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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Académica v Benfica: estrelas cadentes e um regresso


Eusébio, Simões e José Augusto «acabados», no regresso de Toni à casa que o projectou no mundo da bola. Não perca, esta sexta-feira a partir das 20:30, o Académica v Benfica da nona jornada do campeonato nacional.

Enquanto em Manchester se digeria ainda o anúncio da retirada de Sir Matt Busby como treinador do campeão europeu de futebol Manchester United e o seu substituo continuava por escolher, em Lisboa o Benfica (finalista vencido da principal prova europeia de clubes) preparava-se para mais uma jornada do campeonato nacional da primeira divisão, competição que liderava apesar do menor brilho aparente de Eusébio, Simões e José Augusto, quais estrelas cadentes no firmamento encarnado.

Estávamos – adivinharam – em 1969 e o líder Benfica deslocava-se até ao centro do país para defrontar uma briosa Académica que aguardava o confronto com o campeão com a confiança de quem saíra das Antas há apenas uma semana com uma contundente vitória. Da comitiva encarnada que seguiu para Coimbra fazia parte um jovem para quem o jogo tinha um sentimento especial; António Oliveira - o Toni -, contratado à Académica no início da temporada, regressava a Coimbra pela primeira vez para jogar contra a sua antiga equipa depois de já a ter defrontado – e derrotado por 3-2 – no Estádio da Luz na primeira volta.

Era grande a expectativa em redor do jogo. A Associação Académica de Coimbra, que contava com jogadores como Quinito, Alhinho e Rui Rodrigues, vinha de uma bonita vitória frente ao FCPorto bem alicerçada no seu futebol habilidoso e apoiado, enquanto no Benfica nem a liderança da prova conseguia disfarçar uma muito badalada «crise encarnada» associada à fraca produção atacante de Eusébio (mas não só). O ataque encarnado produzira até ali muito menos que em épocas anteriores, mas no jogo de Coimbra as estrelas da companhia deram resposta a quem os considerava acabados com uma exibição «à antiga». É certo que a vitória se ficou por uns escassos «dois-a-zero», mas a categoria dos jogadores benfiquistas ficou bem vincada em campo.

Muito arrumado na defesa (Humberto e Cruz) e no meio-campo (Jacinto), o Benfica cedo se lançou no ataque sob a batuta de Simões e José Augusto, sempre rápidos e sagazes no levar da equipa até à área contrária. Com períodos de domínio repartido, o jogo chegou ao intervalo com uma igualdade sem golos, amarga injustiça para a turma encarnada pois só Eusébio perdera durante a primeira metade três magníficas situações para marcar, a primeira delas superiormente defendida por Viegas e as restantes duas por desafinações na pontaria do «pantera negra».

Foi apenas no segundo tempo que os campeões alcançaram um triunfo que se devia ter desenhado mais cedo, carregando no acelerador e lançando-se à conquista das redes coimbrãs. Ainda antes do primeiro golo, o pânico instalou-se constantemente entre a defesa estudantil com o dinamismo e a facilidade de remate das peças encarnadas a levarem a vários lances ameaçadores. Seria Eusébio o primeiro a desfeitear Viegas (aos 68 minutos); e também o segundo (agora aos 83), significando este último golo um golpe fatal nas dúvidas que ainda subsistiam quanto ao desfecho do jogo. Foi um triunfo encarnado muito mais fácil do que se poderia pensar, numa tarde em que Eusébio e seus pares se reencontraram com as boas exibições.

Toni teve o seu regresso coroado com uma vitória, mas sem a pujança de jogos anteriores tendo passado discreto pelo jogo e sendo até substituído por Nené no segundo tempo. A Académica, com um bom Manuel António na frente de ataque – grande disparo à trave perante um impotente José Henrique –, ficou-se pelas intenções (teria ainda a oportunidade de se desforrar numa final da taça para a história) depois de toda a expectativa criada com o seu triunfo na jornada anterior. Logo à noite perante uma outra Académica, curiosamente também ela vinda de uma inesperada vitória a norte, espera-se semelhante desfecho. 

TEXTO BASEADO E ADAPTADO DA EDIÇÃO DO DIÁRIO DE LISBOA DO DIA 31/03/1969.

domingo, 27 de outubro de 2013

Benfica v Nacional: de tosco nem centelha


A tarde em que a expressão «alto e tosco» perdeu o seu significado. Não perca, este domingo pelas 17:15 horas, o Benfica v Nacional da 8ª jornada do campeonato nacional da primeira divisão.

«Prémio Nobel da execução […] genial lance que proporcionou o golo […] Fintas, simulações, dribles e entrega perfeita ao companheiro». Esfrega os olhos e volta à realidade. Não sabe bem de onde veio, ou de que tempo veio, mas um conjunto de frases soltas estão em ricochete constante na sua memória. É isso: tarde amena de futebol na Luz, uma entre tantas outras, vitória escassa mas segura com um lance genial a originar o único golo da tarde. Mas lance genial de quem? Do Benfica, pois claro, mas protagonizado por quem? Não consegue lembrar-se. Concentra-se, faz mais um esforço, mas nada.

Por esta altura está o leitor também a puxar pela memória, mas sem mais pistas é difícil acercar-se da resposta. Que raio de maneira de começar um texto. Pois então vamos lá: 1989 foi o ano, Nacional da Madeira o adversário. 1989… Lance de génio… (já sei, já sei) … Valdo de certeza; ou então Paneira, só pode! Parece óbvio, não parece? Mas não é. Naquela tarde de futebol na Luz, o verdadeiro protagonista foi um nórdico, alto e loiro nascido 26 anos antes em Helsingborg, Suécia. Mats Magnusson, pois claro.

Num Abril que recebera a Primavera de braços abertos, o Sport Lisboa e Benfica defrontava então o Nacional da Madeira em mais uma jornada do nacional da 1ª divisão, tentando manter o status quo do campeonato, isto é, a vantagem de seis pontos que detinha sobre o segundo classificado. E assim aconteceu. Duas vitórias pela margem mínima (do Benfica na Luz e do FCPorto em Chaves) deixavam tudo na mesma na frente da tabela, mantendo os encarnados um inquestionável favoritismo (depois confirmado) nas contas do título.

Os nacionalistas, orientados por Paulo Autuori, foram a jogo apostados em dificultar a vida ao provável campeão e a verdade é que a muralha erguida em frente da baliza madeirense (guardião Gilmar incluído) apenas foi completamente ultrapassada vez. A estratégia era simples: Tito e Ladeira mantinham Magnusson e Vata sob vigilância apertada; as pedras do sector intermediário emperravam Ademir, Valdo e Paneira; o jogo ofensivo encarnado ressentia-se. Por um lado até resultou, mas por outro o Benfica foi sempre a equipa que melhor qualidade de jogo apresentou em campo e Magnusson estava em tarde de gala como provou ao minuto 26. Numa jogada plena de tecnicismo, o sueco sacou de toda a sua genialidade e assistiu Vata para o golo, provando perante uma plateia entusiástica que de tosco não tinha nem um bocadinho. Grande jogada do sueco e 1-0 para o Benfica!

Com o momento do jogo ultrapassado e o título de melhor em campo atribuído a Magnusson (que ainda teve tempo de juntar ao lance do golo uma mão cheia de jogadas da mais requintada nota artística), restou deixar passar o tempo e confirmar menções honrosas para as exibições de Samuel (impecável ao lado de Ricardo) e Valdo (a classe do costume). Do lado do Nacional, merecido destaque para a notável exibição do seguríssimo Gilmar (o principal responsável pelo magro 1-0) e para um tal Dino Furacão que, sem que ninguém o soubesse, deixava um pré-aviso aos Benfiquistas para aquilo que faria anos depois no velhinho Mário Duarte num malfadado jogo que (contas feitas) roubou ao Benfica mais um título de campeão. Mas essa tarde em Aveiro o melhor mesmo é não recordar.

