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sábado, 25 de setembro de 2010

A chama imensa - A mão (de Rolando) que segura o andor



Crónica ricardo ARAÚJO pereira 
13:00
sábado, 25 Setembro de 2010 por ziabloO 





Por Ricardo Araújo Pereira, jornal ABola 25 de Setembro de 2010


dureza com que a equipa do Sporting foi criticada após a derrota na Luz deixa me na posição ingrata de ter de a defender. Concedo que a exibição não foi boa, o que acaba por ser normal. Como já aqui escrevi, parece me que o Sporting não está tão forte como no ano passado. No entanto, os riscos de desflorestação não se confirmam. É verdade que saiu uma maçã e o pinheiro acabou por não vir, mas o modo como Aimar e Saviola se mexeram entre o meio campo e a defesa do Sporting deu a entender que os jogadores leoninos estavam bem plantados na relva. No fim do jogo, pareceu - me ver o preparador físico do Sporting a desenraizar o Maniche da entrada da área. E um dos adjuntos teve de enxotar a águia Vitória, que se preparava para começar a fazer ninho no ombro do Nuno André Coelho.
Desejo aderir ao novo modelo de crónica futebolística em que o autor revela, para mais que previsível gáudio dos leitores, onde, como e quando viu determinado jogo, e ainda tem a gentileza de fazer a resenha das opiniões emitidas por comentadores estrangeiros - que são sempre os mais perspicazes e informados sobre o futebol português. Antigamente, o público não sabia se um cronista tinha assistido a determinado desafio em directo ou se tinha sido obrigado a ver uma gravação, se tinha visto a partida em território nacional ou estrangeiro. Esses tempos, felizmente, acabaram. Informo então que assisti ao Nacional-Porto no Brasil, através de um canal televisivo local. Estava uma temperatura agradável. Ingeri 72 tremoços durante a transmissão. Os comentadores consideraram claríssimo o penalty não assinalado após evidente mão de Rolando na área (que bobagem!, exclamaram os comentadores) e perceberam, sem recurso à repetição, que tinha sido mal tirado o fora-de-jogo ao ataque do Nacional. Um dos comentadores, especialmente bem preparado, lembrou a propósito a célebre conferência de imprensa em que Alex Ferguson afirmou que o Porto comprava os seus títulos no supermercado. De facto, o futebol português, visto no estrangeiro, tem outro interesse.
Mais um escândalo que resulta de inomináveis injustiças: o seleccionador do Brasil, evidentemente seguindo instruções do dr. Ricardo Costa, chamou David Luiz e deixou de fora da convocatória o inigualável Givanildo. Creio que se impõe uma vigília.
Acompanhei com alguma surpresa, as reacções da imprensa nacional à derrota do Braga frente ao Arsenal. Pareceram-me exageradas. É verdade que o Braga levou 6, mas a equipa portuguesa que lá foi no ano passado levou 5. É possível que, em Londres, ninguém tenha dado pela diferença. O único pormenor que verdadeiramente distinguiu as duas derrotas talvez tenha sido este: desta vez, o presidente da equipa goleada apareceu no aeroporto juntamente com a equipa, à chegada a Portugal.
 comunicado da direcção do Benfica continua a suscitar os mais variados comentários. Uns apoiam-no, outros reprovam-no, e até o treinador André Villas Boas fez uma observação da qualnão retive mais do que o facto de incluir a palavra quaisqueres. Uma das críticas mais frequentes, e à qual sou particularmente sensível, tem a ver com a circunstância de o comunicado disparar em direcções tão díspares como a arbitragem e a comunicação social. Também me parece descabido. Ainda se tivessem sido publicadas escutas em que se ouvisse o presidente de um clube a dar indicações a um árbitro sobre o melhor caminho a tomar em direcção a sua casa, talvez se percebessem melhor as referências à arbitragem. Bem assim, se fosse pública outra escuta em que se ouvisse o presidente do mesmo clube a dar indicações a um jornalista sobre o que deviaescrever, talvez se compreendesse a desconfiança relativamente à comunicação social - e talvez se percebesse que o tema é, afinal, mais ou menos o mesmo. Uma vez que nada disso sucedeu, o comunicado parece bater-se contra moinhos de vento que mais ninguém vê (nem ouve).

sábado, 18 de setembro de 2010

A chama imensa - Um protesto sem vigílias nem lutos não é um protesto

Por Ricardo Araújo Pereira, jornal ABola 18 de Setembro de 2010







O comunicado emitido pela direcção do Benfica teve, até ver, pelo menos um grande mérito: causou igual desagrado a portistas e sportinguistas (passe o pleonasmo). Os portistas até apreciam comunicados, mas só se forem lidos pelo terceiro guarda-redes. Gostam de queixas sobre a arbitragem, mas só se forem feitas ainda na pré-época, como fez Villas Boas no torneio de Paris. E levam a mal que uma iniciativa destas não inclua uma comovente vigília previamente anunciada na TV. Organizar romarias à sede da Liga para repudiar o castigo aplicado a um inocente que se limitou a participar num espancamento é pugnar pela justiça e pela verdade; lamentar a existência de vários erros graves de arbitragem é uma palermice folclórica.

