Rubrica onde iremos analisar lances, jogadas ou momentos dos jogos do Benfica que, apesar de importantes, passam normalmente despercebidos a um olhar menos atento.
Voz aos escribas do Chama Gloriosa, para se pronunciarem sobre os mais diversos assuntos relacionados com o clube.
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Temos pronto para ti um resumo da informação mais relevante sobre o adversário!
Como quase sempre, no futebol as aparências iludem mesmo. Ontem, após o golo de Montero, poucos foram os que não culparam imediatamente Luisão por não acompanhar o movimento do colombiano. Parece algo óbvio, é o jogador que está mais perto, mas o futebol é muito mais complexo e subtil do que parece.
Existem, na minha perspectiva, três erros importantes no lance mas nenhum de Luisão. A saber: primeiro,Enzo Pérez não ajusta a sua posição ocupando o espaço entre linhas e deixando a linha defensiva exposta a um eventual passe para essa zona (recupera a passo); depois Matic deixa de acompanhar o movimento de André Martins entre central e lateral quando se impunha que o fizesse até ao limite do fora de jogo; por fim, Maxi fica completamente fora da jogada ao antecipar um passe para Wilson Eduardo que não acontece (má leitura de jogo e excessiva referência individual + reacção a passo) e é para a sua zona que Montero se esgueira para fazer o golo.
Voltando a Luisão, não existe nenhum erro evidente na sua acção. Apesar de surpreendido pelo apoio frontal de Montero, o brasileiro vai respondendo sempre bem ajustando a sua posição de forma correcta. Recorde-se que a primeira prioridade numa situação defensiva é manter o contacto visual com a bola, seguida de respeitar o posicionamento do colega (no caso Garay) e só depois preocupar-se com o adversário; ainda para mais, nesta situação específica Montero ataca uma zona de finalização que deveria estar ocupada pelo lateral do lado oposto. Assim que a bola sai do pé de André Martins a única coisa que Luisão pode fazer é ter fé: em Artur ou numa má finalização do avançado do Sporting.
Note-se ainda que Maxi até estaria em boa posição para agir caso Montero tocasse em Wilson Eduardo ou, no seguimento, André Martins optasse pelo passe recuado, mas isso pouco interessa visto que proteger a baliza é muito mais relevante. Caso algum dos cenários apontados acontecesse mesmo, alguém teria tempo de sair à bola e se Wilson Eduardo fizesse golo daquela posição paciência. Ao contrário do que é habitual, sou da opinião que uma equipa pode fazer tudo bem e mesmo assim não impedir o adversário de marcar.
Problemas no controlo da transição adversária devido ao critério com que é gerida a posse de bola. Esta tem sido uma dificuldade recorrente no Benfica de ontem e no de hoje e se na maioria das situações Jorge Jesus se pode gabar que a equipa sabe defender bem com poucos jogadores atrás da linha da bola, nos Barreiros não foi assim. Dois erros individuais evitáveis - um de Garay e outro de Cortez - deram origem aos dois golos madeirenses, situação a que o Benfica não conseguiu reagir.
No lance do primeiro golo, a passividade de Maxi na contenção a Sami é criticável, mas é a acção de Garay que permite a Derley aparecer sozinho na cara de Artur. No momento em que Sami se vira na direcção do corredor central, Derley faz uma excelente diagonal de encontro ao portador da bola aproveitando o espaço nas costas de Luisão e é acompanhado de forma correcta por Garay. O problema está no que vem a seguir. De forma algo inexplicável, o argentino decide suspender este movimento para tentar o fora de jogo quando esta acção só seria justificável se Sami estivesse condicionado (em tempo e espaço) por Maxi ou desenquadrado com o movimento de ruptura do colega. Não se verificava nem uma coisa nem outra e o guineense decidiu como quis. A imprudência de Artur fez o resto.