TEXTO BASEADO E ADAPTADO DA EDIÇÃO DO DIÁRIO DE LISBOA DO DIA 17/04/1989.

sábado, 5 de outubro de 2013

Estoril v Benfica: a primeira deslocação ao campo da Amoreira


Quando o Benfica se estreou na Amoreira com uma vitória. Não perca, este domingo às 20:15, o Estoril v Benfica em mais uma jornada do campeonato nacional.

Outubro de 1944. Enquanto a guerra ecoava lá longe e os aliados conseguiam importantes avanços sobre as forças alemãs, em Portugal um domingo de outono era sinónimo de folhas amarelecidas e castanhas assadas, mas também de futebol. Em mais uma jornada do Campeonato de Lisboa, o Benfica do húngaro János Biri deslocava-se ao campo da Amoreira para defrontar um Estoril-Praia que pela primeira vez militava na divisão maior do campeonato regional da capital.

Esperava-se um obstáculo difícil de ultrapassar para a equipa de encarnado vestida, mas feitas as contas o Benfica venceu com relativa facilidade numa tarde em que o vento foi o principal adversário de duas equipas que queriam jogar bem e não conseguiam. E se alguém mereceu uma estatueta dourada por ter tentado fazê-lo afincadamente desde início, esse alguém foi o pequeno e irrequieto Pires, o grande inspirador do triunfo benfiquista. O pontapé de saída pertenceu, assim, ao Benfica e nem meio minuto após o jogo se ter iniciado já a bola entrava redonda na baliza de Valongo. Ataque encarnado pela esquerda e imediatamente golo para surpresa de todos, obra de Pires, claro está. Inspirados pela vantagem, os jogadores encarnados continuaram a carregar no ataque e ao minuto cinco apareceu mais um golo, o segundo da conta benfiquista. Foi mais uma vez Pires que, solicitado por Julinho, logrou meter a bola no fundo daquele rectângulo ao fundo do campo, contando desta vez com a ajuda de Éolo. Os deuses eram encarnados. 

Dois golos em cinco minutos, mas não se julgue que ficamos por aqui. Recomeçada a partida, o Estoril teve o seu melhor período em todo jogo e conseguiu mesmo reduzir. Raúl Silva passou por César Ferreira e Moreira, meteu a bola na frente, e Lourenço, «acorrendo lesto», fez o golo perante um impotente Martins. 1-2 no placard e jogo relançado. Ou talvez não. O Benfica voltou imediatamente ao ataque com Julinho a comandar as tropas e a solicitar, de cabeça, Teixeira para este fazer um grande golo. O relógio marcava na altura apenas onze minutos e estava feito o resultado final sem que, no entanto, ninguém o soubesse. Referida esta informação, torna-se quase inútil o resto da prosa mas continuemos. O tempo que faltava até ao fim da primeira parte, o Benfica jogou-o todo no meio-campo estorilista, com Francisco Ferreira, Julinho e Rogério sempre em evidência vendo os seus remates serem parados à vez pelo poste, pelo guardião Valongo e pela sua falta de pontaria.

No segundo tempo, aguardava-se a reacção do Estoril-Praia mas ela não chegou a aparecer. O jogo foi mais dividido, é certo, mas mesmo com o vento a varrer o campo na direcção da baliza de Martins, a procura de oportunidades de golo por parte dos estorilistas foi muito superior à oferta, e como o Benfica não carregou tanto no ataque, tudo ficou como estava. E se me permitem, ficou bem. Ganhou o Benfica logo no começo porque era melhor e assim tinha de ser. Terminado o campeonato, os comandados de János Biri veriam o rival Sporting festejar a conquista do Campeonato de Lisboa com dois pontos à maior, mas os papéis inverter-se-iam no final da época e aí seria o Benfica a festejar a conquista do Campeonato Nacional da 1ª Divisão, por sinal o sexto título da sua já então bonita história.

TEXTO BASEADO E ADAPTADO DA EDIÇÃO DO DIÁRIO DE LISBOA DO DIA 23/10/1944

sábado, 21 de setembro de 2013

V. Guimarães v Benfica: Hattrick de Eusébio no assalto ao «castelo»

O «caso» Simões e um golo sensacional de Eusébio. Não perca, este domingo a partir das 18 horas, o V. Guimarães v Benfica da 5ª jornada do Campeonato Nacional.

Jorge Jesus tem razão quando refere que as visitas do Benfica a Guimarães são tradicionalmente complicadas. Quando no início de 1968 o campeão se deslocou à cidade berço para mais uma jornada do campeonato português já as crónicas da altura - como as de hoje - apontavam o jogo com o Vitória minhoto «como um cutelo carregado de ameaças sobre as aspirações benfiquistas». Porque a boa equipa Vimaranense, que na época seguinte obteria a sua melhor classificação de sempre no campeonato nacional (3º lugar), para além de já ter vencido no seu reduto as boas equipas do FCPorto e da Académica, perdera na primeira volta na Luz por apenas um golo, criando grandes dificuldades a uma equipa do Benfica que no final do ano disputaria a sua quinta final da Taça dos Campeões Europeus. Somando a tudo isto a indisfarçável agitação no futebol encarnado provocada pelo «caso» Simões – já lá vamos -, estavam reunidos os ingredientes para que o Vitória de Guimarães v Benfica fosse o grande acontecimento daquele primeiro fim de semana de Fevereiro.

Tendo isto em conta, certamente ninguém esperaria uma goleada benfiquista mas esqueciam-se tais mentes pensantes que as circunstâncias eram favoráveis às pretensões encarnadas e, claro está, uma goleada foi precisamente aquilo que veio a suceder. À evidente categoria dos jogadores benfiquistas juntava-se a ausência de três figuras proeminentes na equipa minhota – o esteio da defesa Joaquim Jorge, o guardião Roldão e o avançado Mendes -, facto que significou um rude golpe nas suas pretensões. Sem mais suspense afirme-se desde já que a vitória benfiquista se alicerçou em quatro golos sem resposta, feito que só viria a ser igualado no virar do século e por duas vezes, repetindo-se em 2001 (João Tomás!) e 2013 a «chuva» de golos daquela fria tarde de Inverno.

No que se refere ao jogo, Eusébio foi «rei» no assalto ao «castelo» de Guimarães. Três golos marcou ele ao pobre Giesteira, guarda-redes que substituiu o absoluto Roldão. Apesar de tudo, a partida iniciou-se com o grupo minhoto ao ataque, retumbante e veloz, com José Henrique a brilhar logo nos primeiros cinco minutos respondendo a um remate de Augusto com uma defesa extraordinária. Estes cinco minutos, porém, foram todo o tempo que a entusiástica investida minhota durou. Na primeira vez que Torres e seus pares pisaram a área contrária, o Benfica fez um golo. Giesteira errou e Eusébio, «em doce liberdade» (grande drible à censura!), parou no peito e não perdoou. Apesar de não reflectir a produção das duas equipas até ali, a alegria do golo teve o condão de libertar a máquina benfiquista para uma partida que se revelou fácil e tranquila. Explorando a insegurança da defesa vimaranense, os jogadores encarnados solicitavam constantemente os seus dianteiros mais rápidos e Jaime Graça esteve muito perto de marcar, mas de ambas as vezes falhou isolado perante Giesteira. Entre estes dois lances, surgiu com naturalidade o segundo golo encarnado. Torres rematou sem preparação uma bola cabeceada por José Augusto e esta só parou no fundo das redes. Estava feito o segundo, mas o melhor estava ainda para vir. Dos pés de Eusébio, naturalmente. Partindo praticamente de meio-campo, o moçambicano arrancou no início da segunda parte para uma jogada sensacional, deixando vários adversários para trás e terminando com um fulminante disparo com o pé esquerdo. Três a zero para o Benfica num momento fantástico do «Rei». Daqui em diante, os encarnados soltaram em campo todo o seu talento e os lances iminentes de golo sucederam-se com impressionante frequência e facilidade. Eusébio completou o seu hattrick já no final da partida numa boa jogada colectiva em que a bola circulou de pé para pé desde o meio-campo até ao disparo final do pantera negra nas imediações da área. O Benfica mantinha assim os mesmos 23 pontos que o Sporting no topo do «Nacional» da 1ª Divisão (seria campeão) e Eusébio cimentava a sua liderança na lista dos melhores marcadores com 16 golos em 14 jogos, mais dois que Ernesto e mais três que Artur Jorge, ambos da Académica.

