toni, sem querer, aberto demasiado o jogo?

Talvez; a verdade é que o início da partida no Estádio da Luz não deixou margem para quaisquer veleidades em relação à curiosidade que envolveu os dois treinadores antes do apito inicial. Em 30 minutos iniciais absolutamente fascinantes o Benfica sufocou e intimidou um cotado Anderlecht sob a batuta do brasileiro Elzo, permanentemente em acção no solicitar do «jogo de linha» dos serpenteantes Chiquinho e Pacheco. Com tal caudal ofensivo, o ceder da muralha belga seria apenas uma questão de tempo e assim aconteceu; primeiro foi Magnusson, vindo das alturas, a dizer «sim» a um cruzamento de Pacheco e, logo de seguida, em cópia quase perfeita mas do lado contrário, foi Chiquinho a responder de forma repentina a um centro de Rui Águas. Em três minutos o Benfica fazia dois golos e conquistava uma vantagem importante na estreia europeia do agora treinador principal Toni, uma vez que o resultado iria permanecer assim até ao final, graças a um impecável Silvino e não obstante os esforços do «tall guy» Magnusson e do comandante Diamantino.

No «parlamento do futebol», com dois golos de vantagem na bagagem, os Benfiquistas tiveram a confirmação de um Benfica para a Europa, slogan de campanha do Presidente João Santos. É certo que o Benfica sofreu durante todo o jogo. É certo que o Benfica perdeu mercê de um golo de Gudjohnsen na marcação de um livre directo que puniu uma intervenção de Silvino com as mãos já fora da grande área. É certo que naquela noite foi maior o empenho e a determinação do que o acerto a trocar a redondinha. É certo que a chapelada de Diamantino pouco antes do golo belga merecia melhor sorte. Mas também é certo que a derrota por um-zero teve o paladar de uma saborosa vitória. No final do jogo, dezenas de bandeiras encarnadas erguiam-se ao alto no bonito anfiteatro belga onde entre os trinta e oito mil espectadores, os benfiquistas faziam a festa ao som de Benfica! Benfica! Benfica! Estava vingada a final da Taça UEFA de 1983, mas este Benfica queria mais e só pararia na final de Estugarda onde apenas Van Breukelen travaria a coragem e o sonho do capitão Veloso.

TEXTO BASEADO E ADAPTADO DAS EDIÇÕES DO DIÁRIO DE LISBOA DOS DIAS 03/03/1988 e 17/03/1988.




domingo, 1 de Setembro de 2013

Chama Gloriosa Chalkboard: Erros importantes no golo do Sporting mas nenhum de Luisão

FOTO: MAIS FUTEBOL

Como quase sempre, no futebol as aparências iludem mesmo. Ontem, após o golo de Montero, poucos foram os que não culparam imediatamente Luisão por não acompanhar o movimento do colombiano. Parece algo óbvio, é o jogador que está mais perto, mas o futebol é muito mais complexo e subtil do que parece.

Existem, na minha perspectiva, três erros importantes no lance mas nenhum de Luisão. A saber: primeiro,Enzo Pérez não ajusta a sua posição ocupando o espaço entre linhas e deixando a linha defensiva exposta a um eventual passe para essa zona (recupera a passo); depois Matic deixa de acompanhar o movimento de André Martins entre central e lateral quando se impunha que o fizesse até ao limite do fora de jogo; por fim, Maxi fica completamente fora da jogada ao antecipar um passe para Wilson Eduardo que não acontece (má leitura de jogo e excessiva referência individual + reacção a passo) e é para a sua zona que Montero se esgueira para fazer o golo.

Voltando a Luisão, não existe nenhum erro evidente na sua acção. Apesar de surpreendido pelo apoio frontal de Montero, o brasileiro vai respondendo sempre bem ajustando a sua posição de forma correcta. Recorde-se que a primeira prioridade numa situação defensiva é manter o contacto visual com a bola, seguida de respeitar o posicionamento do colega (no caso Garay) e só depois preocupar-se com o adversário; ainda para mais, nesta situação específica Montero ataca uma zona de finalização que deveria estar ocupada pelo lateral do lado oposto. Assim que a bola sai do pé de André Martins a única coisa que Luisão pode fazer é ter fé: em Artur ou numa má finalização do avançado do Sporting.

Note-se ainda que Maxi até estaria em boa posição para agir caso Montero tocasse em Wilson Eduardo ou, no seguimento, André Martins optasse pelo passe recuado, mas isso pouco interessa visto que proteger a baliza é muito mais relevante. Caso algum dos cenários apontados acontecesse mesmo, alguém teria tempo de sair à bola e se Wilson Eduardo fizesse golo daquela posição paciência. Ao contrário do que é habitual, sou da opinião que uma equipa pode fazer tudo bem e mesmo assim não impedir o adversário de marcar.