Confira o vídeo abaixo:
No segundo golo, apareceram os problemas de coordenação de Bruno Cortez com a restante linha defensiva e também as suas dificuldades em fechar junto dos centrais; não em termos posicionais - note-se - mas em termos de agressividade nos duelos. É sempre injusto entrar no campo das hipóteses, mas tenho a forte convicção que com Melgarejo o Benfica não tinha sofrido este golo. Ou pelo menos este não tinha contado.
Javi saiu em busca dos petrodólares e da fama de Manchester (sem ressentimentos, Javi) e a nação Benfiquista entrou em erupção. A equipa ficava sem um dos elementos fundamentais da sua manobra defensiva e sem substituto à altura. Matic nunca convenceu a generalidade dos adeptos enquanto alternativa ao espanhol e nos últimos dias de Agosto era o sérvio o único médio defensivo do plantel benfiquista. Razão para drama? Aparentemente sim, mas talvez não tanto como na altura se deu a entender.
Matic não é ainda o médio defensivo perfeito (Javi também não o era), mas a sua evolução em termos posicionais é notória, embora subtil para a maioria dos adeptos. No Benfica de Jesus, o "6" tem um papel crucial nas acções defensivas da equipa, essencialmente no que respeita à complementaridade com os centrais e laterais, tendo como base a ideia do treinador em manter sempre que possível uma (última) linha de cobertura e de protecção da baliza composta por quatro elementos. E é neste aspecto que Matic deixa cada vez menos a desejar em relação a Javi; o sérvio interpreta cada vez melhor as situações-problema impostas pelo jogo e reage correctamente e segundo as acções dos colegas. O jogo de Barcelos foi apenas mais um capítulo nesta sua evolução como médio defensivo.
E aspectos menos bons? Também os há, claro. Matic tem aparentado alguns problemas na abordagem a lances aéreos que têm resultado em intercepções falhadas e duelos perdidos, para além de alguma falta de agressividade e de vários erros técnicos ao nível do corte/passe/recepção que, na minha opinião, limitam a percepção do seu valor por parte dos adeptos. Situações a melhorar, sim, mas que não beliscam demasiado a evolução e a qualidade que o jogador tem mostrado na função. Num próximo jogo do Benfica convido-vos a dividir a vossa atenção entre aquilo que acontece com a bola - e que é mais evidente - e o que acontece sem ela, dando uma atenção especial ao comportamento de Matic nos momentos em que os centrais saem de posição porque, parecendo que não, isto também é futebol em todo o seu esplendor.
No vídeo abaixo, algumas situações do jogo com o Gil Vicente onde a capacidade posicional do sérvio ficou evidente:
A Luz tremeu no culminar de uma semana em que a saída de Javi Garcia abalou os alicerces do meio-campo encarnado, mas o Benfica acabou a festejar uma vitória sobre o Nacional que lhe deu a liderança, ainda que partilhada, no campeonato. Por si só, a relevância de liderar a tabela classificativa numa fase tão prematura da época não é muita, mas a importância emocional de tal feito não deve, também, ser descontada. Mas passemos ao tema principal do texto: como conseguiu o Nacional travar o Benfica, especialmente durante a primeira parte?