E o «caso» Simões? Ah sim, é verdade. A actualidade benfiquista de então era dominada pelo diferendo entre Simões e o Benfica, tendo este endereçado à direcção do clube um pedido de rescisão contratual por falta de pagamento de uma «prestação» prevista em contrato. Era assim: no contrato que ligava Simões ao Benfica, assinado a 2 de Agosto de 1965, estava previsto que as suas «luvas» anuais seriam de duzentos e cinquenta contos e seriam pagas em quatro prestações nos meses de Setembro, Dezembro, Março e Junho. Ora o Benfica não tinha pago os sessenta e dois mil e quinhentos escudos do mês de Dezembro (estávamos em Fevereiro) e Simões fez valer os seus direitos causando agitação no clube. O Benfica encarava o assunto «sem grandes apreensões» e entretanto tudo acabou por se resolver. Simões jogaria em Guimarães naquela agitada semana e jogaria muitas mais vezes pelo Benfica até 1975, ano em que terminaria catorze anos de ligação ao clube para se dedicar ao soccer nos States.

TEXTO BASEADO E ADAPTADO DA EDIÇÃO DO DIÁRIO DE LISBOA DO DIA 05/02/1968.

domingo, 1 de setembro de 2013

Chama Gloriosa Chalkboard: Erros importantes no golo do Sporting mas nenhum de Luisão

FOTO: MAIS FUTEBOL

Como quase sempre, no futebol as aparências iludem mesmo. Ontem, após o golo de Montero, poucos foram os que não culparam imediatamente Luisão por não acompanhar o movimento do colombiano. Parece algo óbvio, é o jogador que está mais perto, mas o futebol é muito mais complexo e subtil do que parece.

Existem, na minha perspectiva, três erros importantes no lance mas nenhum de Luisão. A saber: primeiro,Enzo Pérez não ajusta a sua posição ocupando o espaço entre linhas e deixando a linha defensiva exposta a um eventual passe para essa zona (recupera a passo); depois Matic deixa de acompanhar o movimento de André Martins entre central e lateral quando se impunha que o fizesse até ao limite do fora de jogo; por fim, Maxi fica completamente fora da jogada ao antecipar um passe para Wilson Eduardo que não acontece (má leitura de jogo e excessiva referência individual + reacção a passo) e é para a sua zona que Montero se esgueira para fazer o golo.

Voltando a Luisão, não existe nenhum erro evidente na sua acção. Apesar de surpreendido pelo apoio frontal de Montero, o brasileiro vai respondendo sempre bem ajustando a sua posição de forma correcta. Recorde-se que a primeira prioridade numa situação defensiva é manter o contacto visual com a bola, seguida de respeitar o posicionamento do colega (no caso Garay) e só depois preocupar-se com o adversário; ainda para mais, nesta situação específica Montero ataca uma zona de finalização que deveria estar ocupada pelo lateral do lado oposto. Assim que a bola sai do pé de André Martins a única coisa que Luisão pode fazer é ter fé: em Artur ou numa má finalização do avançado do Sporting.

Note-se ainda que Maxi até estaria em boa posição para agir caso Montero tocasse em Wilson Eduardo ou, no seguimento, André Martins optasse pelo passe recuado, mas isso pouco interessa visto que proteger a baliza é muito mais relevante. Caso algum dos cenários apontados acontecesse mesmo, alguém teria tempo de sair à bola e se Wilson Eduardo fizesse golo daquela posição paciência. Ao contrário do que é habitual, sou da opinião que uma equipa pode fazer tudo bem e mesmo assim não impedir o adversário de marcar.

Confira o vídeo abaixo:


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Chama Gloriosa Chalkboard: Erros individuais custam golos (e derrota) nos Barreiros

FOTO: FILIPE FARINHA

Problemas no controlo da transição adversária devido ao critério com que é gerida a posse de bola. Esta tem sido uma dificuldade recorrente no Benfica de ontem e no de hoje e se na maioria das situações Jorge Jesus se pode gabar que a equipa sabe defender bem com poucos jogadores atrás da linha da bola, nos Barreiros não foi assim. Dois erros individuais evitáveis - um de Garay e outro de Cortez - deram origem aos dois golos madeirenses, situação a que o Benfica não conseguiu reagir.


No lance do primeiro golo, a passividade de Maxi na contenção a Sami é criticável, mas é a acção de Garay que permite a Derley aparecer sozinho na cara de Artur. No momento em que Sami se vira na direcção do corredor central, Derley faz uma excelente diagonal de encontro ao portador da bola aproveitando o espaço nas costas de Luisão e é acompanhado de forma correcta por Garay. O problema está no que vem a seguir. De forma algo inexplicável, o argentino decide suspender este movimento para tentar o fora de jogo quando esta acção só seria justificável se Sami estivesse condicionado (em tempo e espaço) por Maxi ou desenquadrado com o movimento de ruptura do colega. Não se verificava nem uma coisa nem outra e o guineense decidiu como quis. A imprudência de Artur fez o resto.

Confira o vídeo abaixo: 



No segundo golo, apareceram os problemas de coordenação de Bruno Cortez com a restante linha defensiva e também as suas dificuldades em fechar junto dos centrais; não em termos posicionais - note-se - mas em termos de agressividade nos duelos. É sempre injusto entrar no campo das hipóteses, mas tenho a forte convicção que com Melgarejo o Benfica não tinha sofrido este golo. Ou pelo menos este não tinha contado.

Confira o vídeo:


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Chama Gloriosa Chalkboard: a evolução posicional de Matic

FOTO: SL BENFICA

Javi saiu em busca dos petrodólares e da fama de Manchester (sem ressentimentos, Javi) e a nação Benfiquista entrou em erupção. A equipa ficava sem um dos elementos fundamentais da sua manobra defensiva e sem substituto à altura. Matic nunca convenceu a generalidade dos adeptos enquanto alternativa ao espanhol e nos últimos dias de Agosto era o sérvio o único médio defensivo do plantel benfiquista. Razão para drama? Aparentemente sim, mas talvez não tanto como na altura se deu a entender.


Matic não é ainda o médio defensivo perfeito (Javi também não o era), mas a sua evolução em termos posicionais é notória, embora subtil para a maioria dos adeptos. No Benfica de Jesus, o "6" tem um papel crucial nas acções defensivas da equipa, essencialmente no que respeita à complementaridade com os centrais e laterais, tendo como base a ideia do treinador em manter sempre que possível uma (última) linha de cobertura e de protecção da baliza composta por quatro elementos. E é neste aspecto que Matic deixa cada vez menos a desejar em relação a Javi; o sérvio interpreta cada vez melhor as situações-problema impostas pelo jogo e reage correctamente e segundo as acções dos colegas. O jogo de Barcelos foi apenas mais um capítulo nesta sua evolução como médio defensivo.