Quanto aos sportinguistas, preferem tomadas de posição mais funéreas como um luto, por exemplo. Comunicados são, para eles, queixinhas.

Queixinhas essas que podem eventualmente vir a prejudicá-los, pelo que, após aturada reflexão, decidiram fazer queixinhas das queixinhas do Benfica, inaugurando assim as queixinhas por antecipação. Queixinhas preventivas e dignas, que antecipam factos hipotéticos, e que contrastam flagrantemente com as queixinhas condenáveis, que são as que se referem a factos consumados e comprovados. Donde se conclui que o Benfica foi prejudicado em Guimarães para seu próprio benefício, e para grave prejuízo do Sporting. Só não vê quem não quer.


A homenagem da Associação de Futebol do Porto a Olegário Benquerença gerou uma comoção que não pode deixar de se considerar admirável. Fico sempre impressionado com as pessoas que ainda conseguem surpreender-se com o futebol português. Se é absolutamente normal que um árbitro visite a casa do presidente do Porto («Sempre em frente!») nas vésperas de arbitrar um jogo do mesmo clube, porque haveria de ser menos normal que um árbitro de Leiria fosse homenageado pela Associação de Futebol do Porto nas vésperas de dirigir um jogo do Benfica e mais de dois meses depois das extraordinárias façanhas merecedoras da homenagem? Ambas as situações foram explicadas tão convincentemente que só poderiam deixar dúvidas em espíritos menos puros.

O árbitro Augusto Duarte buscava aconselhamento matrimonial para o papá, e foi por isso que quis escutar a opinião ponderada de um homem cujo talento para manter matrimónios estáveis e discretos é publicamente conhecido e aclamado.

A Associação de Futebol do Porto quis homenagear Olegário Benquerença, natural de Leiria, porque os seus auxiliares são portuenses. No fundo, o procedimento habitual nestes casos.
Quem não se lembra da linda homenagem que a Associação de Futebol de Beja prestou a Carlos Valente, que esteve no Mundial de 1990 com um assistente que tinha uma vizinha que era alentejana? Ou a festa de arromba que a Associação de Futebol da Guarda organizou em honra de Vítor Pereira, presente no mundial de 1998, e que na altura era dono de um cão de raça Serra da Estrela, o que muito orgulhou os organismos do futebol da região?


Jorge Costa prossegue a sua magnífica recuperação da Académica, que se encontra neste momento em terceiro lugar, bem longe do triste 11º posto em que terminou no ano passado. Com um plantel praticamente idêntico ao da época anterior, o novo treinador dos estudantes - que, recorde-se, nunca redigiu relatórios para Mourinho -, insiste em fazer melhor que o seu antecessor. Uma impertinência que lhe pode sair cara.

sábado, 11 de setembro de 2010

A chama imensa - O futebol português rejuvenesce

Por Ricardo Araújo Pereira, jornal ABola 11 de Setembro de 2010



Há duas semanas, escrevi aqui que a época 2010/2011 começava naquele dia, quando o Benfica jogasse com o Vitória de Setúbal. O jogo acabou com a vitória do Benfica por 3-0, e eu convenci-me de que tinha razão. Afinal, devo confessar que me enganei. Não estamos a assistir ao início da época 2010/2011. O campeonato que agora começa é o respeitante à época 1996/1997. Aquele ano em que se juntaram, na primeira divisão, árbitros como José Pratas, Augusto Duarte, Soares Dias e Isidoro Rodrigues, entre tantos outros. A arbitragem de ontem, em Guimarães, foi de 96/97. Até quem viu o jogo em casa sentiu o cheiro a naftalina. E os apreciadores de antiguidades terão admirado o rigor com que Olegário Benquerença aplicou as regras daquela altura.

Foi um espectáculo comovente. Quando um jogador vimaranense tentou separar a perna do Aimar do resto do corpo com um pontapé, dentro da área do Vitória. Senti-me 14 anos mais novo. A falta não assinalada que Carlos Martins sofreu, também dentro da área, fez me recuar à juventude. O fora de jogo inexistente que impediu Saviola de ficar isolado à frente de Nilson trouxe me à memória o viço dos meus vinte anos. E, quando Cardozo viu um cartão amarelo por ter marcado um golo limpo, quase chorei de nostalgia. Sou um sentimental, e estes regressos ao passado comovem-me. Só não percebo a razão pela qual este Vitória de Guimarães Benfica foi transmitido pela SportTV, em lugar de ter passado na RTP Memória. Quanto a Olegário Benquerença, já conhecíamos o seu talento como imitador de Quim Barreiros (quem não conhecer, veja o vídeo no YouTube). Mas não sabíamos que ele também tinha jeito para imitar o Martins dos Santos.


