Tem-me chateado bastante a forma como se tem falado do Ruben Amorim, e já desde o início de época. Ainda para mais sendo ele um modelo de profissionalismo, como ficou bem patente na trabalhosa e demorada recuperação que teve de fazer, mesmo durante as férias, nunca se poupando a esforços para ser merecedor da confiança do Benfica.
Desde logo, porque a apreciação que os Benfiquistas fazem das qualidades futebolísticas do Ruben Amorim é quase sempre muito numa onda de caridade por ele ser Benfiquista e português. Quando na realidade se trata do melhor jogador da época 2008/09, onde foi dos poucos a exibir quase sempre um nível muito elevado no meio de uma equipa completamente amorfa. Quando em 2009/10 esteve ao nível do Ramires quando teve de jogar no meio campo, e ao nível do Maxi quando teve de jogar a lateral direito.
O ano passado até à lesão fez óptimas exibições, e penso que o seu último jogo até foi o de Aveiro, onde a crítica foi unânime considerando-o numa das principais chaves para aquele que foi um dos jogos mais bem jogados (em todos os momentos) pelo Benfica.
Este ano vieram uns cromos novos, e este desde logo passou a ser o jogador útil por ser polivalente, interessante por não jogar mal, e pouco mais. O que um português precisa de provar na Luz e o que um estrangeiro tem de provar, são duas dimensões completamente distintas. Faço aqui uma aposta, que nada tem de mensurável mas que se lixe, que se qualquer outro jogador estrangeiro fizesse o que o Ruben Amorim já fez, andaria tudo de cabelos em pé sempre que se falasse em saída, em renovações de contrato e afins.
Aliás, basta ver a aura com que Ramires saiu do Benfica (a meu ver, justíssima), e o pouco reconhecimento que este português teve no mesmo período, em que se destacou de igual forma apesar de não ter a mesma intensidade física, mas tendo por exemplo muito mais qualidade técnica. Podem falar-me do Fábio Coentrão, mas se nem ao melhor do mundo na sua posição elogiassem até ao infinito, então toda a réstia de sanidade teria já desaparecido.
É um desgosto que tenho tudo o que rodeia os nossos portugueses e Benfiquistas, que para serem considerados ao mesmo nível de outros que vêm de fora têm de ser os melhores do mundo... tudo o resto "não serve".
E escusam de misturar este post com a recente questão das afirmações (dispensáveis) que fez a propósito de Paulo Bento e Jorge Jesus. Estou apenas a explicar porque já nem perco muito tempo a analisar o que pode desportivamente dar um jogador como ele ao clube. Enchi o saco.