E aspectos menos bons? Também os há, claro. Matic tem aparentado alguns problemas na abordagem a lances aéreos que têm resultado em intercepções falhadas e duelos perdidos, para além de alguma falta de agressividade e de vários erros técnicos ao nível do corte/passe/recepção que, na minha opinião, limitam a percepção do seu valor por parte dos adeptos. Situações a melhorar, sim, mas que não beliscam demasiado a evolução e a qualidade que o jogador tem mostrado na função. Num próximo jogo do Benfica convido-vos a dividir a vossa atenção entre aquilo que acontece com a bola - e que é mais evidente - e o que acontece sem ela, dando uma atenção especial ao comportamento de Matic nos momentos em que os centrais saem de posição porque, parecendo que não, isto também é futebol em todo o seu esplendor.

No vídeo abaixo, algumas situações do jogo com o Gil Vicente onde a capacidade posicional do sérvio ficou evidente:




sábado, 22 de setembro de 2012

Académica vs Benfica: o futebol como arma de contestação política


FOTO: SECÇÃO FOTOGRÁFICA DA AAC

Num país em que a ditadura usava a censura como arma preventiva e a polícia política como arma repressiva, o beautiful game era muito mais do que um jogo. Era uma forma de liberdade. Não perca, este domingo pelas 20:15, o jogo entre a Académica e o Benfica a contar para a 4ª Jornada do Campeonato Nacional.

1969, como 2012, estava a ser um ano complicado para a sociedade portuguesa, e com as lutas estudantis no seu auge ser estudante em Coimbra era , ou podia ser, um problema sério. Nesse ano, a Associação Académica de Coimbra possuía uma equipa de futebol extraordinária, toda ela obrigatoriamente composta por estudantes, e o binómio universidade-desporto estava de tal modo interligado que foi de forma muito natural que a AAC se associou à luta estudantil, colocando-se como um dos principais meios de divulgação dos protestos académicos que proclamavam ideais revolucionários e reivindicativos. O futebol a funcionar, inevitavelmente, como arma política de uma sociedade ávida de mudança.

Naquele primeiro domingo de Verão, dia da final da Taça de Portugal de 1969, um comboio especial deixava a cidade do Mondego e chegava à Estação de Santa Apolónia, cheio de adeptos da «Briosa». Eram 11 da manhã e muitas pessoas aguardavam a sua chegada; sem organização e sem mestres de cerimónia, rapidamente se formou um ruidoso cortejo que desfilou pelas ruas de Lisboa, engrossando progressivamente. Num tempo de tantas proibições buzinar não foi proibido naquela cinzenta manhã de domingo. – «Que é isto?» – perguntava um transeunte mais incauto, perto do Terreiro do Paço. - «São os estudantes de Coimbra» – logo lhe responderam por entre aplausos ao cortejo que passava. Não havia dúvida, os ideais revolucionários tinham invadido Lisboa através de uma mini-manifestação que teve o futebol como pano de fundo.

Sim, é verdade, durante a tarde jogava-se um jogo de futebol. A Associação Académica de Coimbra defrontava o Benfica na final do Jamor, depois de eliminar o Sporting nas meias-finais com vitórias em Alvalade e no velhinho «Calhabé» (1-2 e 1-0, respectivamente). O regime mostrava grandes sinais de preocupação com o jogo, pois temia-se que este fosse usado como palco para uma extraordinária manifestação contra a ditadura. Várias medidas de prevenção foram tomadas: as mais altas figuras do estado (chefe de estado e membros do governo) não compareceram no estádio como era apanágio, por indicação da polícia política que temia desacatos; a RTP, pela primeira vez desde que iniciara transmissões da Taça, não televisionou o jogo (vivam os transístores!); a FPF impediu a Académica de actuar de branco ou com qualquer outra forma notada de luto académico; centenas de agentes da polícia política infiltraram as bancadas; e até o Sporting esteve de prevenção, pois podia ser chamado a jogar no lugar dos «Estudantes».

A final, essa, não foi exactamente aquela que se poderia esperar. Até aos minutos finais, o espectáculo viveu essencialmente do entusiamo da multidão que o presenciou (só a tribuna esteve deserta), num ambiente de grande cumplicidade entre os adeptos das duas equipas que começou com a entrada em campo dos jogadores da «Briosa» ostentando imponentes capas negras pelos ombros. Apesar da constante incerteza no resultado, a partida foi sempre jogada dentro de uma certa monotonia; a AAC escudava-se num futebol mais de defesa e meio-campo, enquanto o Benfica ainda ia emprestando ao jogo alguns períodos de boa cadência ofensiva, sem contudo conseguir marcar. Mesmo sem Artur Jorge, impedido de jogar pelo regime por estar a prestar serviço militar, os estudantes-futebolistas bateram-se com galhardia, mas nunca conseguiram esconder o peso e a perturbação que todo o ambiente à volta do jogo lhes causava. O inesperado golo de Manuel António, já o sol mergulhava no horizonte, veio dar alento a quem desejava uma sensacional vitória coimbrã, mas a mística do campeão Benfica não o permitiu. O golpe colocou os encarnados à beirinha do abismo, é certo, mas na imensa categoria dos seus jogadores ainda havia força e engenho para uma recuperação contra-relógio. E foi Simões, um dos melhores em campo naquela tarde, que acabou por dar justiça ao resultado apenas quatro minutos depois do tento academista. Um-um e vinha aí o prolongamento.

A meia hora complementar foi exactamente como se previa: trinta minutos difíceis para a Académica estiveram para trinta minutos de consumação da vitória encarnada. Algures nesse período de tempo, a bola passou por Viegas impelida pela testa de Eusébio e só parou no fundo das malhas. Dois-um a favor de um estranho Benfica que passava grande parte do tempo a dar matéria para as teses que defendiam o seu declínio, mas terminava sempre a demonstrar categoria extra aos ombros de jogadores como Eusébio, Simões e Jaime Graça, mas também Toni, Zeca, Humberto Coelho, Adolfo ou Malta da Silva.

No fim, os jogadores benfiquistas saíram vencedores com irrecusável justiça, mas tinham sido os estudantes-futebolistas da AAC a conquistar a verdadeira vitória. No final da partida a festa foi conjunta: os benfiquistas vestindo de negro, os academistas de vermelho. Entre jogadores e adeptos não havia dúvidas: o Benfica tinha escapado por pouco daquela que teria sido uma das derrotas mais saborosas da sua história.

domingo, 9 de setembro de 2012

Chama Gloriosa Chalkboard: Como o Nacional travou o Benfica na primeira parte

FOTO: PATRÍCIA DE MELO MOREIRA/AFP

A Luz tremeu no culminar de uma semana em que a saída de Javi Garcia abalou os alicerces do meio-campo encarnado, mas o Benfica acabou a festejar uma vitória sobre o Nacional que lhe deu a liderança, ainda que partilhada, no campeonato. Por si só, a relevância de liderar a tabela classificativa numa fase tão prematura da época não é muita, mas a importância emocional de tal feito não deve, também, ser descontada. Mas passemos ao tema principal do texto: como conseguiu o Nacional travar o Benfica, especialmente durante a primeira parte?



Numa palavra: compactação. Pedro Caixinha assumiu-o depois do jogo e a observação da partida não deixou grandes dúvidas. A estratégia do Nacional passou por encurtar espaços ao Benfica mantendo as linhas compactas e anular a saída dos encarnados pela zona central através de uma presença constante - Rondón -  na zona de Witsel.  A aula de compactação de Caixinha desenhou-se através de um 4-1-4-1 com pressão individual por zona a partir da linha de meio-campo e transição ofensiva muito rápida e vertical pelos extremos e, principalmente, por Rondón. Com a cedência da posse de bola ao Benfica, o Nacional agrupou-se naturalmente em bloco baixo, e apesar das manobras defensivas nem sempre terem sido perfeitas os madeirenses controlaram sempre bem o adversário.