Que se saiba, ninguém seguiu o conselho de higiene institucional que Carlos Queiroz nos deixou, gratuitamente, em meados da década de 90: não há notícia de alguém ter varrido a porcaria da Federação. Não serei eu a pôr em causa a necessidade de varrer porcaria, seja na Federação ou noutro sítio, mas, não tendo a porcaria sido varrida, foi com porcaria que Humberto Coelho chegou às meias-finais de um Europeu, e foi na companhia da mesma porcaria que Scolari conseguiu ser vice-campeão da Europa e quarto classificado num Campeonato do Mundo. Bem sei, bem sei: o mérito dos feitos de Humberto Coelho e Scolari é todo de Carlos Queiroz. Foi ele quem lançou as bases. Construiu a estrutura. Pensou o edifício das selecções. E a responsabilidade pelo actual momento da Selecção é de todos menos de Queiroz. Por azar, ele tomou conta da Selecção precisamente na altura em que o efeito da sua obra começou a desvanecer-se. Os seus predecessores destruíram as bases, ignoraram a estrutura e borrifaram se no edifício. Curiosamente, Carlos Queiroz tem mais mérito e influência nos resultados da Selecção quando não está a treiná-la do que quando é seleccionador nacional. E, mesmo quando está longe, Queiroz consegue ser autor moral apenas dos êxitos: é ele o responsável pelo sucesso da equipa que fez um brilharete no Euro 2000, mas não tem responsabilidade nenhuma no desastre do Mundial de 2002, sendo que a chegada à final do Euro 2004 volta a ter o seu dedo.
O despedimento de Queiroz deve agradar, por isso, a ambas as partes: à Federação — que, com processos disciplinares consecutivos, fez tudo para o despedir sem nunca dizer que queria despedi-lo; e ao seleccionador — que, insultando os médicos na Covilhã e o vice-presidente da Federação no Expresso, fez tudo para ser demitido sem nunca dizer que queria demitir-se. Por um lado, é uma pena que Queiroz e a Federação se separem. Fazem um lindo par.
No fim, a cabeça do polvo, pelos vistos, conseguiu o que queria — o que significa que este é o segundo octópode a ser bem sucedido no mundo do futebol em meia dúzia de meses. Infelizmente, dizem-me que ficávamos mais bem servidos se o polvo alemão que adivinhava resultados viesse ocupar o cargo de vice-presidente da Federação e Amândio de Carvalho fosse para dentro daquele aquário na Alemanha.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

José Águas. O melhor dactilógrafo da Europa

José Águas. O melhor dactilógrafo da Europa

José Águas levanta a Taça dos Campeões-1961, das mãos de Ebbe Schwarz, presidente da UEFA
por Rui Tovar, Publicado em 09 de Setembro de 2010  em  http://www.ionline.pt/conteudo/77414-jose-aguas-o-melhor-dactilografo-da-europa
Há 60 anos o Benfica fez uma digressão em África e aterrou em Lisboa com um reforço na bagagem, que seria o capitão das duasTaças dos Campeões
Quantos jogadores venceram a Taça dos Campeões? Eh pá, isso agora... Quantos jogadores venceram a Taça dos Campeões e se sagraram melhores marcadores nessa época de glória? Eh lá, deixa-me cá ver. Nove: Di Stéfano, Puskas, José Águas, Altafini, Müller, Van Basten, Kaká e Cristiano Ronaldo. Quantos jogadores venceram a Taça dos Campeões, se sagraram melhores marcadores e ainda levantaram a taça na qualidade de capitães? Esta é fácil. Só um: José Águas, em 1961. E é dele que vamos falar, porque faz hoje, dia 9 de Setembro, 60 anos que chegou a Portugal, via Angola.

Nasce em Luanda e cresce no Lobito, onde o pai, Raul, trabalha. Aos 15 anos, José entra como dactilógrafo na Robert Hudson, empresa concessionária da Ford, e com facilidade lança-se na equipa de futebol da firma. Com instintos goleadores.

Em 1950, José Águas, com 19 anos, e já um benfiquista ferrenho, por influência do pai, vive um dia de glória aquando da vitória do Benfica na Taça Latina. No dia seguinte, um jornal local publica o poster dessa equipa e José Águas cola-o na parede do quarto. No mês seguinte, quando o referido poster já estava amarelo de apanhar tanto sol, o Benfica chega a Angola para uma digressão de início de época. Dos 15 jogos previstos, o oitavo é o mais importante. Não pelo resultado (derrota por 3-1), mas pelos dois golos de José Águas, avançado-centro da selecção de Lobito, que salta mais alto que qualquer defesa do Benfica. Ted Smith, treinador inglês dos encarnados, pede-lhe então que passe pelo seu hotel para falarem.

OLHÒ FCP No dia seguinte, o FC Porto, por telefone, convida José Águas para umas férias na Invicta e uns treinos na Constituição (o estádio dos portistas), ao que este responde, timidamente: "Amanhã respondo!" O amanhã nunca mais chega. Para o FC Porto, pelo menos. Para o Benfica, o amanhã significa a descoberta de mais um fenómeno da África colonial. Ponta-de-lança elegante e clássico, fazia do jogo de cabeça a sua grande arma. E larga tudo para vestir a camisola do Benfica no resto da digressão. Nos três jogos seguintes, seis golos, incluindo um hat-trick na estreia, com a selecção Huíla-Lubango

A 9 de Setembro de 1950, o Benfica aterra em Lisboa, com um reforço na bagagem. E o resto é história. Que vale a pena contar. José Águas demora duas horas a adaptar-se ao nosso futebol. No primeiro jogo, com o Atlético, na Tapadinha (2-2), para a segunda jornada do campeonato nacional, Águas, nada habituado a um campo relvado e a jogar com pitons, quase não toca na bola e é posto em causa pela imprensa desportiva.