Numa palavra: compactação. Pedro Caixinha assumiu-o depois do jogo e a observação da partida não deixou grandes dúvidas. A estratégia do Nacional passou por encurtar espaços ao Benfica mantendo as linhas compactas e anular a saída dos encarnados pela zona central através de uma presença constante - Rondón - na zona de Witsel. A aula de compactação de Caixinha desenhou-se através de um 4-1-4-1 com pressão individual por zona a partir da linha de meio-campo e transição ofensiva muito rápida e vertical pelos extremos e, principalmente, por Rondón. Com a cedência da posse de bola ao Benfica, o Nacional agrupou-se naturalmente em bloco baixo, e apesar das manobras defensivas nem sempre terem sido perfeitas os madeirenses controlaram sempre bem o adversário. Não que seja uma novidade, mas o Benfica apresentou grandes dificuldades para ultrapassar a teia montada pelos «alvinegros». O Nacional forçou a saída por Garay e Luisão e até permitu que o Benfica construísse como gosta: pelos corredores laterais. O problema é que as saídas em «atropelo» pelos flancos por parte de Maxi-Salvio e Melga-Enzo nunca tiveram o efeito desejado pela boa acção defensiva e empenho total dos laterais-extremos do Nacional. Pior: o Benfica forçou a entrada pelos corredores, mas nunca soube sair deles. Quando bloqueado por onde normalmente consegue ser forte, não consegue jogar, e numa partida em que Rodrigo e Martins nunca se conseguiram soltar das marcações quando solicitados (Witsel nem accionado conseguiu ser), o problema ficou ainda mais evidente. O Benfica até pareceu ter intenção de «trabalhar» os espaços no bloco contrário, mas a impaciência e más decisões dos centrais e o não aproveitamento do que lhe era «oferecido» pelo adversário - essencialmente pela identidade da equipa em organização ofensiva - ditaram uma primeira parte pouco conseguida e muito distante do último terço. A prova disto mesmo é que a única chance do Benfica no primeiro tempo não surgiu numa situação de organização, mas sim de uma transição rápida depois de uma das poucas saídas curtas por parte dos «alvinegros» (Vladan bateu quase sempre longo) que, certamente, não agradou a Pedro Caixinha, que nunca mostrou intenção de ter a bola durante demasiado tempo - saídas rápidas em transição e rápida recomposição no seu meio-campo com as linhas bem compactas eram o objectivo. Na segunda parte, Jesus disse que corrigiu alguns posicionamentos, mas não tive essa percepção. É certo que Matic, ao contrário de Witsel, baixou muitas vezes para o meio dos centrais na primeira fase de construção, mas os efeitos não se notaram por aí além e a receita para a vitória acabou por ser dada por Melgarejo, depois de Salvio ter indiciado isso mesmo ainda na primeira parte: mobilidade, drible, ultrapassagem do adversário directo e, depois, eficácia na finalização das (poucas) chances conseguidas. Não sei se notaram, mas o Benfica conseguiu 3 golos em 3 remates na direcção da baliza. É quase certo que, no futuro, a equipa se deparará com situações semelhantes e caberá a Jesus trabalhar soluções para ultrapassar o problema. Desta vez, as individualidades e a eficácia resolveram, mas nem sempre será assim. No vídeo abaixo, algumas situações da primeira parte referentes ao que foi descrito:
Este texto é o segundo de uma série de dois, dedicado à análise do desempenho de Melgarejo frente ao Sp. Braga. Leia a primeira parte aqui.
FOTO: JOSÉ MANUEL RIBEIRO/REUTERS
Já abordei o assunto antes, mas não resisto a fazê-lo outra vez. A inteligência de Melgarejo quando tem de adaptar o seu comportamento à aleatoriedade jogo é absolutamente notável para um jogador que até há pouco tempo não tinha qualquer cultura defensiva. A partida com o Sp. Braga ofereceu-nos mais um bom exemplo disso mesmo.
É óbvio para todos que, no plano defensivo, o objectivo principal de qualquer equipa é recuperar a posse de bola. Porém, é sabido que orientar todas as acções - individuais e colectivas - exclusivamente para isso, não é a forma mais eficaz de defender. Em muitas situações de jogo, é importante que a equipa possua padrões de comportamento que estejam orientados, numa primeira linha de prioridades, para princípios operacionais distintos da recuperação da posse, como o impedir a progressão do adversário e a protecção da baliza. É também necessário que os jogadores saibam adaptar-se à não linearidade do jogo de acordo com estes padrões (treinados) o que, parecendo trivial, nem sempre acontece.