Não que seja uma novidade, mas o Benfica apresentou grandes dificuldades para ultrapassar a teia montada pelos «alvinegros». O Nacional forçou a saída por Garay e Luisão e até permitu que o Benfica construísse como gosta: pelos corredores laterais. O problema é que as saídas em «atropelo» pelos flancos por parte de Maxi-Salvio e Melga-Enzo nunca tiveram o efeito desejado pela boa acção defensiva e empenho total dos laterais-extremos do Nacional. Pior: o Benfica forçou a entrada pelos corredores, mas nunca soube sair deles. Quando bloqueado por onde normalmente consegue ser forte, não consegue jogar, e numa partida em que Rodrigo e Martins nunca se conseguiram soltar das marcações quando solicitados (Witsel nem accionado conseguiu ser), o problema ficou ainda mais evidente. O Benfica até pareceu ter intenção de «trabalhar» os espaços no bloco contrário, mas a impaciência e más decisões dos centrais e o não aproveitamento do que lhe era «oferecido» pelo adversário - essencialmente pela identidade da equipa em organização ofensiva - ditaram uma primeira parte pouco conseguida e muito distante do último terço. A prova disto mesmo é que a única chance do Benfica no primeiro tempo não surgiu numa situação de organização, mas sim de uma transição rápida depois de uma das poucas saídas curtas por parte dos «alvinegros» (Vladan bateu quase sempre longo) que, certamente, não agradou a Pedro Caixinha, que nunca mostrou intenção de ter a bola durante demasiado tempo - saídas rápidas em transição e rápida recomposição no seu meio-campo com as linhas bem compactas eram o objectivo.

Na segunda parte, Jesus disse que corrigiu alguns posicionamentos, mas não tive essa percepção. É certo que Matic, ao contrário de Witsel, baixou muitas vezes para o meio dos centrais na primeira fase de construção, mas os efeitos não se notaram por aí além e a receita para a vitória acabou por ser dada por Melgarejo, depois de Salvio ter indiciado isso mesmo ainda na primeira parte: mobilidade, drible, ultrapassagem do adversário directo e, depois, eficácia na finalização das (poucas) chances conseguidas. Não sei se notaram, mas o Benfica conseguiu 3 golos em 3 remates na direcção da baliza. É quase certo que, no futuro, a equipa se deparará com situações semelhantes e caberá a Jesus trabalhar soluções para ultrapassar o problema. Desta vez, as individualidades e a eficácia resolveram, mas nem sempre será assim. 

No vídeo abaixo, algumas situações da primeira parte referentes ao que foi descrito:




quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Chama Gloriosa Chalkboard: Ainda «Melga» e o Sp. Braga (2)

Este texto é o segundo de uma série de dois, dedicado à análise do desempenho de Melgarejo frente ao Sp. Braga. Leia a primeira parte aqui.
FOTO: JOSÉ MANUEL RIBEIRO/REUTERS

Já abordei o assunto antes, mas não resisto a fazê-lo outra vez. A inteligência de Melgarejo quando tem de adaptar o seu comportamento à aleatoriedade jogo é absolutamente notável para um jogador que até há pouco tempo não tinha qualquer cultura defensiva. A partida com o Sp. Braga ofereceu-nos mais um bom exemplo disso mesmo.

É óbvio para todos que, no plano defensivo, o objectivo principal de qualquer equipa é recuperar a posse de bola. Porém, é sabido que orientar todas as acções - individuais e colectivas - exclusivamente para isso, não é a forma mais eficaz de defender. Em muitas situações de jogo, é importante que a equipa possua padrões de comportamento que estejam orientados, numa primeira linha de prioridades, para princípios operacionais distintos da recuperação da posse, como o impedir a progressão do adversário e a protecção da baliza. É também necessário que os jogadores saibam adaptar-se à não linearidade do jogo de acordo com estes padrões (treinados) o que, parecendo trivial, nem sempre acontece.


Pegamos no lance no momento em que Bruno César é batido pelo adversário directo. Numa primeira fase da transição, o Benfica prioriza a recuperação imediata da posse e, respeitando esse princípio operacional, Melgarejo tenta um ataque à bola que não é bem sucedido. Com o falhanço desta opção, a prioridade imediata da equipa deixa de ser recuperar a posse, mas sim impedir a progressão do adversário. Javi Garcia entende perfeitamente a situação e é ele que temporiza a acção de Salino, tendo o cuidado de não o pressionar de forma agressiva (relembre-se que a prioridade não deve ser a recuperação da posse).


Com Witsel a recuperar a tempo de impedir a progressão de Mossoró e Javi Garcia a ocupar o espaço deixado vago pelo desposicionamento do lateral, a inteligência e a boa capacidade posicional de Melgarejo ficam evidentes. Apesar de ser o lateral esquerdo, a linha de prioridades do lance não exige que o jovem paraguaio recupere a sua posição natural, mas sim que actue em complementaridade com o comportamento do colega.


E é exactamente isso que Melgarejo faz. Recupera posição para a zona do «pivot» e restabelece o equilíbrio defensivo. Em mais um exemplo de coerência colectiva, também Bruno César complementa a acção de Witsel, e perante a boa organização da equipa do Benfica a transição do Sp. Braga só podia resultar naquilo que resultou; em nada.

Confira o vídeo:


E ainda outro exemplo, desta vez do jogo com o Lille na pré-época:


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Chama Gloriosa Chalkboard: Ainda «Melga» e o Sp. Braga (1)

FOTO: NUNO JORGE
Jorge Jesus disse-o no final da partida com o Sp. Braga e reafirmou-o na antevisão do jogo em Setúbal. Melgarejo teve uma estreia impecável a defender, «apenas» mal tecnicamente em dois lances que se revelaram decisivos, e tendo-se confrontado individualmente com um dos melhores jogadores do Sp. Braga - o brasileiro Alan -, ganhou-lhe todos os duelos individuais. Durante a passada semana muito se comentaram estas palavras do actual treinador do Benfica, mas estava Jesus certo?

Duelos no solo/Desarmes

O vídeo abaixo resume todos os duelos/desarmes em que Melgarejo foi interveniente na partida com os «arsenalistas».O jovem paraguaio apenas foi batido uma vez, num lance em que tenta recuperar a posse de bola imediatamente após a perda - algo usual nos laterais benfiquistas -  e é ultrapassado por Salino que sai em transição. Duelos ganhos/Duelos perdidos - 7/1 (88%).

Duelos aéreos

No jogo aéreo, Melgarejo voltou a mostrar que este é um dos pontos fortes do seu jogo, tendo dominado, muitas vezes de forma autoritária, a sua zona de acção. Duelos ganhos/Duelos perdidos - 13/5 (72%)

Jesus teve razão?

Fica a clara sensação - suportada pelos números - que o Sp. Braga tentou explorar o lado esquerdo do Benfica, se não de uma maneira específica, pelo menos obrigando Melgarejo a estar muito em jogo e a ter de intervir muitas vezes (atente-se, também, no número de bolas longas de Beto e dos centrais para a zona de acção do lateral). José Peseiro esperou que o erro aparecesse por ali e a verdade é que acabou por ser feliz de uma maneira que certamente não esperava. É que Melgarejo acabou por dar bastante boa conta de si nos aspectos defensivos (duelos, posicionamento), tendo errado decisivamente na abordagem técnica a dois lances acidentais que estavam perfeitamente controlados. Significa tudo isto que o jovem paraguaio fez um bom jogo? Não, errou decisivamente e prejudicou gravemente a equipa, mas o desempenho conseguido nas acções defensivas, aliado à capacidade ofensiva reconhecida por todos, indicam que se está perante um jogador com grande potencial para singrar na posição de lateral. Se Jesus e o Benfica devem correr esse risco já é outra conversa, mas do meu ponto de vista não é provável que, mantendo este rendimento no plano defensivo, «Melga» volte a ser tão penalizado pela imprevisibilidade do jogo.