Antes que isso se transforme em críticas, Águas desfaz equívocos e marca quatro golos (o primeiro aos 30 minutos), na jornada seguinte, num estonteante 8-2 ao Braga. Nas 13 épocas seguintes, José Águas vive momentos inesquecíveis, como a conquista das duas Taças dos Campeões, em 1961 e 1962 (na primeira edição é mesmo o melhor marcador da prova, com 11 golos em nove jogos), ambas como capitão, e um golo em cada final, ao Barcelona e ao Real Madrid, respectivamente. Sem esquecer que foi o primeiro português votado para a "France Football", em 1961 (certamente votos do jornalista português, porque a sequência José Águas, Germano, José Augusto, Costa Pereira e Eusébio é no mínimo suspeita). Além das sete Taças de Portugal. E de cinco campeonatos nacionais e cinco títulos de melhor marcador da 1.a divisão, que contribui para que seja dos poucos jogadores do mundo a terminar a carreira com mais golos (290) que jogos (282).

Em 1962, a saída do técnico húngaro Bela Guttmann precipita o fim de José Águas. Com o chileno Fernando Riera a apostar em José Torres, é relegado para o banco. Emigra então para a Áustria e joga no Austria Viena, contabilizando dois golos (em sete jogos), longe dos números arrasadores no Benfica: 379 golos (em 384 jogos), no segundo melhor registo de sempre da história encarnada, só atrás de Eusébio (473), outro fenómeno da África colonial. Mas isso é outra história. Que fica para outro dia. Hoje é o de José Águas.

sábado, 4 de setembro de 2010

A chama imensa - Jorge Sousa, um árbitro do Porto




quinta-feira, 20 de maio de 2010

À lei da Bola - 1º reforço da época

Contra a corrente - O inimigo de Pinto da Costa não é o túnel, é o YouTube


Contra a corrente ( quinta 20 de Maio de 2010)

Por Leonor Pinhão - crónica semanal no jornal "a bola"




O inimigo de Pinto da Costa não é o túnel, é o YouTube



Talvez tenha havido algum exagero nos festejos benfiquistas pela conquista do 32.º campeonato da história do clube. Na verdade, saiu muita gente para a rua a fazer barulho e a dançar. Também é provável que tenha havido algum exagero na cobertura que as televisões e os jornais deram às comemorações vermelhas. É, no entanto, compreensível porque a imprensa regula-se, entre outras coisas, pelo mercado e quando há multidões em catarse o fenómeno reveste-se de índole sociológica e aumentam, no dia seguinte, as tiragens dos jornais e as audiências televisivas.  Aparentemente, trata-se de um contra-senso porque a sociologia nunca foi um bom negócio. A não ser quando o assunto é o Benfica, o que prova a grandeza e a originalidade do clube mais popular do País.

Mas nada disto explica o acabrunhamento, a má disposição, a crispação com que no Jamor foi festejada pelo FC Porto a conquista da Taça de Portugal sobre o Desportivo de Chaves, por 2-1. Muito menos explica a «timidez», no dizer dos repórteres das televisões, de serviço na Avenida dos Aliados, com que «sempre os mesmos seis carros» davam voltas à praça «como acendalhas», a ver se a festa portista pegava. A verdade é que não pegou.


Dificilmente pegaria porque nestas coisas do futebol, para o bem ou para o mal, há sempre uma simbiose entre os jogadores e os adeptos. Uns puxam pelo outros e vice-versa, é assim que a magia funciona. É puro contágio. E é de crer que a má disposição que o capitão Bruno Alves apresentava no final do jogo, respondendo torto aos jornalistas, afirmando que queria ver a sua vida melhorada, tenha contagiado a nação azul e branca e contribuído para acabrunhar aquela hora que devia ser de alegria e de festa.


Como se não bastasse a neura de Bruno Alves, houve ainda que suportar a crispação de Jesualdo Ferreira, saindo a meio da conferência de imprensa, acusando os jornalistas de maldades que lhes estão vedadas, por não-inerência de cargo. Perante isto, qual é a vontade que uma pessoa tem de sair à rua para fazer barulho e dançar?

sábado, 15 de maio de 2010

Recordar é viver - A chama imensa

A chama imensa ( sábado, 15 de Maio de 2010)

Por Ricardo Araújo Pereira - crónica semanal no jornal "a bola"


Recordar é viver:







«A contratação do Saviola é igual à do Aimar no ano passado. Se fossem mesmo bons, se estivessem na parte boa da carreira, não vinham para o Benfica. Quero descobrir novos talentos, jogadores que possam dar tudo pelo Benfica e não acabar a carreira e passar férias. (…) Com estes jogadores, o Benfica vai fazer uma grande figura no Torneio do Guadiana».
Bruno Carvalho, candidato à presidência do Benfica, 27 de Junho de 2009.