Pegamos no lance no momento em que Bruno César é batido pelo adversário directo. Numa primeira fase da transição, o Benfica prioriza a recuperação imediata da posse e, respeitando esse princípio operacional, Melgarejo tenta um ataque à bola que não é bem sucedido. Com o falhanço desta opção, a prioridade imediata da equipa deixa de ser recuperar a posse, mas sim impedir a progressão do adversário. Javi Garcia entende perfeitamente a situação e é ele que temporiza a acção de Salino, tendo o cuidado de não o pressionar de forma agressiva (relembre-se que a prioridade não deve ser a recuperação da posse).
Com Witsel a recuperar a tempo de impedir a progressão de Mossoró e Javi Garcia a ocupar o espaço deixado vago pelo desposicionamento do lateral, a inteligência e a boa capacidade posicional de Melgarejo ficam evidentes. Apesar de ser o lateral esquerdo, a linha de prioridades do lance não exige que o jovem paraguaio recupere a sua posição natural, mas sim que actue em complementaridade com o comportamento do colega.
E é exactamente isso que Melgarejo faz. Recupera posição para a zona do «pivot» e restabelece o equilíbrio defensivo. Em mais um exemplo de coerência colectiva, também Bruno César complementa a acção de Witsel, e perante a boa organização da equipa do Benfica a transição do Sp. Braga só podia resultar naquilo que resultou; em nada.
Confira o vídeo:
E ainda outro exemplo, desta vez do jogo com o Lille na pré-época:
Jorge Jesus disse-o no final da partida com o Sp. Braga e reafirmou-o na antevisão do jogo em Setúbal. Melgarejo teve uma estreia impecável a defender, «apenas» mal tecnicamente em dois lances que se revelaram decisivos, e tendo-se confrontado individualmente com um dos melhores jogadores do Sp. Braga - o brasileiro Alan -, ganhou-lhe todos os duelos individuais. Durante a passada semana muito se comentaram estas palavras do actual treinador do Benfica, mas estava Jesus certo?
Duelos no solo/Desarmes
O vídeo abaixo resume todos os duelos/desarmes em que Melgarejo foi interveniente na partida com os «arsenalistas».O jovem paraguaio apenas foi batido uma vez, num lance em que tenta recuperar a posse de bola imediatamente após a perda - algo usual nos laterais benfiquistas - e é ultrapassado por Salino que sai em transição. Duelos ganhos/Duelos perdidos - 7/1 (88%).
Duelos aéreos
No jogo aéreo, Melgarejo voltou a mostrar que este é um dos pontos fortes do seu jogo, tendo dominado, muitas vezes de forma autoritária, a sua zona de acção. Duelos ganhos/Duelos perdidos - 13/5 (72%)
Jesus teve razão?
Fica a clara sensação - suportada pelos números - que o Sp. Braga tentou explorar o lado esquerdo do Benfica, se não de uma maneira específica, pelo menos obrigando Melgarejo a estar muito em jogo e a ter de intervir muitas vezes (atente-se, também, no número de bolas longas de Beto e dos centrais para a zona de acção do lateral). José Peseiro esperou que o erro aparecesse por ali e a verdade é que acabou por ser feliz de uma maneira que certamente não esperava. É que Melgarejo acabou por dar bastante boa conta de si nos aspectos defensivos (duelos, posicionamento), tendo errado decisivamente na abordagem técnica a dois lances acidentais que estavam perfeitamente controlados. Significa tudo isto que o jovem paraguaio fez um bom jogo? Não, errou decisivamente e prejudicou gravemente a equipa, mas o desempenho conseguido nas acções defensivas, aliado à capacidade ofensiva reconhecida por todos, indicam que se está perante um jogador com grande potencial para singrar na posição de lateral. Se Jesus e o Benfica devem correr esse risco já é outra conversa, mas do meu ponto de vista não é provável que, mantendo este rendimento no plano defensivo, «Melga» volte a ser tão penalizado pela imprevisibilidade do jogo.