E relativamente ao confronto Melgarejo-Alan? 3 duelos no solo entre os dois, 3 duelos ganhos por Melgarejo; 8 duelos aéreos entre os dois, 5 duelos ganhos por Melgarejo. Duelos ganhos/Duelos perdidos - 8/3 (73%). Não ganhou todos, mas quase todos. Da minha parte, percebeu-se a ideia.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Chama Gloriosa Ratings - Campeonato Nacional (Jornada 20)

Chama Gloriosa Ratings

- Com o Benfica a tropeçar duas vezes seguidas o topo do ranking é, por esta altura, ocupado pelo Sp. Braga (completamente arrasador nas últimas jornadas) com Porto e Benfica logo  um passo atrás praticamente em empate técnico. Os minhotos não o vão assumir claramente, mas não há dúvida que o título é, agora mais que nunca, uma luta entre três equipas. 

- Com o clássico a disputar-se já esta noite que pistas podemos retirar sobre o mau momento do Benfica? De acordo com o modelo, a baixa encarnada explica-se com a fraca produção ofensiva nas últimas partidas. Em Guimarães e em Coimbra, a equipa sofreu exactamente os golos que "tinha" de sofrer (um em Guimarães e zero em Coimbra), ficando, no entanto, bastante abaixo das expectativas em termos ofensivos (não marcou em nenhum dos jogos, quando se esperava dois golos em cada um deles). 

- O Sporting vai caminhando sob o confortável soalho das vitórias,  alicerçando os últimos resultados no controlo e na segurança do adversário (melhor defesa no global). Continuam, no entanto, a jogar  abaixo da média da Liga em termos ofensivos.

- Na parte baixa da tabela, nota para as dificuldades da U. Leiria. Os Leirienses são, segundo o modelo, a pior equipa da Liga decorridas 20 jornadas e os últimos resultados não são tudo menos animadores.  Em queda livre, continuam Beira-Mar e Feirense, esperando-se uma luta completamente imprevisível pela permanência.

- Jornada 21: O interesse maior vai, claro está, para o clássico desta noite. A previsão indica o Benfica como ligeiro favorito esperando-se uma vitória encarnada pela margem mínima (2-1) ou um empate a uma bola. Nos outros jogos, Braga e Nacional estão em grande forma e deverão proporcionar um excelente jogo na Choupana (vantagem para o Braga 1-2) e o Sporting deverá dar continuidade à série de vitórias no Bonfim (0-1), ainda que um empate a uma bola não constituísse, para mim, grande surpresa. Nota ainda para a provável (e a acontecer importante) vitória do Rio Ave contra os agora comandados por Ulisses Morais.

- As estimativas das probabilidades de vitória e as previsões apresentadas são falíveis e não devem ser usadas para apostar de forma "cega" nos vencedores ou nos totais dos jogos. Não me responsabilizo por eventuais perdas, nem espero uma percentagem de eventuais ganhos.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A gala, o clássico e o mãozinhas


Depois de duas semanas em que o pessimismo começava a enraizar-se de forma dramática numa larga falange de adeptos benfiquistas, eis que no dia do nosso aniversário, fruto duma gala fantástica, todos nos sentimos revigorados. Uns mais , outros menos, mas ninguém poderá ter ficado indiferente.

Que a gala tenha servido para despertar todos. Adeptos, jogadores e dirigentes .
Há muitas batalhas para vencer até final da época, e todos unidos, somos sem dúvida muito mais fortes.

Sexta feira, anuncia-se aquele que é o jogo do título. Talvez nem seja, mas o seu vencedor ficará com uma vantagem teórica de 3 pontos + 1 sobre o outro. E com o Braga á perna, ainda faltando defrontar os dois.
Vamos receber em nossa casa o clube corrupto. Importa que quem marque presença no estádio dê nas bancadas, tudo aquilo que pede aos jogadores em campo. Até que a voz lhes doa, a vitória será nossa!
Temos que ser o verdadeiro 12º jogador.

Porém, há sempre uma mas, há sempre um se.
Pedro Proença foi o eleito para apitar o jogo. Todos sabemos o historial deste senhor nos jogos contra nós.
Na época passada, teve o brilhante registo de nos começar a tirar do título na 2ª jornada contra o Nacional, permitir a pouca vergonha das bolas de golf no estádio do cavalo marinho, e tudo fazer para nos fazer perder a final da taça da liga com mais um penalty ridículo marcado contra nós.
Este ano, mais uma vez, fez das suas no jogo em Braga, e nos anos anteriores, sempre de forma cirúrgica, apitou jogos onde a liderança ou algo importante estava em jogo.
Deixamos aqui um  vídeo, com o resumo de alguns serviços feitos nos últimos anos.



Para terminar, e depois de ter lido isto - aqui  espero que este senhor seja pressionado a dizer se isto é verdade, e se for, a explicar o que fazia naquele estádio em véspera do clássico.
Tem que ser pressionado!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Chama Gloriosa Ratings - Campeonato Nacional (Jornada 19)

Chama Gloriosa Ratings

- Mesmo com a derrota em Guimarães, o Benfica mantém as suas aspirações intactas no topo do ranking, notando-se, em relação à semana passada, a aproximação do Braga aos dois primeiros lugares, sendo agora três as equipas claramente à frente das outras. O Sporting continua a jogar abaixo das expectativas (especialmente a nível ofensivo), estando agora praticamente ao nível do Vitória de Guimarães e já atrás do Marítimo.

- O Braga, principalmente, mas também o Marítimo, são as equipas em melhor forma nesta fase do campeonato. Também em crescendo, estão P. Ferreira, Gil Vicente, Rio Ave e Nacional esperando-se que consigam consolidar posições nos próximos tempos. Apesar de nada estar decidido, arriscaria dizer que nenhuma destas quatro equipas descerá de divisão. Em sentido contrário, seguem a Académica (equipa em pior forma), o Beira-Mar, o Olhanense, o V. Setúbal e a U. Leiria. Os problemas ofensivos do Feirense manterão, muito provavelmente, a equipa em dificuldades até ao final.

- 20ª Jornada. Os registos recentes de Marítimo e Braga indiciam duas vitórias seguras nesta jornada, mesmo antevendo algumas dificuldades dos arsenalistas no derby do Minho. O Benfica voltará às vitórias contra uma Académica numa fase bastante má e o FCPorto vencerá tranquilamente o Feirense. Em Alvalade, espera-se um jogo equilibrado contra um Rio Ave em crescendo, antevendo-se um jogo com poucos golos e não sendo de excluir mais uma vitória tagencial dos agora comandados por Sá Pinto. Setúbal, Leiria e Feirense podem entrar no segundo terço do campeonato cada vez mais afundados na tabela.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Chama Gloriosa Ratings - Campeonato Nacional (Jornada 18)

Chama Gloriosa Ratings

- Mais uma semana e o Benfica continua destacado na liderança, com o FCPorto na sua perseguição. Com as vitórias folgadas dos dois conjuntos, os encarnados mantêm-se como o melhor ataque do campeonato e os dragões, não tendo sofrido qualquer golo contra o último classificado, beneficiam da derrota do Sporting na Madeira para voltar ao topo do ranking defensivo.