«A aposta em Saviola faz lembrar a do ano anterior em Aimar: jogadores que já tiveram nome e que por isso são pagos caro e com elevadíssimos ordenados, mas que há vários anos não passam do estatuto de suplentes de luxo em Espanha.»
Miguel Sousa Tavares, 7 de Julho de 2009.

«(…) não vejo ninguém [no plantel do Benfica], nem o Luisão, que desperte o interesse de um clube disposto a pagar dinheiro que se veja (…). Eu, pessoalmente, não quereria, para o plantel do FC Porto, um só dos que constituem o do Benfica. Um só.»
Miguel Sousa Tavares, 30 de Junho de 2009, referindo-se ao plantel do Benfica da época transacta, que incluía nomes como Di Maria, David Luiz ou Cardozo, para dar apenas três exemplos de jogadores sem qualquer valor de mercado.

terça-feira, 20 de abril de 2010

À lei da Bola - Paulo Bento ao quadrado?

Ai está, mais uma vez Pedro Ribeiro num excelente vídeo, onde o seu amor ao Benfica fica bem visível, tal como a paixão que tem com os comediantes de Alvalade e do Dragão.



sábado, 17 de abril de 2010

O Porto está bem colocado para ganhar a taça dos túneis






Por Ricardo Araújo Pereira - crónica semanal no jornal "a bola"

Acho que o castigo a Vandinho é injusto, tendencioso e vergonhoso
Rui Moreira, 19 de Fevereiro de 2010

Vivemos (…) num país onde há gente com decência, competência e bom senso, como agora se comprova. (…) Infelizmente, a justiça chega tarde e a más horasRui Moreira

A justiça desportiva tem particularidades que podem escapar aos leigos, mas é fácil de entender pelos juristas — e pelos comerciantes, contanto que usem gravata. Aos olhos de um ignorante, uma decisão iníqua não pode, em princípio, ser mantida por gente com decência, competência e bom senso, mas um especialista em justiça desportiva sabe que o mesmo castigo pode ser infame quando decidido pela Comissão Disciplinar da Liga e justo quando confirmado pelo Conselho de Justiça da Federação. Aos outros, só lhes resta procurar compreender uma ciência que, aparentemente, não está ao seu alcance. Que se passou, então, entre aquele dia de Fevereiro em que Rui Moreira considerou injusto, tendencioso e vergonhoso o castigo de Vandinho e o dia de Março em que lhe pareceu que as pessoas que o confirmaram eram decentes, competentes e assisadas? É fácil: passaram quatro jornadas e o Porto continuava a oito pontos do Braga.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

À lei da Bola - Pedro Ribeiro jornada 26 ( 2ª parte )

Contra a corrente - O que é que eles ainda queriam mais?

Contra a corrente
O que é que eles ainda queriam mais?

Por Leonor Pinhão
 - crónica semanal no jornal "a bola"


Na época corrente, visitando o Estádio da Luz na condição de treinador da equipa visitante, Carlos Carvalhal fez muito melhor com o Marítimo, na primeira jornada do campeonato, do que fez com o Sporting na vigésima sexta jornada da prova. No comando da equipa da Madeira, Carvalhal saiu da Luz com um empate a uma bola e com um ponto, já no comando do Sporting saiu da Luz com uma derrota e com zero pontos.

E quem viu com atenção os dois jogos há-de reconhecer que o Marítimo, ao longo dos 90 minutos, jogou bem melhor e foi muito mais perigoso do que o Sporting, ao longo dos 90 minutos. O problema do Sporting, portanto, não é do treinador.

Assim não parece entender a Direcção do clube de Alvalade que, objectivamente, entregou a carta de despedimento a Carvalhal a seis jornadas do fim do campeonato e assim não parece entender Costinha, o team manager do Sporting que, na noite de terça-feira, despediu Carlos Carvalhal da conferência de imprensa no final do jogo, sentando-se ele próprio, muito austero, no lugar onde era suposto sentar-se o treinador, para se dirigir aos jornalistas em formato de grande indignação.

Não duvidem, Costinha promete.

Mensagem numa 'garrafa'

Por Luís Freitas Lobo - crónica semanal no jornal "a bola"


É como, de repente, se antecipasse ao tempo. Como fica diferente o futebol sempre que o jogo (e a bola) anda perto de quem melhor o entende. O inverso, claro, também sucede. Antecipar a jogada, lendo o espaço e decidir a acção no mesmo instante. Quando um jogador destes aparece num jogo em que o bater do coração (acelerado e nervoso) da equipa ouvia-se desde a bancada, é como colocar um pacemaker na frequência táctico-cardíaca de todo o onze. Nessa atmosfera, a aparição de Rúben Amorim, sempre sensível a ler espaços, tocou o sistema nervoso da equipa. Com o atrevimento discreto que desenha todas as suas jogadas, descobriu por onde furar a primeira linha defensiva leonina e, subitamente, abriu uma clareira num jogo tacticamente amordaçado. Se, depois disso, a bola chega ao sítio eleito, a mensagem de bom futebol cumpriu o seu destino. É assim tão simples.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