E relativamente ao confronto Melgarejo-Alan? 3 duelos no solo entre os dois, 3 duelos ganhos por Melgarejo; 8 duelos aéreos entre os dois, 5 duelos ganhos por Melgarejo. Duelos ganhos/Duelos perdidos - 8/3 (73%). Não ganhou todos, mas quase todos. Da minha parte, percebeu-se a ideia.
Ainda sem o tão ansiado reforço para a lateral esquerda, o Benfica tem ido a jogo com Luisinho e Melgarejo, com o paraguaio, através da sua velocidade e pendor ofensivo, a deixar boas indicações na adaptação a uma função mais defensiva. Os elogios, na generalidade, têm tido como alvo as características mais atacantes do jogo do - pelo menos por agora - jovem defesa lateral, mas o que me leva a escrever este texto é, precisamente, um lance ocorrido no outro lado do campo.
O lance, num primeiro olhar, parece tão típico como qualquer outro. O Marselha desenvolvia mais um ataque pela zona central e um passe interceptado por Bruno César acabaria por surpreender Melgarejo e originar uma situação de descontrolo colectivo perante a jogada. Podíamos discutir se o ajustamento posicional do jovem paraguaio é ou não ajustado, mas é a reacção do jogador a uma situação imprevista, o comportamento (correcto) de adaptação ao caos provocado pela não linearidade do jogo, que torna o lance digno de destaque.
Melgarejo, traído pelo desvio de Bruno César quando procurava a antecipação, perde o controlo do adversário e obriga Garay a fazer contenção no corredor lateral, ficando o espaço do central desocupado. O que surpreende, pelo menos a mim, é o entendimento completo da linha de prioridades do lance por parte de um jovem sem cultura de defesa (embora provavelmente já preparado por Jesus) e que, numa situação de descontrolo, reage da melhor forma num exemplo perfeito de coordenação colectiva. Melgarejo reagiu e entendeu o comportamento de Garay, recuperando posição para ocupar o espaço deixado em aberto pelo desposicionamento do argentino, garantindo não só a cobertura ao colega, como a protecção da sua baliza através do completar da linha defensiva com o quarto elemento.
De facto, o cruzamento apenas é interceptado por Luisão de forma incompleta e não fosse o bom comportamento defensivo do jovem paraguaio o lance teria tido, certamente, outras consequências (se Melgarejo tem optado por pressionar o portador da bola e criar superioridade na lateral, como seria talvez de esperar, o alívio incompleto de Luisão teria, com grande probabilidade, sobrado para um jogador da equipa francesa finalizar em excelente posição).
Numa fase tão inicial é ainda prematuro tirar grandes conclusões sobre o sucesso de mais uma adaptação de Jesus a lateral esquerdo, mas o desempenho do ex-avançado do Paços de Ferreira nestes primeiros jogos de pré-época tem de ser catalogado, no mínimo, como interessante.
Apesar de nos últimos dias qualquer conversa sobre bolas paradas incluir, necessariamente, a palavra «bloqueio» não será sobre isso que irei escrever. Ainda antes de todo o mediatismo, já o tema tinha sido abordado no Chama Gloriosa Chalkboard e, por isso, não constitui novidade para os leitores habituais. Irei escrever, isso sim, sobre o outro lado da moeda, as bolas paradas defensivas, para dar conta de um pormenor do clássico com o FCPorto.
Primeiro tempo
Independentemente das nuances entre pontapés de canto e livres laterais, nas bolas paradas defensivas, o Benfica utiliza, geralmente, uma defesa à zona com o detalhe de um dos jogadores - normalmente Witsel - marcar individualmente a maior referência da equipa adversária neste aspecto. É um pormenor que se verifica frequentemente, mas que escapa muitas vezes a um olhar mais desatento.