- O Sporting é mesmo um dos piores ataques da liga se considerarmos apenas as últimas cinco jornadas, algo que terá estado na origem da queda leonina nos últimos tempos. Apenas (!) a Académica teve um comportamento substancialmente pior, estando o Feirense ao mesmo nível.

- A U. Leiria e o V. Setúbal são, por esta altura, os grandes candidatos à descida de divisão, com o Beira-Mar em forte quebra e a Académica e o Olhanense a deixarem indícios poucos positivos para o futuro. Em sentido contrário, caminham P. Ferreira, Nacional e Gil Vicente.

- A Jornada 19 parece reservar a Benfica e Braga as tarefas mais complicadas no trio da frente, com o FCPorto a disputar em Setúbal um jogo que se espera relativamente tranquilo. A forte subida do P. Ferreira nos últimos jogos faz prever algum equilíbrio em Alvalade, esperando-se, mesmo assim, um regresso do Sporting às vitórias. No que diz respeito às restantes equipas, o modelo prevê que um bom resultado do Beira-Mar em Leiria e o agravar da "crise" da Académica.

- As estimativas das probabilidades de vitória e as previsões apresentadas são falíveis e não devem ser usadas para apostar de forma cega nos vencedores ou nos totais dos jogos. Não me responsabilizo por eventuais perdas, nem espero uma percentagem de enventuais ganhos.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Chama Gloriosa Ratings - Campeonato Nacional (Jornada 17)

Chama Gloriosa Ratings

- A derrota do FCPorto em Barcelos e a vitória do Benfica em Santa Maria da Feira separaram (definitivamente?) os dois candidatos, com os encarnados a aparecerem agora destacados na frente do ranking, mantendo, por uma margem significativa, o melhor registo ofensivo do campeonato.

- O Sporting, beneficiando dos três golos sofridos pelo FCPorto na jornada, subiu ao topo do ranking defensivo, e encontra-se agora como melhor defesa do campeonato praticamente ex-aequo com os dragões. Quem também cimentou a sua posição foi o Braga que se juntou com mérito ao grupo dos dois da frente, mostrando-se como um verdadeiro candidato ao terceiro posto. Conseguirão manter este registo?

- Na luta pelos restantes lugares na primeira metade da tabela pouco ou nada mudou, com Marítimo e V. Guimarães como grandes candidatos à quinta e sexta posição. Na batalha pela manutenção a U. Leiria afundou-se três lugares com a derrota em casa com o P. Ferreira e é agora a pior equipa da Liga. A indecisão na parte mais baixa da tabela mantém-se com várias equipas em grandes dificuldades. U. Leiria, P. Ferreira e V. Setúbal serão os principais candidatos aos últimos dois lugares, mas tudo pode acontecer.

- Mais uma vez se nota uma forte tendência para as equipas terem ataques pouco concretizadores uma vez que apenas os cinco da frente possuem um rating ofensivo acima da média do campeonato.

- A jornada 18 prevê-se sossegada para os 3 primeiros classificados, todos com a expectativa de vitórias tranquilas. O Sporting, por sua vez, corre o risco de ver o Braga fugir ainda mais na luta pelo terceiro lugar, esperando-se um empate a uma bola na difícil deslocação aos Barreiros Será a injecção de moral conseguida com o apuramento para final da Taça de Portugal suficiente para fazer a equipa leonina superar as expectativas?

- As estimativas das probabilidades de vitória e as previsões apresentadas são falíveis e não devem ser usadas para apostar de forma cega nos vencedores ou nos totais dos jogos. Não me responsabilizo por eventuais perdas, nem espero uma percentagem de eventuais ganhos.

- Após o fim de semana não percam esta mesma análise para a Liga dos Campeões, com previsão de resultados e vencedores das eliminatórias.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A toalha e o pano



Entramos em Fevereiro, aproxima-se a fase mais importante da época,  e vejo os nossos adversários enveredar por caminhos pouco habituais.

Se o discurso de adeptos e dirigentes sportinguistas surpreende pela bipolaridade dos factos que apresentam,  o que realmente me faz escrever este post é mesmo a atitude do clube andrade.

Habituados que estão a ganhar e a lutar pelas competições em que entram até à ultima gota de...fruta, cedo, esta época, começaram a provar o seu próprio veneno.
Na supertaça europeia, apesar da boa réplica, foi possível ver-se jogadores que na época passada davam garantias, fazer exibições miseráveis. Os reforços, não mostravam ser uma mais valia, e o resultado final aliado às duas expulsões doeu-lhes e muito.
Entretanto vencem a supertaça portuguesa, mas com muitas dificuldades, pela margem mínima e apresentando um futebol ridículo.
E aqui começou a conversa de sempre, face aos bons resultados e boas exibições do Benfica na pré época, tal como a garantia da entrada na champions, inicia-se a desvalorização do nosso trabalho, as guerras que Vitor Pereira tentou comprar com Jorge Jesus, mas que em todas acabou...derrotado.

Começaram bem, portanto.

No campeonato, mais do mesmo.
Deja vu da época passada, com o colinho dos penaltis nas primeiras jornadas a garantir o balão de oxigénio que geralmente lhes garante diferenças de pontos essenciais para a conquista do campeonato.
Porém, ao contrário das outras épocas, a taça de Portugal foi á vida com uma pesada derrota em Coimbra por 3-0; no campeonato não nos golearam nem venceram ao contrário da bazófia deles; na Liga dos Campeões foram eliminados sem dó nem piedade atrás de Apoel e Zenith, passando para a Liga Europa onde lhes saiu a maior fava, o Manchester City ( boa sorte citizens ).

De repente dão consigo a 5 pontos do Benfica no campeonato e com o trofeu que tanto ridicularizam,  a taça da liga, como única conquista possível para esta época.
Qual a estratégia adoptada?

Culpar as arbitragens, falar de Salazar, Calabote, e levantar suspeitas sobre tudo o que é feito no Benfica.
Até já li tentativas de associar a Olivedesportos ao Benfica...

Ora bem, em relação á Olivedesportos questiono-me se essas pessoas conhecem um site chamado youtube. Deixo-lhes aqui uma prenda

Sobre as arbitragens até acho engraçado vê-los a falar, não fossem eles o clube assumidamente corrupto na forma tentada, o que lhes dá um ar de Carlos Silvino ofendido com o assédio das inocentes crianças, já a conversa de Salazar e Calabote acho tão ridículo, que me vejo obrigado a questionar.

E isso acontece porque deduzo á partida que ou agem de má fé, ou são mesmo ignorantes.
Saberão, esses seres tão superiores, o que foi a década de 60 para Oliveira de Salazar?
Saberão, essas mentes tão informadas, o que foi a guerra colonial?
Será, que na sua cultura geral, eles saberão o que se passou no dia 28 de Maio de 1926?
E será que sabem associar porque razão o seu antigo estádio foi inaugurado a um 28 de Maio?
Terão essas pessoas noção da data em que Salazar deixou o poder?

Sobre Calabote, saberão eles que o campeonato que tantos ousam por em causa, foi ganho por eles ?


Bem, mas o mais surpreendente disto, e é aqui que quero destacar e chamar a atenção de todos os benfiquistas, é mesmo o aparente atirar da toalha ao chão, seja de dirigentes, seja dos adeptos.

Já falam do futuro como certo, dando o título como uma certeza para nós.


Quem lê e ouve os bajuladores andrades a falar, percebe claramente que actuam sempre maniatados a frases feitas, a polémicas semelhantes, no fundo, o famoso discurso encomendado.

"Genial Presidente, Genial!"