À lei da Bola - Pedro Ribeiro jornada 26

Mais um excelente vídeo do Pedro Ribeiro, onde põe bem claro que com ele não fazem farinha.
Realça, destaca e glorifica a vitória do Benfica, ao mesmo tempo que não se inibe de colocar o dedo na ferida dos nosso adversários.

sábado, 10 de abril de 2010

Para acabar de vez com as agressões em túneis

Para acabar de vez com as agressões em túneis

Por Ricardo Araújo Pereira - crónica semanal no jornal "a bola"

Passaram já mais de 15 dias sobre a final da Taça da Liga e não há ainda notícia de castigos para os jogadores do Benfica. Conforme foi noticiado, os stewards contratados pela Liga de Clubes para, no entender da Comissão de Disciplina da Liga, zelarem pela segurança no estádio e, no entender do Conselho de Justiça da Federação, assistirem ao jogo a partir do túnel, pertenciam à empresa de segurança que patrocina o Braga. Ora, um patrocinador tem um interesse objectivo em que a equipa que patrocina seja campeã, pelo que estavam reunidas condições para uma tenebrosa armadilha cujo resultado inevitável seria o castigo prolongado de futebolistas do Benfica que tivessem na manobra da equipa o peso equivalente ao de, por exemplo, Sapunaru no Porto. Um drama. Nesse caso, por que razão não foi organizada uma vigília antes da final? Por que motivo não houve ninguém, da parte do Benfica, que denunciasse a pérfida cilada? Porque todos sabíamos que, mesmo que os jogadores do Benfica ouvissem provocações ultrajantes do calibre de um «vão lá para dentro», ou um ainda mais infame «voltem lá para cima», iriam adoptar uma estratégia — manhosa, admito — para não serem castigados. Essa estratégia matreira é (e espero que os leitores mais sensíveis não fiquem chocados com a indignidade da marosca): não agredir stewards. Trata-se de um comportamento que, beneficiando embora o clube de que sou adepto, não tenho quaisquer dúvidas em condenar — desde logo por ser indigno de um bom chefe de família. Mas é assim, de astúcia vil em astúcia vil, que a equipa do Benfica se vai esquivando das punições.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

À lei da Bola - Pedro Ribeiro jornada 25

Mais uma vez, Pedro Ribeiro presenteia-nos com outro excelente vídeo, desta vez, destacando o seu grande amigo ROLO COMPRESSOR.
Fala um pouco sobre os dotes dos árbitros nacionais, em particular Artur Soares Dias e Elmano Santos, realça a dureza e impunidade perante as entradas de Raul Meireles e Fernando, e alerta para o facto de não valer a pena ver mais jogos do Braga até final da época.
Entre elogios e críticas, ridiculariza a anarquia no Sporting, elogia os golos dos adversários mas relembra:
Porto a 11 e Sporting a 23!
Até para a semana.





Contra a corrente - Não sabem para que lado se devem virar…



Por Leonor Pinhão - crónica semanal no jornal "a bola"

Um portista a sério está-se nas tintas para a Liga dos Campeões desde que tenha o consolo de ver o Benfica perder o campeonato 

Depois da viagem a Inglaterra, o Benfica volta já ao campeonato português na próxima terça-feira. O adversário é o Sporting. Nas últimas quatro temporadas estes encontros entre os rivais históricos nem sequer pertenciam ao campeonato português (no seu todo), diziam antes respeito a uma sub-espécie de sub-campeonato. 

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Contra a corrente - FC Porto exige indemnização ao FC Porto


Contra a corrente
FC Porto exige indemnização ao FC Porto!
(por causa da Lei da suspensão preventiva proposta e aprovada pelos próprios)
Por Leonor Pinhão no jornal abola

O FC Porto, através do seu departamento jurídico, exige ser ressarcido. E exige muito bem porque, na verdade, o que se está a passar no futebol português é uma grande vergonha.

Imagine-se só que por causa de uma lei proposta pelo FC Porto e aprovada com o voto do FC Porto, em reunião magna da Liga de clubes, o mesmo FC Porto viu-se privado do concurso de Lionel Messi, perdão, do concurso de Givanildo Hulk, no espaço compreendido entre as datas de 20 de Dezembro de 2009 e 19 de Fevereiro de 2010!

No presente momento, ocorrem os preparativos para uma guerra sem precedentes no quartel do departamento jurídico do FC Porto. Lutarão uns contra os outros, fraternalmente, como nunca mais se tinha visto naquela casa desde o tempo, tão longínquo, do histórico Verão quente de 1980, quando metade da equipa de futebol, numa expressão de rebeldia contra o presidente eleito do clube, o dr. Américo de Sá, fugiu ao trabalho no Estádio das Antas para se juntar à facção de Pinto da Costa, dispensada pelo mesmo dr. Américo de Sá, vá lá saber-se porquê...

sábado, 27 de março de 2010

A chama imensa - O novo clássico Benfica-Braguinha




Por Ricardo Araújo Pereira - crónica semanal no jornal "a bola"