Confira o vídeo abaixo:


segunda-feira, 26 de Agosto de 2013

Processo disciplinar a esta personagem que, uma vez mais, insultou o maior Activo do Clube: os seus adeptos.



Exijo um processo disciplinar e a perda da braçadeira de capitão a este indivíduo!

quinta-feira, 22 de Agosto de 2013

Chama Gloriosa Chalkboard: Erros individuais custam golos (e derrota) nos Barreiros

FOTO: FILIPE FARINHA

Problemas no controlo da transição adversária devido ao critério com que é gerida a posse de bola. Esta tem sido uma dificuldade recorrente no Benfica de ontem e no de hoje e se na maioria das situações Jorge Jesus se pode gabar que a equipa sabe defender bem com poucos jogadores atrás da linha da bola, nos Barreiros não foi assim. Dois erros individuais evitáveis - um de Garay e outro de Cortez - deram origem aos dois golos madeirenses, situação a que o Benfica não conseguiu reagir.


No lance do primeiro golo, a passividade de Maxi na contenção a Sami é criticável, mas é a acção de Garay que permite a Derley aparecer sozinho na cara de Artur. No momento em que Sami se vira na direcção do corredor central, Derley faz uma excelente diagonal de encontro ao portador da bola aproveitando o espaço nas costas de Luisão e é acompanhado de forma correcta por Garay. O problema está no que vem a seguir. De forma algo inexplicável, o argentino decide suspender este movimento para tentar o fora de jogo quando esta acção só seria justificável se Sami estivesse condicionado (em tempo e espaço) por Maxi ou desenquadrado com o movimento de ruptura do colega. Não se verificava nem uma coisa nem outra e o guineense decidiu como quis. A imprudência de Artur fez o resto.

Confira o vídeo abaixo: 



No segundo golo, apareceram os problemas de coordenação de Bruno Cortez com a restante linha defensiva e também as suas dificuldades em fechar junto dos centrais; não em termos posicionais - note-se - mas em termos de agressividade nos duelos. É sempre injusto entrar no campo das hipóteses, mas tenho a forte convicção que com Melgarejo o Benfica não tinha sofrido este golo. Ou pelo menos este não tinha contado.

Confira o vídeo:


quinta-feira, 27 de Junho de 2013

"Vitórias e Património" - Episódios 128 a 133 para download


VITÓRIAS E PATRIMÓNIO

Episódio 128 - Telma Monteiro
http://www.putlocker.com/file/88A6C8F7BC91E48C

Episódio 129 - João Santos
http://www.putlocker.com/file/9879D5553A0D7DF6

Episódio 130 - Rui Costa
http://www.putlocker.com/file/2534C3681D5E7485

Episódio 131 - Roma 1 - Benfica 2
http://www.putlocker.com/file/4369FAF55B61218F

Episódio 132 - Yocochi, a Natação do Benfica
http://www.putlocker.com/file/287706163CE2972C

Episódio 133 - Santana
http://www.putlocker.com/file/115052B6CA6766E7


Password para tudo: dfernandes


quarta-feira, 5 de Junho de 2013

Paulo Parreira, uma vida de benfiquismo



Aqui fica uma entrevista feita a um (conhecido) adepto (do e à) SL Benfica!

Obrigado Paulo Parreira. ISTO SIM, É SL BENFICA!

Os bi e tricolores da direcção deveriam por os olhos neste senhor!

terça-feira, 4 de Junho de 2013

Director-Geral Precisa-se!? (parte2)

Caro Presidente, irei colocar isto de forma clara e concisa:

Sportinguistas (ex-dirigentes) e Portistas NÃO!


JANELA NÃO!

domingo, 2 de Junho de 2013

O Sport Lisboa e Benfica é CAMPEÃO EUROPEU de Hóquei em Patins!

(Foto:www.ojogo.pt)


Perante um pavilhão cheio de gente cujos valores nada acrescentam ao desporto nacional e muito menos à sociedade portuguesa, eis que os nossos heróis, contra tudo e contra todos, foram à Invicta sagrar-se Campeões Europeus pela primeira vez na História do SLB. Obrigado, muito obrigado!

Aos paineleiros do costume, fica aqui a devida homenagem.





Próxima década?!

Director-Geral precisa-se!? Qual é a dúvida?!



Demora muito, Presidente?! Ou quererá mesmo nada ganhar como tem sido seu apanágio?!