Eu estranho, parece-me tudo uma forma de nos adormecer, espero sinceramente que o Benfica se mantenha focado nos seus objectivos.
Muita atenção ao jogo no nosso estádio contra esses corruptos. Será uma verdadeira guerra para eles, tudo farão dentro e fora do campo para nos vencer, e desconfio seriamente que algo vergonhoso pode estar a caminho.
Sobre o 33º, acredito que pode ser uma certeza, mas apenas se continuarmos a ser sérios nas nossas partidas, a ser melhores que o adversário, e a lutar até ao final do jogo. Dependemos apenas de nós.

E eles dependem de nós, sendo isso a sua maior derrota.

Muita atenção Benfica, esta época pode ser épica, não vacilemos!
Força Glorioso!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Chama Gloriosa Ratings - Campeonato Nacional (Jornada 16)

Chama Gloriosa Ratings

- Benfica e FCPorto mantêm-se na frente largamente destacados, desta vez praticamente ex-aequo. O Benfica é a melhor equipa ofensiva, mas os Dragões superam os encarnados em temos defensivos (sofrer um golo do Gil Vicente não ajudou).

- Com o empate em Olhão, o Sporting distanciou-se (negativamente) do Braga e é agora uma equipa muito mais próxima de Marítimo e Vitória de Guimarães. Porém, o problema parece estar no seu registo ofensivo que, sendo melhorado, permitirá à equipa recolocar-se numa posição mais condizente com o seu historial.

- Na parte mais baixa da tabela, o Feirense entrou em queda livre depois da derrota na Madeira e os golos parecem ser mesmo um problema em Santa Maria da Feira. Em Setúbal, a situação é parecida com a agravante do registo defensivo dos sadinos não ser tão interessante.

- O bom desempenho do Gil Vicente na Luz foi premiado pelo modelo com uma subida de 3 lugares, particularmente pela obtenção de um golo que não era, de todo, expectável. O Paços de Ferreira continua a ser o principal candidato à descida, ostentando o título de pior defesa do campeonato (seguido de muito perto pela U. Leiria de Manuel Cajuda).

-  Jornada 17:  previsão de vitórias fora de Benfica e FCPorto com relativa tranquilidade. Vitória tangencial do Sporting e jogo muito equilibrado nos Barreiros, com o Braga a surgir como ligeiro favorito. Oportunidade para o V. Guimarães cimentar o 6º lugar.

- As estimativas das probabilidades de vitória e as previsões apresentadas são falíveis e não devem ser usadas para apostar de forma cega nos vencedores ou nos totais dos jogos. Não me responsabilizo por eventuais perdas, nem espero uma percentagem de eventuais ganhos.
Consultar ratings da semana anterior (Jornada 15)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Chama Gloriosa Chalkboard: Bola parada de laboratório (2)

Chama Gloriosa Chalkboard é uma nova rubrica no blog onde iremos analisar lances, jogadas ou momentos dos jogos do Benfica que, apesar de importantes, passam normalmente despercebidos a um olhar menos atento.

Pois bem, depois da semana passada termos destacado a qualidade do Benfica nas bolas paradas eis que o jogo com o Gil Vicente nos dá mais um fantástico exemplo do poderio encarnado neste capítulo. O lance é, claro está, o do primeiro golo e, certamente, terão sido muitas as pessoas a perguntarem-se como foi possível que Oscar Cardozo aparecesse completamente sozinho na marca de penalti a finalizar. Vejamos, então, como tudo se passou.


Pegamos na jogada quando Nolito se prepara para bater o livre. Ainda antes do espanhol iniciar a corrida, Witsel e Gaitán movimentam-se em direcção à bola como se a jogada estivesse a ser preparada para um deles (particularmente para o belga que teve o movimento mais agressivo) e a defesa do Gil Vicente é obrigada a reagir perante o comportamento dos dois jogadores. Isto, porém, não passava de um engodo. A principal acção decorre junto à marca de penalti onde Luisão é marcado individualmente por Cláudio, enquanto o resto da equipa gilista defende zona. Entretanto, Cardozo posiciona-se nas costas de Cláudio para fazer uma espécie de back screen ao adversário directo de Luisão.

Mas será que o destinatário do passe era mesmo o central brasileiro? Não, era mais um engodo! A verdadeira opção era o paraguaio! Luisão corta em direcção à baliza e Cláudio faz o que se esperava - luta para ultrapassar o bloqueio e acompanha o Girafa. Cardozo ajusta a posição e, servido por Nolito na perfeição, cabeceia de forma imparável para o fundo das redes da baliza de Adriano. Uma jogada ensaiada executada de forma absolutamente brilhante pela equipa do Benfica. O que me delicia mais no meio disto tudo é a inteligência de ter 3 opções válidas e poder executar o lance de acordo com a reacção da defesa adversária (bola para Witsel se ninguém acompanhasse o primeiro movimento, bola para Luisão se Cláudio ficasse com Cardozo e bola para Cardozo se Cláudio acompanhasse Luisão). Para além disto, é absolutamente notável a escolha de Luisão como segundo engodo, pois sejamos sinceros: qual é o jogador que, no seu perfeito juízo, vai deixar o brasileiro sozinho num livre lateral? Numa palavra: fantástico.

Confira o lance em tempo real:



sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Chama Gloriosa Ratings - Campeonato Nacional (Jornada 15)

O fenómeno dos "power ratings" e do ordenar as equipas segundo um número que represente de alguma forma a sua performance numa competição é algo essencialmente americano. É típico e bastante conhecido para quem segue os desportos da terra do Tio Sam de mais perto, mas na Europa, e principalmente no futebol, é algo ainda muito pouco explorado (pelo menos que eu saiba). Por achar que é uma vertente muito interessante da análise do jogo, e numa altura em que acaba de terminar a primeira volta do campeonato, decido partilhar com todos os leitores do Chama Gloriosa aquilo que me vou divertindo a fazer há já algum tempo: "power ratings" da Liga Portuguesa.

- Benfica e FCPorto são as duas melhores equipas do campeonato, a larga distância das restantes. O FCPorto é a melhor defesa sofrendo -0,69 golos que a média e o Benfica o melhor ataque marcando mais 1,28 golos que a média. 

- Sporting e Braga têm feito um campeonato muito igual e vão discutir, entre si, quem será o terceiro classificado. Guimarães, Marítimo, Beira-Mar (se mantiver a capacidade defensiva) e Académica deverão lutar pelos restantes lugares da primeira metade da tabela.

- Apenas 7 equipas possuem um rating superior à média da Liga indicando que o campeonato é, de facto, um pouco nivelado por baixo principalmente em termos atacantes (6 equipas com rating ofensivo acima da média, contra 8 equipas com rating defensivo acima da média da Liga). Gil Vicente pior ataque e P. Ferreira pior defesa.

- O Feirense, se conseguir se mais produtivo na frente, tem todas as condições para garantir a permanência de forma mais ou menos tranquila devido à boa performance defensiva. A luta pelos últimos lugares será acérrima e praticamente imprevisível.

- Jornada 16: previsão de jogos tranquilos para FCPorto e especialmente Benfica, com a perspectiva de ver o Sporting a regressar as vitórias em Olhão (note-se que a análise não tem em grande conta o contexto actual das equipas, apesar de sugerir dificuldades para a equipa leonina no Algarve) .

- Notas:
1ºQuadrante do Gráfico: Ataque e Defesa superiores à média da Liga.
2ºQuadrante do Gráfico: Defesa superior à média, mas Ataque inferior à média da Liga.
3ºQuadrante do Gráfico: Ataque e Defesa inferiores à média da Liga.
4ºQuadrante do Gráfico: Ataque superior à média, mas Defesa inferior à média da Liga.

- As estimativas das probabilidades de vitória e as previsões apresentadas são falíveis e não devem ser usadas para apostar de forma "cega" nos vencedores ou nos totais dos jogos. Não me responsabilizo por eventuais perdas, nem espero uma percentagem de eventuais ganhos.