Miguel Sousa Tavares

16 de Fevereiro de 2010
O Fernando Guerra pode, pois, tomar nota desde já: dificilmente os portistas e os bracarenses irão reconhecer o mérito de um campeonato ganho pelo Benfica nestas circunstâncias

Miguel Sousa Tavares

23 de Março de 2010
O que me incomoda, sim, é que os elogios aproveitem a tantos benfiquistas que os não merecem. Daqueles que, inversamente, nunca foram capazes de reconhecer mérito às vitórias portistas dos últimos anos




O clube que é referido nas escutas pelo árbitro condenado por corrupção passiva como «o meu Braguinha» tem hoje o privilégio de visitar o estádio do primeiro classificado. Será uma oportunidade inédita para os jogadores do Braguinha de Augusto Duarte verem um estádio cheio de espectadores pagantes. Espero que tragam a máquina fotográfica. Confesso que não sei muito sobre a táctica do Braguinha de Augusto Duarte, mas creio que o Braguinha de Augusto Duarte vai tentar explorar as faixas laterais — e também as faixas laterais das faixas laterais, como no jogo em casa contra o Marítimo, em que a jogada do golo da vitória começou do lado de fora do campo. Não só os laterais do Benfica terão de estar atentos, como seria bom que Jorge Jesus ministrasse um treino táctico aos apanha-bolas. Sobre a equipa do Braguinha de Augusto Duarte, só tenho uma certeza: ao contrário do que aconteceu no jogo contra o Porto, Meyong vai certamente jogar de início. Julgo mesmo que o jogador terá sido poupado no Dragão para se apresentar hoje nas melhores condições. Será, creio, um jogo difícil, na medida em que o Braguinha de Augusto Duarte tem fama de oferecer um prémio de 50.000 euros aos capitães dos adversários do Benfica. Estarão motivadíssimos, os capitães do Braguinha de Augusto Duarte.

OBenfica, que nunca perdeu uma final com o Porto, venceu, sem surpresa, a Taça da Liga. É verdade que Nuno foi incapaz de segurar um remate relativamente fraco de Rúben Amorim, mas é provável que o guarda-redes do Porto estivesse a jogar lesionado por ter as falangetas doridas de redigir comunicados.

Não posso, claro, deixar de fazer uma alusão ao lamentável ambiente de violência que rodeou o jogo. Foi especialmente chocante a conduta daquele hooligan que joga no centro da defesa do Porto. Registo, apesar de tudo, a lucidez de Bruno Alves quando mostrou quatro dedos ao público. Mesmo naquela hora difícil, o central manteve a cabeça fria e foi capaz de calcular a média de golos sofridos pelo Porto nas goleadas contra Arsenal e Benfica: quatro. E fez questão de informar o público da conclusão a que tinha chegado.

Quanto à final propriamente dita, apesar de tudo foi um jogo à antiga: dantes, o árbitro perdoava a expulsão a dois jogadores do Porto e o Porto ganhava. Agora, o árbitro perdoa a expulsão a dois jogadores do Porto e o Porto perde por 3-0. Talvez tenha mudado qualquer coisa, mas o essencial manteve-se.

Tendo em conta a gravidade dos factos que foram ocorrendo fora do campo, é forçoso reconhecer que este campeonato ficará conhecido por causa de factores extra-futebol: para todos os efeitos, este será sempre o campeonato durante o qual foram publicadas as escutas do Apito Dourado no YouTube. Mas o túnel da Luz também teve algum protagonismo. Depois de a Comissão Disciplinar da Liga ter deliberado, de forma completamente absurda, que os stewards eram agentes desportivos, o Conselho de Justiça da Federação veio finalmente pôr ordem na demência e decidiu que os stewards são, na verdade, público. Como é óbvio, fez-se justiça. Parece evidente que os profissionais contratados para controlar o público são, também eles, público. Suponho que, quando um steward falta ao serviço, não seja punido: trata-se de um espectador a quem não apeteceu ir ao estádio nesse dia. E ficaria surpreendido se os stewards agredidos não fossem, eles sim, castigados: ao que pude apurar, nenhum daqueles membros do público agredidos por Hulk e Sapunaru tinha pago o respectivo bilhete. Uma vergonha que não deve passar sem punição.

Agora sim, o castigo de três jogos a Hulk parece adequado à infracção. Recordo que, em Braga, Cardozo foi castigado com dois jogos de suspensão por, como as imagens demonstraram, não ter agredido ninguém. Hulk levou mais um por espancar um segurança. É mais do que justo que as agressões efectivas sejam punidas com mais um jogo do que as imaginárias.