No clássico da última terça-feira, foi Sapunaru o jogador identificado como maior ameaça na equipa portista e, assim, foi ele a ser marcado individualmente pelo belga. No lance do segundo golo do FCPorto, porém, o Benfica pagou bem cara essa opção. Aquilo que aparenta ser uma linha de sete jogadores a defender a zona da pequena área é, na verdade, uma linha de seis jogadores mais uma marcação individual. Mangala é deixado sozinho (ninguém protege uma zona valiosíssima como a da marca de penalti) e, beneficiando disso mesmo, surge embalado na zona de Jardel para cabeçear furiosamente para golo, não dando qualquer hipótese de reacção ao defesa brasileiro.
Segundo tempo
Ao intervalo, e identificado o erro, Jorge Jesus realizou um pequeno ajustamento trocando o alvo da marcação individual nestes lances. Witsel passou a acompanhar Mangala e a verdade é que o francês não mais ameaçou a baliza encarnada.
Conclusão
Numa altura em que o Benfica entra numa fase decisiva, com um conjunto de jogos tão importantes quanto complicados, é fundamental que erros como o de terça-feira não se repitam. Quando se defende zona nas bolas paradas, a grande preocupação deve ser fechar os espaços mais valiosos (perigosos) para a baliza (não aconteceu no golo de Mangala), exigindo aos jogadores jogo em antecipação e concentração máxima. É que, estou certo, Terry, Ivanovic, Douglão ou Xandão serão ameaças (pelo menos) tão grandes quanto o francês do FCPorto e não deixaria de ser um tanto ou quanto estranho ver a equipa cair por um aspecto onde consegue ser tão forte... do outro lado do campo.
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Pois bem, depois da semana passada termos destacado a qualidade do Benfica nas bolas paradas eis que o jogo com o Gil Vicente nos dá mais um fantástico exemplo do poderio encarnado neste capítulo. O lance é, claro está, o do primeiro golo e, certamente, terão sido muitas as pessoas a perguntarem-se como foi possível que Oscar Cardozo aparecesse completamente sozinho na marca de penalti a finalizar. Vejamos, então, como tudo se passou.
Pegamos na jogada quando Nolito se prepara para bater o livre. Ainda antes do espanhol iniciar a corrida, Witsel e Gaitán movimentam-se em direcção à bola como se a jogada estivesse a ser preparada para um deles (particularmente para o belga que teve o movimento mais agressivo) e a defesa do Gil Vicente é obrigada a reagir perante o comportamento dos dois jogadores. Isto, porém, não passava de um engodo. A principal acção decorre junto à marca de penalti onde Luisão é marcado individualmente por Cláudio, enquanto o resto da equipa gilista defende zona. Entretanto, Cardozo posiciona-se nas costas de Cláudio para fazer uma espécie de back screen ao adversário directo de Luisão.
Mas será que o destinatário do passe era mesmo o central brasileiro? Não, era mais um engodo! A verdadeira opção era o paraguaio! Luisão corta em direcção à baliza e Cláudio faz o que se esperava - luta para ultrapassar o bloqueio e acompanha o Girafa. Cardozo ajusta a posição e, servido por Nolito na perfeição, cabeceia de forma imparável para o fundo das redes da baliza de Adriano. Uma jogada ensaiada executada de forma absolutamente brilhante pela equipa do Benfica. O que me delicia mais no meio disto tudo é a inteligência de ter 3 opções válidas e poder executar o lance de acordo com a reacção da defesa adversária (bola para Witsel se ninguém acompanhasse o primeiro movimento, bola para Luisão se Cláudio ficasse com Cardozo e bola para Cardozo se Cláudio acompanhasse Luisão). Para além disto, é absolutamente notável a escolha de Luisão como segundo engodo, pois sejamos sinceros: qual é o jogador que, no seu perfeito juízo, vai deixar o brasileiro sozinho num livre lateral? Numa palavra: fantástico.