Há, no entanto, alguns pormenores inquietantes no acórdão do CJ da Federação. Os portistas sempre sustentaram que os castigos a Hulk e Vandinho eram igualmente injustos. Faziam parte da mesma sombria cabala que devia ser combatida à força de vigílias. Agora, contudo, dizem que foi feita justiça quando o CJ da Federação manteve o castigo de Vandinho (cuja equipa segue no campeonato à frente do Porto, a propósito). Mais: o Porto mantém que a deliberação da Liga é extremamente iníqua, profundamente injusta, manifestamente reles, deliberadamente maldosa, safadamente ruim. O acórdão do CJ, apesar de não concordar com ela, diz que é, e cito, «legítima». Quem toma decisões legítimas deve indemnizações a alguém? A justiça chega tarde mas chega confusa.

domingo, 21 de março de 2010

Factos e Protagonistas - Recordar Marselha




Por Fernando Seara - crónica semanal no jornal "a bola"

1 O grito de afirmação internacional desta equipa do Benfica ecoou no Vélodrome e estendeu-se à Europa inteira. Foram 90 minutos de Benfica à Benfica. De tenacidade e de raça. De força feita de convicção, coragem, classe e sofrimento. De muitos e muitos predicados, todos eles devidos e todos eles merecidos pelo grupo de trabalho que honra o emblema, dignifica o clube e distingue Portugal. Diz-se que o Marselha jogou pouco. Seria melhor observar que jogou na estrita medida em que os jogadores e a estratégia do Benfica o deixaram jogar. E isso faz esta época toda a diferença relativamente a passados recentes. Não apenas a categoria dos jogadores. Mas a ideia de jogo interiorizada, os mecanismos assimilados, a confiança de cada um e em todos os outros, o conhecimento do que se pode e deve fazer, o cumprimento escrupuloso do seu papel. E, concomitantemente, o estudo do adversário, a preparação de cada jogo com minúcia e cuidado, tudo feito com a humildade de quem sabe muito de futebol, não se ilude com ondas de entusiasmo nem tropeça na armadilha dos favoritismos fáceis ou das vitórias antecipadas. Este Benfica artista é também um Benfica operário, trabalhador, esforçado. Benfica de estrelas que no relvado não têm primazias nem galões. Defendem e atacam, jogam e disputam o jogo lance a lance, como se em cada jogo tivessem de demonstrar o que valem e conquistar o lugar que ocupam. Esperemos que, com tanta carga competitiva e tão pouco tempo de recuperação, exibam hoje, no Algarve, tudo o que já mostraram à exaustão saber e poder fazer. Sim, porque para uma grande equipa não há competições acessórias. Todas são principais. E todas são para ganhar. Esta é, definitivamente, a águia que nos leva a voar nas asas deste sonho que todos os benfiquistas merecem e perseguem.

2 Os mapas que apresentamos ajudam-nos a perceber a continuidade da participação de alguns clubes na Liga dos Campeões e a quase renovação anual no que respeita à Liga Europa. Na Liga dos Campeões, nos últimos anos e nestes quartos-de-final, encontramos habitualmente os grandes nomes do futebol inglês, mais o Barcelona e o Bayern Munique. E, este ano, deparamos com a intromissão do Inter, de José Mourinho, o CSKA de Moscovo e a presença gaulesa do Lyon e do Bordéus. Na Liga Europa, constatamos que nos últimos anos há uma constante renovação e que o Benfica, com duas participações nos quartos-de-final, é uma das marcas europeias com dupla referência. Agora, e face ao sorteio, o encontro com o Liverpool — que tem, nesta Liga Europa, a sua tábua de salvação competitiva na presente época — será quase que uma final antecipada, sem que ignoremos que o vencedor deste jogo vai disputar o acesso à final com o Valência ou o Atlético Madrid. Mas os quadros são bem elucidativos acerca da relativa estabilidade na Liga dos Campeões e a relativa renovação na Liga Europa. São também os milhões bem diferentes de uma e de outra competição a reflectirem-se na hierarquia das potências do futebol europeu.

3 Um apontamento de tristeza pelos acontecimentos de Alvalade que pelas más razões levaram o nome do nosso país aos noticiários desportivos. Sabemos bem que a violência no desporto é multifactorial e muitas vezes incontrolável pelas estruturas dos clubes e pela organização do espectáculo. E não se pode esquecer os acontecimentos de Madrid, igualmente tristes e reprováveis. Porém, o desforço nunca é justificável. Por isso, dos responsáveis leoninos só se poderiam exigir comportamentos pedagógicos que incutissem nos seus adeptos serenidade e bom senso. Ao contrário, a declaração de Salema Garção apelando ao ambiente de incomodidade na recepção do adversário e de Simão Sabrosa acabou por constituir mais um dispensável rastilho que poderá ter consequências disciplinares. Creio bem que as palavras do dirigente leonino não traduziram o seu pensamento. Muito menos as interpretações que delas se fizeram. Terá sido um deslize. Mas, convenhamos, foi uma intervenção que, decerto, não repetirá atentas as responsabilidades que exerce.

4 Um benfiquista do coração está a lutar pela vida. Com algumas cadeiras de distância, acompanhei-o em alguns jogos do Benfica. Vibrámos com as exibições desta época, enaltecemos a liderança de Luís Filipe Vieira, a perspicácia de Rui Costa e a sabedoria que se sente e pressente de Jorge Jesus. Agora que vamos defrontar o Sporting de Braga e o Liverpool gostava de o voltar a ver naquele estádio. Nestes dois jogos não será possível, acredito. Mas, meu caro comendador Horácio Roque, cá estaremos para um abraço vitorioso no final da Liga. Força comendador!