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Não que seja grande novidade, mas o Benfica possui uma qualidade extraordinária no aproveitamento das bolas paradas. Na Liga cerca de 18% das chances de golo criadas pela equipa tiveram origem em cantos ou livres (apenas 3 golos) e Jorge Jesus parece ter perfeita noção da importância que este momento do jogo pode ter no desenrolar de uma partida. As variações e combinações utilizadas são diversas e na última quarta-feira, frente ao Santa Clara, Witsel e Gaitán (mas não só) proporcionaram-nos mais um exemplo dessa qualidade.
Pegamos na jogada no momento em que Gaitán se prepara para bater o canto. Como se vê na imagem, a equipa do Santa Clara marca individualmente - apenas um jogador à zona a controlar o espaço entre o primeiro poste e a pequena área - e, aproveitando esse facto, os jogadores do Benfica posicionam-se de modo a forçar duas batalhas de 2x2 e 3x3.
Com os jogadores na disposição correcta a jogada começa a desenrolar-se. Javi ataca o primeiro poste, arrastando com ele o seu marcador directo, enquanto Witsel se desloca para o espaço onde sabe que Gaitán irá colocar a bola. Ao mesmo tempo, Jardel bloqueia o adversário directo do belga e não havendo troca na marcação, este fica completamente livre para definir a jogada (o jogador do Santa Clara não chega a tempo de condicionar o remate). O passe de Gaitán sai para o sítio certo e Witsel acaba mesmo por ter uma oportunidade fantástica para abrir o marcador. O remate saiu ligeiramente ao lado, mas a execução da jogada foi praticamente perfeita.
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analisar lances, jogadas ou momentos dos jogos do Benfica que, apesar de
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Com a ausência de Javi Garcia por castigo, Matic teve, contra o Vitória de Setúbal, oportunidade para mostrar como vai a sua adaptação a pivot defensivo, tendo voltado a aparentar algumas dificuldades em ser agressivo no espaço quando a bola circulava pela sua zona, especialmente na primeira parte. Não é esta, porém, a razão porque escrevo este artigo. Durante a segunda parte, já com o resultado em uns confortáveis 4-1, o sérvio quase está na origem de mais um golo do Vitória de Setúbal ao perder a bola na entrada da área de Artur quando a equipa saía em construção. Muitos apontarão imediatamente o dedo à lentidão de Matic, mas terá sido essa a principal causa da jogada?
Pegamos no lance no momento em que Jardel, pressionado por um contrário,
procura dar consequência à circulação baixa do Benfica fazendo a bola
chegar ao pivot. Aparentemente, a jogada nada tem de extraordinário mas o
erro de Matic é tão simples quanto importante.
Matic recebe a bola com o campo "fechado", i.e. com os apoios virados para o lado da bola, existindo uma zona enorme do campo que não está a controlar visualmente. O adversário percepciona muito bem a situação e pressiona imeditamente de forma agressiva com o sérvio, completamente surpreendido, a não ter a mínima chance de retirar a bola da zona de pressão. A jogada só não tem consequências de maior porque o jogador sadino, por qualquer razão, acaba por procurar uma falta que manifestamente não existe no lugar de concluir uma situação que, com toda a probabilidade, seria de golo iminente. Todo o lance teria sido facilmente evitado se Matic tivesse optado por uma orientação dos apoios (posicionamento) que lhe permitisse controlar o espaço, a bola e, claro está, o adversário.
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Minutos depois da primeira jogada, foi possível identificar um outro lance em que é notória a preocupação do ala que se encontra do lado contrário à bola em fechar no meio. Desta vez o protagonismo é de Bruno César.
Pegamos no lance com Evra em progressão e a bola a chegar a Nani na esquerda. Gaitán faz a contenção, enquanto a restante equipa procura recuar e ajustar posições.
Nani entrega a Fletcher e Javi, mesmo estando longe, procura condiciona-lo de imediato sem que, no entanto, Witsel tenha a preocupação em lhe dar cobertura. O controlo do espaço entre o duplo pivot Witsel-Javi também não é o melhor - demasiado grande).
Young interpreta muito bem a situação e ataca de forma agressiva o espaço entrelinhas (mais uma vez a linha defensiva prefere controlar a profundidade) e Fletcher, aproveitando a distância entre Witsel e Javi, é capaz de lhe colocar a bola em boas condições. Tal como na primeira situação, apenas a excelente reacção do ala do lado contrário a matar a jogada impede que o lance tenha outras consequências.
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Um das limitações do Benfica 11-12 está relacionada com o comportamento defensivo do corredor central quando a equipa se organiza numa estrutura com duas linhas de quatro (4x4x1x1 ou 4x4x2 clássico). A equipa pressiona em 3 linhas, havendo, no entanto, alguns problemas relacionados com a coerência de cada uma delas no que respeita ao pressing. O resultado tem sido uma exposição recorrente do espaço entre sectores na zona central (um espaço muito valioso), com o duplo pivot a ser ultrapassado inúmeras vezes e a linha defensiva a ter que lidar com situações difíceis de controlar. Jorge Jesus tem procurado corrigir o problema com a introdução de Aimar na linha avançada. O argentino não só revela uma maior agressividade e reactividade no pressing quando comparado com Saviola, como se mostra ainda constantemente preocupado com o espaço nas suas costas. Existe, porém, uma outra possibilidade para minimizar o problema, relacionada com o comportamento do ala que se encontra do lado contrário à bola. No jogo com o Man Utd, foi evidente a importância desta solução no travar de duas jogadas potencialmente perigosas da equipa inglesa.
A jogada inicia-se com Rodrigo e Aimar a pressionar a primeira fase de construção do Man Utd e Phil Jones a solicitar um dos pivots no primeiro passe (Michael Carrick).
Carrick recebe a bola com o campo fechado e Witsel antevê a situação (está é, provavelmente, uma das referências que o belga tem para sair a pressionar) e acelera de forma agressiva sobre o inglês.
O insucesso da investida de Witsel (Carrick, mesmo em dificuldades, consegue colocar a bola em Valencia) e o comportamento de Javi Garcia expõem imediatamente o espaço entrelinhas, uma vez que a linha defensiva, preocupada com a liberdade de Valencia, mantém naturalmente um controlo da profundidade e não se adianta no terreno. Valencia percepciona rapidamente a situação e procura solicitar Ashley Young nesse mesmo espaço e só a boa resposta de Nico Gaitán a fechar no meio impede uma jogada potencialmente perigosa para a baliza de Artur.
Ganhámos mas é preciso bem mais que isto
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Curtas sobre ontem:
1) Vitória justa perante um Estoril que vinha apostado no empate
2) O Enzo teve a lesão no pior momento para si. Palhinha demonstrou ...
ESCANDALOSO
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Não sei se alguém ainda lê o blog... aqui vai tão grande é o escândalo
A nação Benfiquista ficou “anestesiada” com o ciclo de vitórias do Futebol
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legalizada (desde já os meus parabéns por terem conseguido dar uma taça ao
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Ironia do destino!
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Ontem a corruptalhada ficou eufórica com o empate do Benfica em Paços de
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vez mais em pol...
Sobre os momentos finais
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Rei Eusébio foi enterrado do mesmo modo que triunfou na vida: rodeado,
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Epluribusunum 11's vs Académica
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*Edu:*
*Stifler: *
*Redeagle: *
*Krak: *
E os nossos leitores?
Concordam com algum destes 11's?
Qual era o 11 que queriam ver alinhar esta noi...
Fim
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Penso que este *blog* deixou de fazer sentido, portanto é chegada a altura
de lhe colocar um termo. Um obrigado sincero a quem nos ia seguindo.
Um abraço e...